A Construtora Tenda (TEND3) registrou lucro líquido consolidado de R$ 57,3 milhões no terceiro trimestre de 2026, queda de 48,7% sobre o mesmo período de 2025. O resultado inclui uma despesa contábil de R$ 49,1 milhões com contratos financeiros ligados às próprias ações. Sem esse efeito, o lucro foi de R$ 106,4 milhões, alta anual de 3,7%.
Última cotação de TEND3 na B3: R$ 19,75 (+1,80% no dia) em 04/11/2026 (fonte: Brapi).
Resumo rápido
A Tenda aumentou a receita líquida em 10,5%, para R$ 1.254,1 milhões, mas encerrou o trimestre com margens menores que as do segundo trimestre. Segundo a administração, a redução do crédito concedido diretamente aos compradores, os custos de obra e o aumento dos cancelamentos de vendas explicam essa mudança. A geração operacional de caixa foi de R$ 82,4 milhões, enquanto a geração total ficou em R$ 44,9 milhões.
Principais pontos
- O lucro contábil caiu 48,7% em um ano e 68,0% em relação ao segundo trimestre.
- Sem o efeito dos contratos financeiros ligados às próprias ações, o lucro consolidado cresceu 3,7% na comparação anual, mas recuou 34,0% na trimestral.
- A receita líquida consolidada somou R$ 1.254,1 milhões, alta anual de 10,5% e queda trimestral de 2,8%.
- A margem bruta ajustada da marca Tenda ficou em 34,6%, ante 39,9% no trimestre anterior.
- As vendas líquidas consolidadas alcançaram R$ 1.287,0 milhões, crescimento anual de 4,4%.
- A companhia completou o 14º trimestre consecutivo de geração operacional de caixa.
O que separa o lucro contábil do resultado sem swaps
Os swaps, contratos financeiros cujo resultado varia conforme uma referência, estão ligados a ações da própria Tenda. No trimestre, a marcação a mercado — atualização do valor desses contratos nas contas da empresa — gerou a despesa de R$ 49,1 milhões.
Segundo o release, esse lançamento não teve desembolso de caixa no período. A liquidação dos contratos está prevista para abril e setembro de 2027. O efeito reduziu o lucro apresentado no balanço, mas não representou uma saída de dinheiro naquele trimestre.
Isso explica as duas leituras da comparação anual: queda de 48,7% no lucro contábil e crescimento de 3,7% no lucro sem swaps. Mesmo retirando esse efeito, porém, o resultado diminuiu diante dos R$ 161,3 milhões do segundo trimestre.
Nos nove meses de 2026, o lucro sem swaps chegou a R$ 419,9 milhões, avanço de 65,2% sobre o mesmo intervalo de 2025. A administração descreve o terceiro trimestre como uma moderação do crescimento após um primeiro semestre de recordes.
Menos crédito ao comprador pesou na margem
A margem bruta ajustada, parcela da receita que sobra depois dos custos dos imóveis, retirando os juros incorporados a esses custos, ficou em 32,5% no consolidado. Na marca Tenda, foi de 34,6%, praticamente estável ante os 34,5% de um ano antes, mas 5,3 pontos percentuais abaixo do segundo trimestre.
O principal componente dessa queda trimestral foi a combinação de preços e correção monetária, responsável por 2,6 pontos percentuais. A companhia reduziu o TCD, saldo do imóvel que o comprador paga diretamente à construtora depois de receber as chaves. Na explicação da administração para a marca Tenda, essa parcela passou de 10% para 7,1% do preço nominal.
Como esse crédito entra na receita na venda, reduzir sua participação diminui o valor contabilizado imediatamente. Em contrapartida, a empresa passa a ter menos dinheiro a receber diretamente das famílias ao longo dos anos. Segundo a Tenda, a decisão respondeu ao aumento da inadimplência e às condições mais restritivas de crédito.
Os custos de obras responderam por outro ponto percentual da redução da margem. O segundo trimestre havia contado com economias que não se repetiram. Já os demais efeitos retiraram 1,7 ponto percentual, envolvendo descontos em contratos no Rio de Janeiro, cancelamentos e ajustes de provisões para perdas, valores contabilizados para cobrir possíveis valores não recebidos.
Cancelamentos limitaram o avanço das vendas
As vendas líquidas, que descontam os contratos cancelados das vendas brutas, cresceram na comparação anual, mas recuaram frente ao trimestre anterior. No consolidado, ficaram em R$ 1.287,0 milhões, alta anual de 4,4% e redução de 8,2% diante do segundo trimestre.
Na marca Tenda, as vendas líquidas do segmento principal somaram R$ 1.214,4 milhões. O avanço anual foi de 10,5%, enquanto a queda trimestral chegou a 7,9%.
Os distratos, cancelamentos de contratos de compra, alcançaram R$ 292,8 milhões nessa marca, aumento de 55,0% sobre o trimestre anterior. Foram 1.231 unidades canceladas. A companhia atribuiu o movimento à greve de quase 20 dias da Caixa Econômica Federal em setembro, à redução temporária do limite de comprometimento de renda e ao maior rigor nas entrevistas de crédito.
Também houve menos repasses, etapa em que o financiamento do comprador é formalizado com o banco. O valor repassado pela marca Tenda caiu 27,0% ante o segundo trimestre, para R$ 754,7 milhões. Segundo a empresa, a greve foi a principal explicação.
Caixa operacional cresceu no trimestre, mas caiu em um ano
A geração operacional de caixa consolidada de R$ 82,4 milhões aumentou 57,1% em relação ao segundo trimestre, mas ficou 28,5% abaixo do terceiro trimestre de 2025. No acumulado do ano, atingiu R$ 247,1 milhões. Esse indicador mostra o fluxo de recursos das operações e não se confunde com o lucro contábil.
A geração total de caixa foi de R$ 44,9 milhões. A companhia informou que parcelas do programa Pode Entrar, previstas para recebimento entre julho e setembro, foram postergadas. Sem esse atraso, segundo seu cálculo, a geração total teria sido de R$ 89,7 milhões. Esse valor não corresponde ao dinheiro efetivamente recebido no período.
O caixa e as aplicações financeiras encerraram setembro em R$ 923,8 milhões. Já a dívida líquida total, dívida bruta menos esses recursos, ficou em R$ 302,6 milhões. A relação consolidada entre dívida líquida e patrimônio líquido, incluindo a participação de outros sócios nas controladas, foi de 20,0%.
Lançamentos mudam de perfil e Alea ainda consome caixa
O grupo lançou 14 empreendimentos, com R$ 1.641,6 milhões em valor geral de vendas, ou VGV, soma do valor potencial de comercialização dos imóveis. O montante cresceu 5,0% em um ano. Lançamento representa a entrada de projetos no mercado, não receita já recebida.
Na marca Tenda, 54,5% do VGV lançado veio de projetos das faixas 3 e 4 do Minha Casa, Minha Vida. A companhia estreou na faixa 4 com um empreendimento na Bahia. Segundo a administração, essa composição sustenta sua expectativa de recomposição gradual dos preços.
A Alea lançou três empreendimentos e registrou prejuízo líquido de R$ 27,7 milhões. O consumo operacional de caixa foi de R$ 13,3 milhões considerando toda a operação, ou R$ 11,3 milhões na parcela correspondente à participação da Tenda. A empresa informou que prioriza a rentabilidade dos projetos antes de acelerar produção e vendas.
O que muda para o acionista
O resultado mostra que receita, lucro contábil e entrada de caixa seguiram ritmos diferentes. Para o acionista, retirar o efeito dos swaps muda a comparação anual do lucro, mas não elimina a queda do resultado frente ao segundo trimestre. A redução do crédito aos compradores também afeta tanto a receita reconhecida quanto os valores que a construtora terá a receber.
Para 2026, a Tenda apresenta projeção de lucro consolidado entre R$ 600 milhões e R$ 660 milhões, sem swaps. A administração não projeta uma margem específica. Para o quarto trimestre e 2027, suas prioridades incluem ampliar a geração de caixa, estabilizar novas fábricas e normalizar os distratos.
Segundo a companhia, outubro já trouxe recuperação dos repasses e melhora dos preços e das margens das novas vendas. Essa é a avaliação da administração sobre o início do trimestre seguinte, não um resultado fechado do período.
Perguntas frequentes
Afinal, o lucro da Tenda caiu ou subiu?
O lucro contábil caiu 48,7% em relação ao terceiro trimestre de 2025 e ficou em R$ 57,3 milhões. Excluindo o efeito dos swaps, o resultado foi de R$ 106,4 milhões, com crescimento anual de 3,7%.
A despesa com swaps tirou dinheiro do caixa?
Não houve desembolso de caixa com esse lançamento contábil no trimestre, segundo a Tenda. Os contratos têm liquidação prevista para abril e setembro de 2027.
Por que os cancelamentos de vendas aumentaram?
A companhia atribuiu o aumento à greve da Caixa, à restrição temporária no comprometimento de renda dos compradores e ao maior rigor na análise de crédito. Na marca Tenda, os distratos atingiram R$ 292,8 milhões, crescimento de 55,0% frente ao segundo trimestre.
O que é o TCD que aparece no resultado?
É o saldo do imóvel pago pelo comprador diretamente à construtora após a entrega das chaves. A redução dessa parcela significa menos crédito concedido pela empresa e diminui a receita reconhecida no momento da venda.
Quanto a Tenda projeta lucrar em 2026?
A projeção é de lucro consolidado entre R$ 600 milhões e R$ 660 milhões, sem considerar o resultado dos swaps. Nos nove primeiros meses de 2026, o lucro nessa base somou R$ 419,9 milhões.
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