Um imóvel de R$ 500 mil aluga por cerca de R$ 2.500 por mês. Os mesmos R$ 500 mil aplicados a 100% do CDI rendem R$ 4.925 mensais líquidos. Com juros nesse patamar, alugar e investir a diferença vence a conta — e essa resposta muda completamente quando os juros caem.
Com a Selic em 14,00% e o CDI em 13,90%, R$ 500 mil aplicados rendem cerca de R$ 4.925 líquidos por mês, quase o dobro do aluguel de R$ 2.500 de um imóvel do mesmo valor. Financiar R$ 400 mil em 360 meses a 11% ao ano gera parcela de R$ 3.653 e total pago de R$ 1,3 milhão. A conta favorece alugar no cenário atual, mas depende de juros, valorização do imóvel e horizonte.
Principais pontos
- Um imóvel de R$ 500 mil costuma render aluguel de 0,4% a 0,5% ao mês, cerca de R$ 2.500.
- Os mesmos R$ 500 mil em renda fixa a 100% do CDI rendem aproximadamente R$ 4.925 líquidos por mês.
- Financiar R$ 400 mil em 360 meses a 11% ao ano resulta em parcela de R$ 3.653 e total de R$ 1,3 milhão.
- Comprar envolve ITBI, escritura e registro, somando de 4% a 5% do valor antes da mudança.
- A resposta se inverte quando os juros caem e a valorização do imóvel supera a renda fixa.
A conta que quase ninguém faz
A pergunta costuma ser formulada como “pagar aluguel é jogar dinheiro fora?”. A formulação correta é outra: qual é o custo de oportunidade de ter R$ 500 mil parados dentro de um imóvel?
Com o CDI em 13,90% ao ano, esse capital aplicado em um CDB de 100% do CDI rende cerca de 11,82% líquidos ao ano, considerando a alíquota de 15% do imposto de renda para prazos acima de dois anos. Sobre R$ 500 mil, são R$ 4.925 por mês. O aluguel de um imóvel equivalente custa cerca de R$ 2.500.
Ou seja: quem vende o imóvel, aplica o dinheiro e aluga um igual paga o aluguel com o rendimento e ainda sobram R$ 2.425 por mês. É um número que costuma surpreender quem trata a compra como decisão automática.
| Cenário (imóvel de R$ 500 mil) | Valor mensal |
|---|---|
| Aluguel pago (0,5%) | R$ 2.500 |
| Rendimento de R$ 500 mil a 100% do CDI | R$ 4.925 |
| Diferença a favor de alugar | R$ 2.425 |
E se for financiado
A maioria não tem R$ 500 mil à vista, e aí a comparação muda de forma. Financiar R$ 400 mil — com R$ 100 mil de entrada — em 360 meses a 11% ao ano gera parcela de R$ 3.653 pela tabela Price, e total pago de aproximadamente R$ 1,3 milhão ao longo de 30 anos.
Comparada ao aluguel de R$ 2.500, a parcela é R$ 1.153 mais cara por mês. A diferença é que a parcela constrói patrimônio e o aluguel não — mas boa parte dela, especialmente nos primeiros anos, é juro, não amortização. Na tabela Price, os juros se concentram no começo do contrato.
Os custos que ficam de fora da comparação simples
Comprar envolve despesas que não aparecem no preço anunciado. ITBI fica entre 2% e 3% do valor, e escritura e registro somam outro 1% a 1,5% — de R$ 20 mil a R$ 25 mil em um imóvel de R$ 500 mil, pagos antes de qualquer mudança.
Depois vêm os custos recorrentes do proprietário: IPTU, condomínio, manutenção estrutural e reforma. O inquilino paga condomínio e, com frequência, o IPTU, mas não arca com telhado, fachada, infiltração nem troca de instalação elétrica — despesas que recaem sobre o dono.
Do lado do aluguel, o custo esquecido é o reajuste anual, que corrói o poder de compra ao longo dos anos, e a insegurança de ter de mudar quando o proprietário decide vender.
O que faria a conta virar
Três variáveis invertem o resultado, e é honesto listá-las.
A primeira é a queda dos juros. O cenário atual, com Selic a 14,00%, é historicamente atípico — o boletim Focus projeta 12,00% para 2027. Com a taxa a 8%, os R$ 500 mil renderiam cerca de R$ 2.800 líquidos mensais, e a vantagem de alugar praticamente desaparece.
A segunda é a valorização do imóvel. A comparação acima considera apenas a renda; se o imóvel valorizar acima da inflação, o retorno total muda. Historicamente, imóveis tendem a acompanhar a inflação no longo prazo, com períodos de descolamento para os dois lados.
A terceira é a disciplina, e talvez seja a mais decisiva. A estratégia de alugar e investir só funciona se a diferença for efetivamente investida, todo mês, por décadas. O financiamento é uma poupança forçada com cobrança automática — ineficiente do ponto de vista financeiro, eficaz do ponto de vista comportamental.
Quando comprar faz mais sentido
Há situações em que a resposta é clara. Quem tem horizonte longo na mesma cidade — cinco anos ou mais no mesmo imóvel — dilui os custos de transação, que são o principal peso da compra.
Quem tem família e precisa de estabilidade, sem depender da decisão de um proprietário, compra tranquilidade junto com o imóvel. E quem não conseguiria investir a diferença com constância provavelmente termina com mais patrimônio comprando, mesmo pagando mais juros.
Quando alugar faz mais sentido
Alugar vence quando há mobilidade — carreira que pode exigir mudança de cidade, fase de transição, incerteza sobre bairro ou tamanho da família. Custos de transação de 4% a 5% na entrada e 6% de corretagem na saída destroem o retorno de quem compra e vende em poucos anos.
Também vence, aritmeticamente, no cenário de juros altos de agora, para quem tem o capital e a disciplina de investir. E vence para quem precisaria comprometer parcela grande demais da renda: financiamento acima de 30% do orçamento transforma qualquer imprevisto em crise. Vale ver quanto custa financiar um imóvel, SAC ou Price e FII ou imóvel para alugar.
Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento ou de compra de imóvel. Simulações com CDI de 13,90%, taxa de financiamento de 11% ao ano e aluguel de 0,5% do valor do imóvel, todos referências de mercado que variam por região, perfil de crédito e momento.
Perguntas frequentes
Vale mais a pena alugar ou comprar em 2026?
No cenário de juros altos atual, alugar e investir tende a vencer aritmeticamente: R$ 500 mil rendem cerca de R$ 4.925 líquidos por mês, contra aluguel de R$ 2.500 de um imóvel equivalente. A conta muda se os juros caírem.
Pagar aluguel é jogar dinheiro fora?
Não necessariamente. O aluguel é o custo de morar; a compra tem o custo de imobilizar capital que renderia em outro lugar, além de ITBI, registro, IPTU e manutenção estrutural.
Quanto custa financiar um imóvel de R$ 500 mil?
Com entrada de R$ 100 mil e financiamento de R$ 400 mil em 360 meses a 11% ao ano, a parcela fica em R$ 3.653 e o total pago chega a cerca de R$ 1,3 milhão.
Quais custos extras existem na compra?
ITBI de 2% a 3% e escritura e registro de 1% a 1,5%, somando de R$ 20 mil a R$ 25 mil em um imóvel de R$ 500 mil, além de IPTU, condomínio e manutenção estrutural depois.
Quando comprar é melhor que alugar?
Quando há horizonte de cinco anos ou mais no mesmo imóvel, necessidade de estabilidade familiar, ou quando a pessoa não teria disciplina para investir a diferença todo mês.



