A Porto Seguro (PSSA3) registrou lucro líquido de R$ 839 milhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 0,9% sobre o mesmo período de 2025. Já o lucro recorrente, que exclui os efeitos extraordinários identificados pela companhia, caiu 14,3%, para R$ 712,7 milhões. O trimestre combinou crescimento das receitas com perdas maiores no crédito, aumento dos custos assistenciais em saúde e redução do resultado financeiro.
Última cotação de PSSA3 na B3: R$ 44,35 (+1,46% no dia) em 06/11/2026 (fonte: Brapi).
Resumo rápido
A Porto Seguro encerrou o terceiro trimestre com receita total de R$ 11,369 bilhões, avanço anual de 9,9%, mas teve queda no lucro recorrente. O reconhecimento de créditos tributários ligados à reorganização da Porto Serviço ajudou a sustentar o lucro total. Nas operações, Porto Bank e Porto Saúde tiveram redução do lucro ante o terceiro trimestre de 2025, enquanto a Porto Serviço ampliou o resultado.
Principais pontos
- Lucro líquido total: R$ 839 milhões, alta de 0,9% na comparação anual e queda de 4,6% frente ao segundo trimestre.
- Lucro recorrente: R$ 712,7 milhões, recuo de 14,3% em um ano e de 19,8% em relação ao trimestre anterior.
- Porto Bank: perdas de crédito de R$ 843,2 milhões, aumento anual de 48%, e lucro de R$ 170,7 milhões.
- Porto Saúde: lucro de R$ 84 milhões, queda anual de 33,5%, com sinistralidade de saúde e odontologia em 82%.
- Seguros e serviços: lucro de R$ 443,1 milhões na vertical Porto Seguro e de R$ 51,6 milhões na Porto Serviço.
- Resultado financeiro: R$ 309,5 milhões, redução de 19,2% sobre o terceiro trimestre de 2025.
O ajuste tributário separa o lucro total do recorrente
A diferença entre os resultados começa nos impostos. A Porto reconheceu R$ 135,4 milhões em créditos tributários diferidos, valores que podem reduzir impostos e que estavam provisionados para perda. Segundo a companhia, o reconhecimento decorre da reorganização societária da Porto Serviço, ainda em curso.
Para chegar ao lucro recorrente, a empresa retirou esse efeito e acrescentou R$ 9,2 milhões de benefício de caixa com redução de Imposto de Renda pela amortização de ágio da CDF. Essa amortização é o reconhecimento gradual de um valor associado à aquisição. A conciliação apresentada no relatório mostra um ajuste líquido negativo de R$ 126,3 milhões sobre o lucro total.
Assim, o lucro total teve pequena alta anual, enquanto o resultado sem esses efeitos caiu. O lucro operacional, que retrata o desempenho das atividades antes do resultado financeiro e de outras linhas, recuou 20,6%, para R$ 889 milhões. A expansão da receita, portanto, não se traduziu em crescimento do ganho operacional.
A rentabilidade também diminuiu. O ROAE, retorno anualizado do lucro sobre o patrimônio líquido médio dos acionistas, ficou em 20,7%, ante 23% um ano antes. Na visão recorrente, o indicador foi de 17,6%.
Perdas de crédito crescem no Porto Bank
O Porto Bank teve lucro de R$ 170,7 milhões, queda de 12,9% na comparação anual. Frente ao segundo trimestre, porém, houve recuperação de 23,9%. As perdas de crédito chegaram a R$ 843,2 milhões: cresceram 48% em um ano, mas diminuíram 2,9% em relação ao trimestre anterior.
Segundo a administração, o aumento anual reflete um ciclo de crédito mais adverso e uma postura mais conservadora na gestão de risco, com maiores provisões — registros contábeis para cobrir perdas esperadas. Esses registros reduzem o resultado mesmo antes de se encerrar a cobrança de cada operação.
A carteira de crédito alcançou R$ 23,7 bilhões, expansão anual de 9,2%. O índice de inadimplência acima de 90 dias, calculado na base de até 360 dias, subiu de 7,2% para 10,2%. Ao mesmo tempo, a companhia informou melhora pelo segundo trimestre consecutivo no indicador de atrasos entre 15 e 90 dias, que ajuda a observar dificuldades de pagamento mais recentes.
No consórcio, a receita foi de R$ 444 milhões, alta de 7,6%. Pelo método anterior de reconhecimento de receitas e custos, seria de R$ 500,4 milhões, avanço de 21,2%. A distinção importa porque mudar o momento de registrar uma receita altera a comparação, mesmo sem representar a mesma mudança nas vendas.
Saúde ganha beneficiários, mas gasta mais com atendimento
A Porto Saúde ampliou a receita em 12%, para R$ 2.453,7 milhões. O seguro-saúde chegou a 956 mil beneficiários, crescimento de 21,9%, enquanto a odontologia alcançou 1,318 milhão, avanço de 15,8%. O aumento da carteira não impediu a redução do lucro.
A sinistralidade conjunta de saúde e odontologia, parcela dos prêmios ganhos consumida pelos custos dos atendimentos cobertos, passou de 77,3% para 82%. Prêmios são os valores cobrados pelos seguros; a parcela ganha corresponde à cobertura já prestada no período. Quanto maior a sinistralidade, menos sobra dessa receita para pagar outras despesas e formar lucro.
No seguro-saúde isoladamente, a sinistralidade atingiu 83,3%, aumento de 5 pontos percentuais. A administração atribuiu aproximadamente dois terços dessa elevação a rupturas na cadeia de atendimento oncológico e a um comportamento sazonal atípico entre o segundo e o terceiro trimestre. O restante foi associado ao aumento orgânico dos sinistros, os eventos cobertos pelo seguro.
O lucro da vertical caiu 33,5%, para R$ 84 milhões. Ainda assim, no acumulado de nove meses, somou R$ 443,5 milhões, alta de 7,8%, sustentada pelos resultados dos trimestres anteriores.
Seguros ampliam a carteira e serviços aumentam o lucro
A vertical Porto Seguro, que reúne os negócios de seguros separados da área de saúde, registrou receita de R$ 6.192,5 milhões, crescimento de 9,4%. Seu lucro caiu 1,7%, para R$ 443,1 milhões. O retorno sobre o patrimônio ficou em 31,7%, acima de 30% pelo sexto trimestre consecutivo.
No automóvel, os prêmios emitidos cresceram 10%, para R$ 4.481,6 milhões. A frota segurada aumentou em 264 mil veículos na comparação anual. Já a sinistralidade subiu de 58,2% para 59,1%, mostrando que a expansão dos negócios veio acompanhada de maior peso relativo das indenizações.
A Porto Serviço seguiu outra trajetória: o lucro aumentou 34,5%, para R$ 51,6 milhões, e a receita avançou 9%, para R$ 659,9 milhões. A operação encerrou o trimestre com 81 parceiros, incluindo 14 montadoras. Segundo a empresa, as parcerias estratégicas já representam aproximadamente um quarto do faturamento da vertical.
Aplicações financeiras contribuíram menos para o resultado
O resultado financeiro caiu 19,2%, para R$ 309,5 milhões. A Porto atribuiu a redução principalmente à menor contribuição da atualização pelo IPCA, índice de inflação, nos títulos contabilizados pela curva de remuneração contratada, e ao desempenho da parcela investida em renda variável abaixo do Ibovespa, referência do mercado de ações.
A carteira total de aplicações alcançou R$ 27,3 bilhões, incluindo recursos dos participantes de previdência. Segundo a companhia, a alocação busca preservar capital e proteger as operações de aumentos de custos, como os das peças usadas nas indenizações de automóveis. Por isso, ela não é montada apenas para reproduzir um indicador de rendimento.
O que muda para o acionista
O resultado mostra receitas maiores, mas menor lucro recorrente no trimestre. Para quem tem PSSA3, a distinção entre ganho total e recorrente explica por que a alta do lucro divulgado não descreve, sozinha, o desempenho das operações.
Nos nove meses de 2026, o lucro total somou R$ 2.852,5 milhões, crescimento de 12,2%. O recorrente chegou a R$ 2.559,5 milhões, alta de 0,7%. O acumulado ainda cresce, mas em ritmos diferentes: os ajustes tributários, as perdas de crédito e os custos assistenciais ajudam a explicar essa distância.
Perguntas frequentes
Quanto a Porto Seguro lucrou no terceiro trimestre?
A companhia teve lucro líquido de R$ 839 milhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 0,9% em relação ao mesmo período de 2025. O lucro recorrente ficou em R$ 712,7 milhões, com queda anual de 14,3%.
Por que o lucro total subiu e o recorrente caiu?
O resultado total incluiu o reconhecimento de créditos tributários relacionados à reorganização da Porto Serviço. Na conta recorrente, a companhia excluiu esse efeito e fez um ajuste ligado à amortização de ágio da CDF, chegando a um lucro menor.
O que pesou no resultado do Porto Bank?
As perdas de crédito atingiram R$ 843,2 milhões, aumento de 48% sobre o terceiro trimestre de 2025. Segundo a administração, o movimento reflete condições de crédito mais adversas e maior conservadorismo nas provisões para perdas esperadas.
A Porto Saúde perdeu clientes?
Não: a carteira do seguro-saúde cresceu 21,9% em um ano, chegando a 956 mil beneficiários. O lucro caiu porque o aumento da receita veio acompanhado de maior peso dos custos assistenciais, com sinistralidade de saúde e odontologia em 82%.
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