Os brasileiros tiraram R$ 39,3 bilhões a mais do que depositaram na caderneta de poupança no primeiro semestre de 2026, segundo dados do Banco Central. Mesmo assim, o saldo total continua em R$ 1,020 trilhão — o que revela algo incômodo: há mais de um trilhão de reais aplicado no produto que menos rende com a Selic em 14% ao ano.
A poupança teve saída líquida de R$ 39,3 bilhões no primeiro semestre de 2026, com saldo total ainda em R$ 1,020 trilhão. Janeiro e março concentraram as maiores retiradas, de R$ 23,5 bilhões e R$ 11,1 bilhões. Com a Selic acima de 8,5% ao ano, a caderneta rende 0,5% ao mês mais TR, bem abaixo do CDI.
Principais pontos
- Saída líquida de R$ 39,3 bilhões da poupança no primeiro semestre de 2026.
- Saldo total da caderneta permanece em R$ 1,020 trilhão.
- Janeiro e março concentraram as maiores retiradas: R$ 23,5 bilhões e R$ 11,1 bilhões.
- Maio foi o único mês com entrada líquida positiva, de R$ 2,6 bilhões.
- Em junho, a saída foi de apenas R$ 237,5 milhões, uma das menores do semestre.
O que os números mostram
A captação líquida da poupança é a diferença entre o que entra em depósitos e o que sai em saques. No primeiro semestre de 2026, essa conta ficou negativa em R$ 39,3 bilhões, segundo dados do Banco Central.
A distribuição ao longo dos meses não foi uniforme. Janeiro e março concentraram o grosso das retiradas, com R$ 23,5 bilhões e R$ 11,1 bilhões respectivamente. Maio foi o único mês positivo, com entrada líquida de R$ 2,6 bilhões. Junho ficou praticamente empatado, com saída de R$ 237,5 milhões.
Por que janeiro e março puxam a fila
O padrão se repete todo ano e tem pouco a ver com decisão de investimento. Janeiro e março são meses de IPTU, IPVA, material escolar e matrícula. Quem guardou dinheiro no fim do ano para essas despesas resgata justamente nesse período.
Maio, na outra ponta, costuma ser beneficiado por restituição do Imposto de Renda e por sobras do décimo terceiro que ainda circulam. É por isso que ler um único mês isolado leva a conclusões erradas — o fluxo da poupança é sazonal antes de ser comportamental.
A regra dos 8,5% que trava o rendimento
Aqui está o mecanismo que explica por que a poupança perde tanto para outras aplicações no cenário atual. A regra em vigor determina que, quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, a caderneta rende 0,5% ao mês mais TR. Quando a Selic cai abaixo desse patamar, o rendimento passa a ser 70% da Selic mais TR.
Como a Selic está em 14% ao ano, a poupança está travada no teto de 0,5% ao mês. Isso dá cerca de 6,17% ao ano quando se compõem os doze meses, mais a TR. Enquanto isso, o CDI roda perto de 13,90% ao ano. A diferença não é de alguns décimos: é mais que o dobro.
| Aplicação | Rendimento aproximado ao ano | Imposto de renda |
|---|---|---|
| Poupança | 6,17% + TR | Isenta |
| Tesouro Selic | próximo de 14% | Tabela regressiva, 22,5% a 15% |
| CDB a 100% do CDI | próximo de 13,90% | Tabela regressiva, 22,5% a 15% |
| LCI/LCA a 90% do CDI | próximo de 12,51% | Isenta para pessoa física |
Mesmo considerando que a poupança é isenta de imposto, a conta não fecha a favor dela. Um CDB a 100% do CDI resgatado depois de dois anos paga 15% de IR sobre o rendimento, o que ainda deixa cerca de 11,8% líquidos — quase o dobro da caderneta.
Se rende tão pouco, por que sobra R$ 1 trilhão?
Essa é a parte que os números de captação não explicam sozinhos. Três fatores sustentam o saldo.
O primeiro é a liquidez imediata e a simplicidade: o dinheiro fica na mesma conta do banco, sem aplicação, sem resgate programado, sem prazo. O segundo é a familiaridade — para boa parte da população, poupança é sinônimo de guardar dinheiro. O terceiro é o desconhecimento de que produtos com a mesma proteção do FGC, como CDB de liquidez diária, existem e rendem mais. Vale entender como funciona a garantia do FGC, que cobre até R$ 250 mil por CPF e instituição.
Para onde o dinheiro tem ido
Parte da saída da poupança é consumo — conta a pagar, dívida a quitar. Mas outra parte migra para aplicações que acompanham os juros altos: Tesouro Selic, CDBs de liquidez diária, fundos DI e LCIs isentas.
Com a Selic começando a cair, esse movimento tende a perder força ao longo do tempo. Se o ciclo de corte levar a taxa para perto de 12% em 2027, como projeta o boletim Focus, a distância entre poupança e renda fixa diminui — mas continua existindo, porque a caderneta segue travada em 0,5% ao mês enquanto a Selic estiver acima de 8,5%.
O que fazer se o seu dinheiro está na poupança
O primeiro passo não é sair correndo: é separar por objetivo. Dinheiro que você pode precisar amanhã exige liquidez diária, e aí a comparação relevante é com Tesouro Selic e CDB de liquidez diária — ambos com resgate rápido e rendimento muito maior.
Para valores que ficarão parados por mais tempo, entram na conta LCI, LCA e CDB de prazo maior, que costumam pagar taxas melhores. O guia sobre onde deixar a reserva de emergência ajuda a organizar essa divisão, e o comparador de investimentos coloca produtos lado a lado com os números atuais.
Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. Rendimentos citados são aproximados e variam conforme instituição, prazo e condições de mercado.
Perguntas frequentes
Quanto saiu da poupança em 2026?
No primeiro semestre de 2026, a saída líquida foi de R$ 39,3 bilhões, segundo o Banco Central. Mesmo assim, o saldo total da caderneta permanece em R$ 1,020 trilhão.
Quanto rende a poupança com a Selic a 14%?
Cerca de 0,5% ao mês mais TR, o que equivale a aproximadamente 6,17% ao ano. Sempre que a Selic fica acima de 8,5% ao ano, o rendimento da caderneta fica travado nesse teto.
Por que janeiro é o mês de maior saque da poupança?
Porque concentra IPTU, IPVA, material escolar e matrícula. Quem guardou dinheiro no fim do ano para essas despesas resgata em janeiro — é um padrão sazonal, não uma fuga de investidores.
Vale a pena tirar o dinheiro da poupança?
Depende do objetivo e do prazo. Para reserva com liquidez diária, Tesouro Selic e CDB de liquidez diária rendem bem mais com proteção equivalente. Para prazos maiores, LCI e LCA isentas costumam ser competitivas.
A poupança é mais segura que um CDB?
Ambos têm cobertura do FGC de até R$ 250 mil por CPF e por instituição, com teto global de R$ 1 milhão renovável a cada quatro anos. Em termos de garantia, a proteção é equivalente.



