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Equatorial cresce 9,7% em energia injetada e 14,3% na geração líquida no 3T26

Equatorial registra avanço na distribuição e na geração no 3T26. Entenda os ajustes de comparação, as perdas e os dados de saneamento.

Equatorial cresce 9,7% em energia injetada e 14,3% na geração líquida no 3T26

A Equatorial (EQTL3) registrou crescimento de 9,7% na energia injetada bruta nas redes de distribuição no terceiro trimestre de 2026, em relação ao mesmo período de 2025. A geração líquida de energia renovável aumentou 14,3%. Os números integram a prévia operacional não auditada da companhia, que também traz indicadores de saneamento.

Última cotação de EQTL3 na B3: R$ 32,90 (-3,41% no dia) em 29/10/2026 (fonte: Brapi).

Resumo rápido

O Mercado Fio B, medida do volume associado à remuneração pelo uso da rede de distribuição, cresceu 4,9% em base comparável e 2,1% nos valores reportados. A diferença decorre de mudanças na contabilização do faturamento em Maranhão, Pará e Alagoas. Nas renováveis, a redução dos cortes de geração permitiu entregar mais energia, enquanto, no saneamento, caiu o volume faturado de água e aumentou o de esgoto.

Principais pontos

  • A energia injetada bruta nas distribuidoras somou 20.516 GWh, ou gigawatts-hora, unidade que mede o volume de energia.
  • O Mercado Fio B reportado chegou a 14.356 GWh, com alta anual de 2,1%.
  • A base de consumidores de distribuição atingiu 15,075 milhões, crescimento de 2,8%.
  • As perdas de energia acumuladas em 12 meses ficaram em 18,1%, abaixo da referência regulatória de 18,9%.
  • A geração líquida renovável alcançou 1.507,9 GWh, com redução de 34,8% nos cortes de geração.
  • O volume faturado de água caiu 7,7%, enquanto o de esgoto cresceu 7,1%.

Goiás lidera a expansão da energia que entrou na rede

A energia injetada bruta representa o volume que entra no sistema de distribuição. Ela não equivale, portanto, ao volume faturado aos consumidores. Segundo a Equatorial, o avanço consolidado foi impulsionado pelas classes residencial, comercial, rural e poder público, além da micro e minigeração distribuída, produção de energia próxima ao consumo, como a de instalações solares.

A companhia também atribuiu parte do aumento do consumo a condições climáticas mais intensas associadas ao El Niño. Essa é a explicação apresentada pela empresa para o comportamento do trimestre.

Goiás registrou o maior crescimento da energia injetada bruta entre as concessões: 15,6%. Segundo o documento, contribuíram a expansão da geração distribuída e o maior fluxo passante, energia que atravessa a rede. Alagoas veio em seguida, com alta de 13,5%, apoiada pelo consumo residencial, pelas temperaturas elevadas e pela ampliação da base de consumidores.

No Mercado Fio B comparável, os maiores avanços foram os de Amapá, com 11,4%, e Alagoas, com 11%. No Rio Grande do Sul, o indicador caiu 1,8%. A Equatorial relacionou o desempenho gaúcho a temperaturas mais baixas, maior volume de chuvas e aumento das perdas.

Por que o Mercado Fio B tem duas taxas de crescimento

Os 4,9% e os 2,1% medem o crescimento sob critérios diferentes. O primeiro percentual retira os efeitos das mudanças de contabilização do faturamento dos clientes livres, que escolhem seu fornecedor de energia, mas continuam usando a rede da distribuidora. O segundo mantém os valores efetivamente reportados.

No Maranhão e no Pará, o consumo desses clientes passou a ser reconhecido no mês seguinte ao da medição. Segundo a companhia, isso postergou em aproximadamente um mês o reconhecimento da receita dentro do trimestre. Não se trata, por si só, de uma queda equivalente no consumo físico.

No Pará, a diferença aparece de forma direta: o Mercado Fio B cresceu 7,1% na base ajustada, mas caiu 2,2% no dado reportado. No Maranhão, houve alta de 4,7% com ajuste e recuo de 0,2% sem ele. Em Alagoas, as taxas foram de 11% e 9,9%, respectivamente.

A mudança em Alagoas começou no segundo trimestre de 2026 e fez os meses faturados corresponderem a períodos de consumo diferentes dos usados na comparação anterior. Nesse caso, a comparação entre trimestres exige observar a base de cálculo: usar o mesmo trimestre do ano anterior não elimina diferenças de critério contábil.

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Perdas sobem, mas seguem abaixo da referência regulatória

As perdas de distribuição, energia que entra na rede e não se transforma em consumo faturado, alcançaram 18,1% no acumulado de 12 meses. O índice subiu 0,1 ponto percentual em relação ao terceiro trimestre de 2025 e 0,2 ponto percentual frente ao segundo trimestre de 2026.

Apesar do aumento, o consolidado ficou 0,8 ponto percentual abaixo do nível regulatório. Essa referência corresponde ao patamar de perdas considerado na regulação tarifária. Segundo a Equatorial, permanecer abaixo dela contribui positivamente para a rentabilidade da distribuição.

Cinco distribuidoras estavam abaixo dos respectivos limites: Maranhão, Piauí, Alagoas, Amapá e Goiás. As maiores reduções anuais ocorreram no Amapá, com queda de 2,5 pontos percentuais, e em Maranhão e Alagoas, ambos com recuo de 0,5 ponto percentual.

O quadro não foi uniforme. No Pará, as perdas atingiram 29,8%, com aumento anual de 0,3 ponto percentual. Na operação gaúcha, chegaram a 13,7%, alta de 1 ponto percentual.

Menos cortes explicam a alta na geração renovável

A geração líquida renovável avançou mesmo com o potencial de geração praticamente estável, em 1.862 GWh. A principal diferença esteve no constrained-off, nome usado para os cortes que impedem o aproveitamento de parte da energia que os parques poderiam produzir.

Esses cortes somaram 354,1 GWh, redução de 34,8% sobre o terceiro trimestre de 2025. Sua participação no potencial de geração passou de 29,2% para 19%. Assim, uma parcela maior da energia potencial pôde ser efetivamente gerada.

Nos parques eólicos, a geração líquida aumentou 13,7%, para 1.276 GWh. Nos solares, cresceu 18,2%, para 231,9 GWh. Segundo a companhia, os recursos naturais permaneceram relativamente estáveis, e a melhora das condições de escoamento da energia explicou o avanço consolidado.

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Água faturada recua e perdas aumentam no saneamento

A operação de saneamento encerrou o trimestre com aproximadamente 92,3 mil economias faturadas de água — unidades atendidas e cobradas pelo serviço. Desse total, 19,6 mil também recebiam coleta e tratamento de esgoto.

O volume faturado de água ficou em 5.031,5 mil metros cúbicos. Segundo a Equatorial, a queda de 7,7% refletiu tanto a redução das economias faturadas, ligada a ações de cobrança, quanto o avanço da hidrometração, a instalação de medidores de consumo.

Com a medição, clientes antes cobrados por estimativa passaram a pagar pelo volume efetivamente registrado. Por isso, a redução do volume faturado não deve ser lida apenas como mudança no uso de água: a forma de medir também influenciou o indicador.

No esgoto, o volume faturado alcançou 1.137 mil metros cúbicos. A cobertura chegou a 71,7% no abastecimento de água e a 15,5% na coleta e tratamento de esgoto. Já as perdas de água atingiram 67,8%, aumento anual de 4,9 pontos percentuais.

Por que isso importa

Para o acionista, a prévia mostra o movimento das operações, mas não apresenta lucro, receita ou geração de caixa do trimestre. O crescimento dos volumes ajuda a entender a atividade da empresa; não permite, sozinho, concluir quanto ela ganhou.

A distribuição reúne expansão do uso da rede e diferenças contábeis que ainda afetam a leitura anual. Segundo a Equatorial, esses efeitos permanecerão até o segundo trimestre de 2027 no Maranhão e no Pará e até o primeiro trimestre de 2027 em Alagoas. Nas renováveis, o avanço veio principalmente do menor desperdício de potencial por cortes. No saneamento, a expansão do esgoto coexistiu com queda da água faturada e aumento das perdas.

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Perguntas frequentes

A energia da Equatorial cresceu 9,7% ou 4,9%?

Os percentuais representam indicadores diferentes: a energia injetada bruta cresceu 9,7%, enquanto o Mercado Fio B avançou 4,9% em base comparável. Nos valores reportados, sem retirar os efeitos das mudanças de contabilização, o Mercado Fio B aumentou 2,1%.

Por que a geração aumentou se o potencial ficou estável?

Porque houve menos cortes que impediam o aproveitamento da energia potencial dos parques. Esses cortes recuaram 34,8%, permitindo que a geração líquida crescesse 14,3%.

Até quando as mudanças de contabilização afetam a comparação?

Os efeitos na comparação anual permanecem até o segundo trimestre de 2027 no Maranhão e no Pará. Em Alagoas, seguem até o primeiro trimestre de 2027, segundo a companhia.

Esse comunicado já mostra o lucro do trimestre?

Não, o comunicado apresenta indicadores operacionais prévios e não auditados de distribuição, geração e saneamento. Ele não informa o lucro do terceiro trimestre de 2026.

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RD

Redação Arena do Dinheiro

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