Com o balanço do Bradesco divulgado em 5 de agosto, três dos quatro grandes bancos de capital aberto já mostraram o segundo trimestre de 2026. O placar de rentabilidade ficou assim: Itaú com ROE de 24,3%, Bradesco com 16,2% e Santander Brasil com 12,5%. Falta o Banco do Brasil, previsto para 12 de agosto.
No segundo trimestre de 2026, o Itaú lucrou R$ 12,4 bilhões com ROE de 24,3%, o Bradesco lucrou R$ 7,05 bilhões com ROE de 16,2% e o Santander Brasil teve queda de 17,6% no lucro, com ROE de 12,5%. Com a Selic em 14% ao ano, apenas Itaú e Bradesco entregaram retorno acima do custo de capital do acionista.
Principais pontos
- Itaú lidera com ROE de 24,3% e lucro recorrente de R$ 12,4 bilhões no trimestre.
- Bradesco reportou R$ 7,05 bilhões e ROE de 16,2%, no décimo trimestre seguido de melhora.
- Santander Brasil viu o lucro cair 17,6%, com ROE de 12,5%.
- Com a Selic a 14%, retorno abaixo desse patamar significa remuneração inferior à de um título público.
- Banco do Brasil fecha a temporada dos grandes em 12 de agosto.
O placar do trimestre
| Banco | Lucro recorrente 2T26 | ROE | Situação |
|---|---|---|---|
| Itaú Unibanco | R$ 12,4 bilhões | 24,3% | Líder isolado |
| Bradesco | R$ 7,05 bilhões | 16,2% | Décimo trimestre de melhora |
| Santander Brasil | queda de 17,6% | 12,5% | Único em retração |
| Banco do Brasil | divulga em 12/08 | — | Pendente |
A comparação por lucro absoluto favorece naturalmente o maior banco. Por isso o ROE — retorno sobre o patrimônio líquido — é a métrica que permite colocar instituições de tamanhos diferentes na mesma régua: ele mostra quanto cada real de capital do acionista gera de lucro no período.
Por que 14% virou a linha de corte
O Copom cortou a Selic para 14% ao ano em 5 de agosto. Esse número não é só o custo do dinheiro na economia: ele funciona como piso mental de rentabilidade para qualquer investidor brasileiro.
O raciocínio é direto. Se um título público paga 14% ao ano com risco soberano, uma empresa que entrega retorno menor do que isso está oferecendo mais risco por menos dinheiro. No jargão do mercado, ela não cobre o custo de capital. Aplicando essa régua ao trimestre: Itaú e Bradesco ficaram acima da linha; o Santander Brasil, com 12,5%, ficou abaixo.
Itaú: a distância que não diminui
O Itaú entregou ROE de 24,3%, com lucro recorrente de R$ 12,4 bilhões. Para dimensionar: o banco lucrou no trimestre quase o mesmo que Bradesco e Santander somados.
A vantagem vem de uma combinação difícil de replicar no curto prazo — carteira de crédito com perfil de risco mais conservador, forte presença no segmento de alta renda e uma operação de banco de investimento e gestão de recursos que gera receita sem consumir muito capital. Bancos que dependem mais de crédito puro precisam de mais patrimônio para crescer, e isso pressiona o ROE.
Bradesco: a virada em câmera lenta
O Bradesco somou R$ 7,05 bilhões, alta de 16,2% em um ano, no décimo trimestre consecutivo de melhora. O ROE avançou 1,6 ponto percentual e permitiu ao banco ultrapassar o Santander Brasil.
Reestruturação de banco de varejo é processo lento por natureza: a carteira de crédito antiga precisa vencer ou ser baixada antes que a nova, com critérios mais rígidos, domine o balanço. Dez trimestres de melhora contínua mostram que o movimento tem consistência — mas os oito pontos percentuais de ROE que separam o Bradesco do Itaú não se fecham em um ou dois trimestres.
Santander Brasil: o ponto fora da curva
O Santander Brasil teve queda de 17,6% no lucro e ROE de 12,5%, o único dos três em retração no período. O banco vinha de uma sequência de recuperação e voltou a mostrar pressão.
Vale a ressalva: um trimestre isolado pode conter efeitos pontuais — provisões elevadas, mudanças de perímetro, efeitos fiscais. A leitura só fica sólida quando se acompanha a sequência de trimestres e a explicação da administração sobre o que foi recorrente e o que não foi.
O que a Selic em queda muda para o setor
Um ciclo de corte de juros mexe com os bancos em dois sentidos opostos. A receita de tesouraria e o ganho sobre o capital próprio aplicado em títulos diminuem quando a taxa cai. Ao mesmo tempo, prestações menores aliviam o orçamento das famílias, o que tende a reduzir a inadimplência e abrir espaço para a carteira de crédito voltar a crescer.
Para bancos que passaram os últimos anos com o pé no freio do crédito, a segunda força costuma pesar mais. Ainda assim, o efeito não é imediato: a inadimplência responde com alguns trimestres de atraso à melhora na renda disponível.
O que observar no balanço do Banco do Brasil
O BB fecha a temporada dos grandes em 12 de agosto, e a comparação direta com os bancos privados exige cuidado. A instituição tem exposição relevante ao crédito rural, que segue dinâmica própria — ligada a safra, preços de commodities e política agrícola —, além de participação estatal na estrutura de capital.
Quem quiser acompanhar as divulgações restantes pode consultar as datas da temporada de balanços. Para comparar múltiplos e indicadores entre os bancos, a ferramenta de comparação de ativos coloca dois papéis lado a lado.
Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. Datas de divulgação podem ser alteradas pelas companhias. Resultados passados não garantem desempenho futuro.
Perguntas frequentes
Qual banco teve o melhor resultado no 2T26?
Pela rentabilidade, o Itaú, com ROE de 24,3% e lucro recorrente de R$ 12,4 bilhões. O Bradesco veio em seguida, com 16,2% e R$ 7,05 bilhões, e o Santander Brasil ficou com 12,5%, único com queda no lucro.
O que é ROE e por que ele importa mais que o lucro?
ROE é o retorno sobre o patrimônio líquido: quanto de lucro o banco gera para cada real de capital do acionista. Ele permite comparar instituições de tamanhos diferentes, o que o lucro absoluto não faz.
Por que a Selic a 14% é usada como referência para julgar bancos?
Porque um título público paga essa taxa com risco soberano. Uma empresa que entrega retorno menor está oferecendo mais risco por menos remuneração — no jargão, não cobre o custo de capital do acionista.
Quando o Banco do Brasil divulga o balanço do segundo trimestre?
A previsão é 12 de agosto de 2026. O BB fecha a temporada dos grandes bancos de capital aberto, e sua comparação com os privados exige cuidado por causa da exposição ao crédito rural.
A queda da Selic é boa ou ruim para as ações de bancos?
Depende do prazo. No curto prazo reduz a receita de tesouraria; ao longo do tempo tende a melhorar a inadimplência e destravar o crescimento da carteira de crédito. Para bancos de varejo, o segundo efeito costuma pesar mais.



