A Ambev (ABEV3) registrou lucro líquido ajustado de R$ 4.393,6 milhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 14,3% sobre o mesmo período de 2025. O indicador retira efeitos classificados pela companhia como não usuais. A empresa também informou a aprovação de um programa de recompra de até 190 milhões de ações ordinárias, aquelas com direito a voto, para execução nos próximos 18 meses.
Última cotação de ABEV3 na B3: R$ 14,65 (-3,75% no dia) em 29/10/2026 (fonte: Brapi).
Resumo rápido
A receita líquida da Ambev alcançou R$ 21.594,6 milhões, com avanço de 3,6% nos números reportados e de 7,6% na comparação orgânica, que separa efeitos como câmbio e mudanças nas operações consolidadas. O EBITDA ajustado, medida de resultado antes de juros, impostos, depreciação, amortização e outros ajustes, somou R$ 7.270,9 milhões. O lucro líquido contábil, por sua vez, caiu 10,2%, para R$ 4.366,3 milhões.
Principais pontos
- O volume consolidado cresceu 0,8% organicamente, mas recuou 0,1% na comparação reportada.
- A receita líquida por hectolitro, indicador de receita por volume vendido, aumentou 6,8% organicamente.
- O EBITDA ajustado avançou 8,9% em bases orgânicas e 3,0% nos valores reportados.
- O lucro por ação ajustado chegou a R$ 0,28, crescimento anual de 15,4%.
- O caixa gerado pelas atividades operacionais totalizou R$ 7.677,9 milhões, alta de 11,0%.
- O conselho aprovou o programa de recompra em 28 de outubro de 2026.
Por que o lucro ajustado subiu e o contábil caiu
Segundo a Ambev, o aumento do lucro ajustado veio principalmente do crescimento do EBITDA e da redução das despesas financeiras líquidas. A despesa maior com imposto de renda compensou parte desses efeitos.
O resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 312,4 milhões, ante uma despesa de R$ 1.086,0 milhões no terceiro trimestre de 2025. Entre seus componentes, houve ganhos cambiais sem entrada imediata de caixa sobre saldos em moeda forte. Já a despesa com imposto de renda e contribuição social passou de R$ 350,2 milhões para R$ 882,1 milhões.
A diferença entre as trajetórias dos lucros também passa pela base de comparação. Os itens não usuais antes do EBITDA tiveram saldo positivo de R$ 845,5 milhões no terceiro trimestre de 2025. No mesmo período de 2026, o saldo foi negativo em R$ 43,0 milhões.
Assim, o lucro contábil foi comparado com um período que incluía ganhos não usuais. O ajustado apresenta outra leitura ao retirar esses efeitos. As medidas ajustadas seguem critérios da administração e, como ressalta a companhia, não substituem o lucro contábil nem o fluxo de caixa.
Receita cresce mais que volume, mas as bases contam histórias diferentes
O avanço orgânico de 7,6% da receita combinou crescimento de 0,8% no volume e de 6,8% na receita por hectolitro. Esse último indicador reúne efeitos de preços e da combinação de produtos vendidos, chamada de mix. Não representa, portanto, apenas um reajuste aplicado às bebidas.
Nos valores reportados, a receita cresceu 3,6% e o volume caiu 0,1%. A análise orgânica separa efeitos cambiais e mudanças no conjunto de operações incluídas no balanço, além de ajustes específicos da Argentina. São formas diferentes de apresentar o mesmo negócio, com bases de cálculo distintas.
A margem EBITDA ajustada, parcela da receita correspondente a esse resultado, ficou em 33,7%. Na comparação orgânica, aumentou 40 pontos-base, unidade usada para expressar mudanças entre percentuais. Nos números reportados, caiu 20 pontos-base frente aos 33,9% de um ano antes.
Na Argentina, a metodologia orgânica de 2026 limita o crescimento de preços considerado no cálculo a 2% ao mês. O documento também separa efeitos da contabilidade de hiperinflação, que atualiza valores para refletir mudanças no poder de compra da moeda local.
As variações trimestrais citadas comparam o terceiro trimestre com o mesmo período do ano anterior. Esse recorte reduz diferenças sazonais, como explica o texto da Arena sobre comparações de resultados entre trimestres.
Brasil vende mais, com custos e despesas pressionando margens
Em Cerveja Brasil, o volume aumentou 0,5% e a receita líquida cresceu 4,8%. O EBITDA ajustado avançou 1,0% organicamente, enquanto sua margem recuou 130 pontos-base na mesma comparação.
Segundo a companhia, matérias-primas e a composição do portfólio pressionaram o custo por hectolitro. Excluindo depreciação, amortização e produtos de terceiros vendidos na plataforma digital, esse custo aumentou 5,4%. As despesas com vendas, gerais e administrativas, sem depreciação e amortização, cresceram 9,2%, principalmente por investimentos comerciais e gastos de distribuição.
Em NAB Brasil, divisão de bebidas não alcoólicas, o volume subiu 3,6%, a receita aumentou 6,3% e o EBITDA ajustado cresceu 2,6% organicamente. A margem desse resultado caiu 100 pontos-base na mesma base. A companhia atribuiu o crescimento da receita à gestão comercial e à combinação de marcas vendidas.
No portfólio consolidado da Ambev, as marcas premium, segmento de maior valor, cresceram em volume na casa dos 10% médios. As cervejas sem álcool avançaram na casa dos 30% baixos. Já o segmento mainstream, que reúne as faixas tradicionais do portfólio, recuou um dígito baixo. Esses números abrangem o conjunto das operações, não apenas o Brasil.
Operações internacionais crescem organicamente mesmo com quedas de volume
Na América Central e Caribe, o volume cresceu 2,3%, a receita avançou 8,1% e o EBITDA ajustado aumentou 11,4%, todos em bases orgânicas. A margem EBITDA ajustada expandiu 140 pontos-base nessa comparação.
Na América Latina Sul, o volume caiu 1,4%, mas a receita cresceu 21,4% e o EBITDA ajustado subiu 41,5% organicamente. Segundo a Ambev, a gestão de receitas, custos e despesas sustentou o resultado. Na comparação reportada, o EBITDA ajustado cresceu 9,0%, mostrando o peso das diferenças metodológicas e cambiais.
No Canadá, o volume recuou 1,0%. A receita aumentou 1,2% e o EBITDA ajustado avançou 3,2% organicamente. A companhia atribuiu o desempenho da receita à gestão comercial e à maior presença de produtos premium na combinação de vendas.
Nas plataformas digitais, o GMV do BEES Marketplace, valor total das mercadorias transacionadas, cresceu aproximadamente 57%. No Zé Delivery, avançou cerca de 16%, com alta de 12% no número de compradores mensais. GMV mede transações e não equivale à receita líquida da Ambev.
Caixa operacional aumenta e conselho autoriza recompra
A geração de caixa operacional cresceu 11,0%, para R$ 7.677,9 milhões. Segundo a Ambev, o desempenho refletiu o avanço do EBITDA ajustado e a melhora do capital de giro, os recursos ligados à rotina de estoques, recebimentos e pagamentos.
Esse indicador mostra o caixa gerado pelas operações, enquanto o lucro também incorpora registros sem entrada ou saída imediata de dinheiro. Em 30 de setembro de 2026, o caixa líquido somava R$ 19.199,4 milhões: caixa e aplicações superavam a dívida considerada no demonstrativo.
O programa aprovado pelo conselho permite à companhia comprar suas próprias ações, até o limite de 190 milhões de papéis. O prazo de execução é de 18 meses. A autorização não significa que essa quantidade já tenha sido adquirida.
O que muda para o acionista
O balanço reúne crescimento orgânico de receita e EBITDA em todas as unidades, mas não uma expansão uniforme das margens. Em Cerveja Brasil, custos e despesas limitaram o crescimento do resultado. Nas operações internacionais, receita e EBITDA cresceram organicamente mesmo onde o volume caiu.
O lucro por ação ajustado de R$ 0,28 mede desempenho, não um pagamento ao acionista. A recompra também não é uma distribuição automática de dinheiro a todos os investidores: são aquisições de ações pela própria empresa.
Para 2026, a Ambev manteve a previsão de aumento entre 4,5% e 7,5% no custo por hectolitro de Cerveja Brasil, excluindo depreciação, amortização e produtos de terceiros vendidos na plataforma. Essa é a projeção operacional reiterada no release, enquanto a recompra tem o prazo de execução aprovado pelo conselho.
Perguntas frequentes
Quanto a Ambev lucrou no terceiro trimestre de 2026?
A Ambev teve lucro líquido ajustado de R$ 4.393,6 milhões, aumento de 14,3% em relação ao terceiro trimestre de 2025. Pelo critério contábil, o lucro foi de R$ 4.366,3 milhões, queda de 10,2%.
Por que o lucro ajustado aumentou e o contábil diminuiu?
Os dois indicadores tratam de forma diferente os efeitos classificados pela companhia como não usuais. O período de comparação de 2025 incluía um saldo positivo desses itens antes do EBITDA, enquanto em 2026 houve saldo negativo.
Quantas ações a Ambev pode recomprar?
O programa autoriza a compra de até 190 milhões de ações ordinárias nos próximos 18 meses. O conselho aprovou essa autorização em 28 de outubro de 2026, e o limite não representa uma quantidade já comprada.
Os R$ 0,28 por ação serão pagos aos acionistas?
Não se trata de um pagamento anunciado, mas do lucro por ação ajustado do trimestre. Esse indicador apresenta o resultado ajustado em uma base por ação.
A Ambev vendeu mais bebidas no trimestre?
Sim, na comparação orgânica, o volume total aumentou 0,8%, com crescimento nas operações brasileiras e na América Central e Caribe. Na comparação reportada, que usa uma base diferente, o volume consolidado caiu 0,1%.
Ativos citados nesta matéria
Cotações ao vivo, com atraso. Clique para ver a ficha completa. Não é recomendação de investimento.



