A Vamos (VAMO3) registrou lucro líquido de R$ 150,9 milhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 199,1% sobre o mesmo período de 2025. O resultado combinou crescimento da receita de locação e redução da despesa financeira líquida, apesar da queda nas vendas de seminovos. Na comparação com o segundo trimestre, o lucro aumentou 49,3%.
Última cotação de VAMO3 na B3: R$ 2,46 (-4,65% no dia) em 29/10/2026 (fonte: Brapi).
Resumo rápido
A receita líquida da Vamos chegou a R$ 1.594,2 milhões no 3T26, avanço anual de 4,3%. O EBITDA, resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, alcançou R$ 1.035,5 milhões e superou pela primeira vez a marca de R$ 1 bilhão. A alavancagem, relação entre dívida líquida e resultado operacional usado no cálculo contratual, caiu para 2,93 vezes, embora a dívida líquida tenha aumentado frente a junho.
Principais pontos
- O lucro líquido passou de R$ 50,4 milhões no 3T25 para R$ 150,9 milhões no 3T26.
- A receita líquida de serviços de locação cresceu 11,4% em um ano, para R$ 1.157,4 milhões.
- A receita com venda de seminovos caiu 23,8%, para R$ 301 milhões.
- O EBITDA consolidado aumentou 15,7% sobre o 3T25, chegando a R$ 1.035,5 milhões.
- A dívida líquida encerrou setembro em R$ 11.723,1 milhões, alta de 1,4% sobre junho e queda anual de 2%.
- As extensões de contratos somaram R$ 970,1 milhões nos nove primeiros meses, acima do limite superior da projeção anual da companhia.
Lucro cresceu com a operação e a menor despesa financeira
O avanço do lucro foi maior que o da receita porque houve mudanças também nas linhas seguintes do resultado. O EBITDA cresceu, enquanto a despesa financeira líquida caiu para R$ 479,8 milhões, ante R$ 562,1 milhões um ano antes e R$ 547,4 milhões no segundo trimestre.
A Vamos atribuiu a redução dessa despesa a mudanças nas taxas de seus financiamentos e ao aumento de capital ocorrido no segundo trimestre. A despesa financeira líquida reúne os gastos financeiros depois de descontadas as receitas financeiras; por isso, sua queda deixa uma parcela maior do resultado operacional chegar ao lucro.
Em sentido contrário, a depreciação e a amortização, despesas contábeis que reconhecem o consumo dos ativos ao longo do tempo, aumentaram 26%, para R$ 344,2 milhões. Depois desses gastos, o resultado operacional antes de juros e impostos foi de R$ 691,3 milhões, alta anual de 11,2%.
O lucro do trimestre é igual ao ajustado, indicador que retira efeitos classificados pela empresa como não recorrentes. Nos nove primeiros meses, o lucro contábil somou R$ 338,6 milhões, crescimento de 34,9%. Na comparação ajustada do acumulado, a alta foi de 40,4%, pois a base de 2025 contém um ajuste ligado à reversão de provisão de aquisição de empresas.
Locação avançou sem aumento da frota em unidades na comparação anual
Os serviços de locação responderam por 72,6% da receita líquida consolidada, contra 67,9% no 3T25. Segundo a companhia, essa receita foi beneficiada pelo recorde de frota alugada, reajustes de contratos e menor incidência de cancelamento de faturamento de clientes inadimplentes.
A frota de locação terminou o trimestre com 51.751 ativos, queda anual de 0,6%. Isso não impediu o crescimento da receita: a composição da frota mudou, assim como os preços médios dos ativos. O valor bruto da frota de locação, antes da depreciação, cresceu 4,1%, abaixo da expansão de 11,4% da receita dos serviços.
Parte dessa diferença está ligada ao reaproveitamento dos bens. A extensão mantém o ativo com o cliente por mais tempo; o Sempre Novo permite alugar ativos usados. Essas modalidades ajudam a gerar receita com equipamentos que a Vamos já possui, sem exigir uma compra nova para cada contrato.
As extensões chegaram a R$ 970,1 milhões no acumulado do ano, acima dos R$ 900 milhões que formavam o teto do guidance, a projeção da administração para 2026. Já as retomadas e devoluções antecipadas somaram cerca de R$ 111 milhões no trimestre, queda de 56% em um ano.
O capex contratado, valor dos investimentos associados a novos contratos de locação, foi de R$ 1.179,9 milhões, alta anual de 42,1%. O capex implantado, referente aos ativos colocados em operação, atingiu R$ 965 milhões. A diferença entre contratar e implantar passa pela entrega das montadoras e pela preparação dos bens para uso.
Seminovos tiveram receita menor; indústria ganhou participação
A queda na receita de seminovos teve mais de uma causa. Segundo a Vamos, os recordes de contratação do Sempre Novo consumiram parte do estoque usado. Ao mesmo tempo, as extensões e a redução das retomadas diminuíram a entrada de ativos disponíveis para venda.
A empresa também relatou maior restrição dos bancos ao financiamento de usados, com piora recente na aprovação das propostas. Além disso, os bens vendidos tinham idade média maior e havia mais equipamentos de menor valor unitário, o que reduziu o valor médio por venda.
A Vamos fez ainda descontos pontuais em ativos com avarias. Segundo a companhia, a decisão considerou que vendê-los mais rapidamente teria resultado superior ao de realizar manutenção adicional e prolongar a permanência no pátio. A margem bruta de seminovos, parcela da receita restante após os custos de venda, ficou em 0%, em linha com a projeção da empresa.
Na indústria, a receita líquida cresceu 28,3%, para R$ 130,5 milhões, e o EBITDA atingiu R$ 16 milhões. A companhia atribuiu o desempenho à maior venda de unidades móveis e à demanda por customização. A composição dos produtos e a diluição de custos com o maior volume ajudaram a ampliar a margem.
Alavancagem caiu, mas a dívida líquida subiu frente a junho
A alavancagem passou de 3,27 vezes no 3T25 e 3,00 vezes em junho para 2,93 vezes em setembro. O indicador ficou abaixo da projeção de 3,0 vezes que a Vamos havia estabelecido para dezembro de 2026.
Essa queda não significa que a dívida líquida diminuiu em todas as comparações. O saldo de R$ 11.723,1 milhões ficou 2% abaixo de setembro de 2025, mas 1,4% acima de junho. A dívida bruta caiu no trimestre, enquanto o caixa e as aplicações financeiras também recuaram, para R$ 3.826,4 milhões.
A relação de alavancagem caiu porque o resultado usado como denominador cresceu. Para os covenants, cláusulas financeiras dos contratos de dívida, a Vamos utiliza um EBITDA com ajustes específicos, que chegou a R$ 4.006,5 milhões nos últimos doze meses. Esse cálculo exclui efeitos de perdas em ativos e itens não recorrentes definidos pela companhia.
O que muda para o acionista
O resultado mostra uma participação maior dos aluguéis na receita e uma contribuição menor da venda de seminovos no trimestre. Também separa dois movimentos que podem parecer iguais: a dívida líquida aumentou desde junho, mas seu peso em relação ao resultado operacional diminuiu.
Para os próximos meses, a companhia informou que há ativos novos em preparação e que espera aumento desse estoque até o fim de 2026. A carteira de receitas futuras da frota alugada soma R$ 12.880 milhões, distribuídos pelos prazos dos contratos; esse montante não é lucro nem caixa já recebido.
A teleconferência de resultados está marcada para 30 de outubro de 2026, às 11h, no horário de São Paulo. Será a próxima apresentação da administração sobre os números do trimestre e o andamento da operação.
Perguntas frequentes
Quanto a Vamos lucrou no terceiro trimestre?
A Vamos teve lucro líquido de R$ 150,9 milhões no 3T26. O valor cresceu 199,1% em relação ao terceiro trimestre de 2025 e 49,3% frente ao segundo trimestre de 2026.
Por que a receita de seminovos caiu?
A Vamos apontou menor disponibilidade de usados para venda, restrições ao financiamento e redução do valor médio dos bens vendidos. A receita dessa atividade ficou em R$ 301 milhões, queda anual de 23,8%.
A dívida da Vamos diminuiu?
A dívida líquida diminuiu em relação a setembro de 2025, mas aumentou frente a junho de 2026. Ela encerrou o trimestre em R$ 11.723,1 milhões, enquanto a alavancagem caiu para 2,93 vezes.
O que são as extensões de contratos?
São prolongamentos dos contratos de locação, que permitem manter o ativo alugado por mais tempo. Na Vamos, elas somaram R$ 970,1 milhões nos nove primeiros meses de 2026 e ultrapassaram o teto da projeção anual da empresa.
Quando será a apresentação dos resultados?
A teleconferência está marcada para 30 de outubro de 2026, às 11h, no horário de São Paulo. O evento trata dos resultados do terceiro trimestre.
Ativos citados nesta matéria
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