A Moura Dubeux (MDNE3) registrou lucro líquido de R$ 150 milhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 27,7% sobre o mesmo período de 2025. Na comparação com o segundo trimestre, porém, o resultado caiu 13,7%. A incorporadora também consumiu caixa e informou que adotará critérios mais rigorosos para novos lançamentos.
Última cotação de MDNE3 na B3: R$ 16,04 (-4,35% no dia) em 05/11/2026 (fonte: Brapi).
Resumo rápido
A receita líquida da Moura Dubeux chegou a R$ 709,2 milhões no 3T26, alta anual de 29,3%, com maior contribuição do modelo de condomínio. A margem líquida, parcela da receita que fica como lucro, foi de 21,2%, abaixo dos 23,8% do trimestre anterior. O consumo de caixa, desconsiderando dividendos e recompra de ações, foi de aproximadamente R$ 169 milhões, e a dívida líquida terminou setembro em R$ 340 milhões.
Principais pontos
- Lucro acumulado: R$ 479,6 milhões nos primeiros nove meses de 2026, avanço de 55,6% sobre igual período de 2025.
- Receita líquida: R$ 709,2 milhões no trimestre, alta anual de 29,3% e queda trimestral de 3%.
- Margem bruta: 36,5%, contra 41,3% no terceiro trimestre de 2025 e 38,6% no segundo trimestre de 2026.
- Vendas e adesões líquidas: R$ 841,5 milhões na participação da companhia, recuo anual de 21,5%.
- Endividamento: dívida líquida equivalente a 14% do patrimônio líquido ao fim de setembro.
- Terreno em Salvador: aquisição respondeu por R$ 97 milhões do consumo de caixa do trimestre.
Lucro cresce no ano, mas recua frente ao trimestre anterior
O resultado apresenta duas trajetórias diferentes, conforme a comparação. Frente ao terceiro trimestre de 2025, o lucro cresceu sobre uma base de R$ 117,6 milhões. Em relação ao segundo trimestre de 2026, ficou abaixo dos R$ 173,9 milhões registrados naquele período.
A margem líquida também ajuda a separar crescimento de receita e rentabilidade. O indicador ficou em 21,2%, próximo dos 21,4% de um ano antes, mas abaixo dos 23,8% do trimestre anterior. Isso significa que a empresa reteve como lucro uma parcela menor da receita na comparação trimestral.
No acumulado até setembro, a evolução foi diferente: a margem líquida chegou a 23,2%, ante 18,7% nos primeiros nove meses de 2025. O lucro dos últimos doze meses somou R$ 592 milhões. A companhia informou ainda ROAE, indicador de retorno do lucro sobre o patrimônio líquido médio, próximo de 28%. Ele mede a rentabilidade do capital da empresa, não o retorno de quem compra a ação na bolsa.
Receita de condomínios explica parte do avanço
A receita líquida cresceu principalmente pela maior contribuição do modelo de condomínio. Nesse formato, os participantes financiam a construção, e a Moura Dubeux recebe pela estruturação do projeto, pela administração da obra e pela comercialização do terreno, além de poder revender cotas próprias.
No trimestre, a empresa reconheceu receitas de comercialização de terrenos de sete projetos. Essa remuneração é contabilizada depois da constituição do condomínio e da venda do terreno, embora seu recebimento ocorra durante a construção. Só essa linha de receita bruta alcançou R$ 355,9 milhões, aumento de 85,5% sobre o terceiro trimestre de 2025.
A receita líquida de condomínio somou R$ 445,2 milhões, alta anual de 44,1%. Já a incorporação tradicional, na qual a empresa desenvolve, constrói e vende as unidades, gerou R$ 264 milhões, avanço de 10,2%.
Os formatos também têm momentos distintos de registro contábil. Na incorporação, a receita das unidades vendidas acompanha a evolução dos custos da obra. Por isso, vendas realizadas no trimestre, receita contabilizada e dinheiro recebido não são medidas equivalentes.
Custos sobem mais que a receita e reduzem a margem bruta
O lucro bruto, valor que resta da receita após os custos dos imóveis e serviços, foi de R$ 258,5 milhões. Cresceu 14,3% em um ano, menos que a receita. Os custos chegaram a R$ 450,7 milhões, aumento de 39,9% na mesma comparação.
Essa diferença reduziu a margem bruta para 36,5%. Segundo a Moura Dubeux, a queda no modelo de condomínio ocorreu principalmente porque os terrenos relacionados às receitas reconhecidas no trimestre tiveram maior participação de pagamentos em dinheiro na aquisição.
Na incorporação, a margem bruta subiu para 31,3%, contra 30,2% um ano antes. A companhia atribuiu essa evolução à maior participação dos projetos da Mood no lucro bruto.
As despesas seguiram direções diferentes. Os gastos comerciais caíram 11,8%, para R$ 58,2 milhões, com redução das comissões de corretagem. Já as despesas administrativas aumentaram 33,2%, para R$ 47,6 milhões. Dentro desse grupo, os gastos com pessoal cresceram 40% na comparação anual.
Mais lançamentos não se traduziram em mais vendas no trimestre
A empresa lançou oito empreendimentos, com R$ 1,547 bilhão em VGV líquido na sua participação. VGV é o valor geral de vendas, uma medida do volume financeiro dos imóveis de um projeto, e não receita já registrada. O montante lançado cresceu 15,5% em relação ao terceiro trimestre de 2025.
As vendas e adesões líquidas, que descontam os cancelamentos de contratos, caíram 21,5%. Segundo a administração, cerca de 40% dos lançamentos ocorreram nas duas últimas semanas de setembro, deixando menos tempo para comercialização dentro do trimestre. Esses indicadores também aparecem na prévia operacional da Moura Dubeux.
A velocidade de vendas, medida pela proporção vendida em relação à oferta disponível, ficou em 15,3% no trimestre, contra 25,7% um ano antes. Os distratos, cancelamentos de contratos, representaram 8,3% das vendas e adesões brutas, ante 5,2% no terceiro trimestre de 2025.
Ao fim de setembro, o estoque tinha valor de mercado de aproximadamente R$ 4,8 bilhões. Desse total, 3,1% correspondiam a unidades prontas. A maior parte, portanto, estava ligada a imóveis ainda não concluídos.
Compra de terreno pesa no caixa e dívida líquida aumenta
O consumo de caixa de aproximadamente R$ 169 milhões exclui dividendos e recompra de ações. A compra do terreno dos Correios, em Salvador, respondeu por R$ 97 milhões. Sem essa aquisição, o consumo teria sido de aproximadamente R$ 72 milhões, conforme a companhia.
A dívida líquida, que desconta as disponibilidades das dívidas financeiras, passou de cerca de R$ 56 milhões em junho para R$ 340 milhões em setembro. A relação com o patrimônio líquido subiu de 2,5% para 14%. A administração considera esse nível de alavancagem baixo diante da dimensão da operação e dos investimentos realizados.
As disponibilidades terminaram o período em R$ 636 milhões. O contraste entre lucro e consumo de caixa decorre das diferenças de prazo entre registrar receitas, receber dos clientes e pagar investimentos. Assim, o lucro contábil não corresponde ao dinheiro que entrou na conta durante o trimestre.
O que muda para o acionista
O balanço reúne crescimento anual do lucro, redução trimestral das margens e aumento do endividamento. Para quem tem MDNE3, são dimensões distintas do negócio: capacidade de gerar resultado, rentabilidade da operação e recursos disponíveis para financiar os projetos.
A administração informou que adotará medidas de preservação de caixa. Novos lançamentos passarão por avaliação mais criteriosa da demanda de cada produto, localidade e marca. Segundo a companhia, manter volumes ou crescimento a qualquer custo não será o objetivo; as decisões considerarão rentabilidade e geração futura de caixa.
A empresa encerrou setembro com 73 projetos em andamento e R$ 498 milhões em resultados de unidades vendidas ainda a apropriar, isto é, ainda não registrados no resultado contábil. Essa carteira mostra que parte do desempenho futuro depende da execução de negócios já contratados, enquanto o ritmo de expansão será reavaliado pela administração.
Perguntas frequentes
Quanto a Moura Dubeux lucrou no terceiro trimestre?
A companhia registrou aproximadamente R$ 150 milhões de lucro líquido no terceiro trimestre de 2026. O valor cresceu 27,7% em relação ao mesmo trimestre de 2025 e caiu 13,7% frente ao segundo trimestre de 2026.
Como a empresa teve lucro e consumiu caixa ao mesmo tempo?
Lucro contábil e movimentação de caixa seguem momentos diferentes de registro e pagamento. No trimestre, a Moura Dubeux consumiu aproximadamente R$ 169 milhões, sem contar dividendos e recompra de ações, dos quais R$ 97 milhões estavam associados à compra de um terreno em Salvador.
Por que as vendas caíram mesmo com mais lançamentos?
Segundo a administração, cerca de 40% dos lançamentos ocorreram nas duas últimas semanas de setembro, reduzindo o tempo disponível para vender esses produtos no trimestre. As vendas e adesões líquidas recuaram 21,5% na comparação anual.
O ROAE de 28% é o retorno de quem tem a ação?
Não: o ROAE mede o lucro em relação ao patrimônio líquido médio da companhia. O retorno do acionista na bolsa é uma medida diferente e não pode ser deduzido diretamente desse indicador.
A Moura Dubeux vai diminuir os lançamentos?
A empresa informou que avaliará novos lançamentos com critérios mais rigorosos, mas não fixou uma redução de volume nessa mensagem. A análise levará em conta a demanda por produto e localidade, a rentabilidade esperada e a geração futura de caixa.
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