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Madero lucra R$ 30,8 milhões no 3T26, alta de 33,3%, e amplia receita

Madero aumenta lucro e receita no terceiro trimestre. Entenda o avanço das vendas, a dívida e a diferença entre resultado ajustado e contábil.

Madero lucra R$ 30,8 milhões no 3T26, alta de 33,3%, e amplia receita

O Grupo Madero registrou lucro líquido de R$ 30,8 milhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 33,3% sobre o mesmo período de 2025. A receita líquida cresceu 10,4%, para R$ 539,9 milhões. A rede encerrou setembro com 375 restaurantes, enquanto as vendas nas unidades comparáveis avançaram 4,2%.

Resumo rápido

O Madero aumentou vendas e lucro no trimestre, com margem operacional ajustada estável e expansão da rede. Os formatos híbridos e os canais digitais participaram desse movimento, segundo a companhia. No acumulado do ano, porém, o lucro contábil caiu, e o caixa gerado pelas atividades operacionais também ficou abaixo do registrado no ano anterior.

Principais pontos

  • O lucro líquido trimestral passou de R$ 23,1 milhões para R$ 30,8 milhões.
  • A receita líquida somou R$ 539,9 milhões, crescimento de 10,4%.
  • O EBITDA ajustado, indicador de resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, com ajustes definidos pela empresa, atingiu R$ 153,3 milhões.
  • As vendas nos mesmos restaurantes cresceram 4,2%, contra queda de 0,3% um ano antes.
  • A rede terminou setembro com 375 restaurantes distribuídos em 294 operações multimarcas.
  • A dívida financeira líquida ficou em R$ 745,7 milhões, alta anual de 0,6%.

Lucro cresce mais que a receita, mas o acumulado exige outra leitura

A margem líquida, parcela da receita que sobra como lucro após custos, despesas e impostos, subiu de 4,7% para 5,7%. O resultado operacional também avançou: passou de R$ 79,2 milhões para R$ 106,2 milhões na demonstração de resultados, crescimento de 34,1%.

As despesas com restaurantes e vendas aumentaram 6%, abaixo da expansão da receita. Já o resultado financeiro continuou negativo, em R$ 68,7 milhões, mas representou uma despesa líquida menor que os R$ 74,4 milhões do terceiro trimestre de 2025. Esses movimentos ajudaram a ampliar o resultado antes dos impostos.

O EBITDA ajustado cresceu 10,3%, para R$ 153,3 milhões. Sua margem permaneceu em 28,4%: o indicador aumentou praticamente no mesmo ritmo das vendas líquidas. Essa medida ajuda a observar a operação, mas não equivale ao dinheiro disponível em caixa, pois deixa de fora juros e outros desembolsos.

No acumulado de janeiro a setembro, as bases de comparação mudam a leitura. O lucro contábil foi de R$ 75,9 milhões, queda de 14,5% sobre R$ 88,8 milhões. Já na comparação apresentada pela empresa sem os efeitos do PERSE, programa de benefícios fiscais que afetou a base anterior, houve alta de 41,9%, sobre R$ 53,5 milhões.

São recortes diferentes do mesmo resultado, não números intercambiáveis. A distinção entre períodos e bases também está por trás da comparação de resultados trimestrais: aqui, o avanço do trimestre não elimina a queda contábil acumulada.

Vendas crescem nas unidades comparáveis e nos formatos híbridos

As vendas nos mesmos restaurantes, identificadas pela sigla SSS, medem o desempenho das unidades com pelo menos 12 meses. O crescimento de 4,2% mostra expansão nessa base já existente, sem confundir o indicador com o aumento da rede por novas aberturas.

O desempenho não foi uniforme. O Madero Burger teve alta de 6,5% nas vendas comparáveis; o Madero Steak House, de 4,1%; e o formato híbrido Madero & Jeronimo, de 4,7%. O Jeronimo registrou queda de 4,3%. Segundo a administração, o movimento de clientes para consumo no salão continuou pressionado.

Na receita líquida por formato, os híbridos chegaram a R$ 129,3 milhões, avanço de 54,2%. O Madero Steak House somou R$ 263,8 milhões, alta de 6,1%, enquanto o Madero Burger alcançou R$ 96,5 milhões, aumento de 1,3%. A receita atribuída ao Jeronimo caiu 31,3%, para R$ 33,7 milhões.

Essas linhas precisam ser lidas com a regra de classificação da empresa: restaurantes convertidos passam a entrar integralmente como híbridos. Portanto, a mudança da receita de uma marca isolada não deve ser confundida automaticamente com a variação das vendas de suas unidades comparáveis. Nos híbridos, o SSS compara a mesma operação com seu formato anterior.

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Rede chega a 375 restaurantes e delivery ganha participação

O grupo inaugurou sete restaurantes no trimestre: dois Madero Steak House, três Jeronimo e dois Madero Burger. O total de 375 restaurantes ao fim de setembro representa crescimento de 11,6% em relação aos 336 existentes um ano antes.

Esse total não significa 375 operações separadas. A companhia contabilizava 294 operações multimarcas, incluindo 82 híbridas. A distinção importa porque diferentes conceitos podem compartilhar uma operação, e o crescimento do número de restaurantes não corresponde necessariamente ao mesmo aumento de estruturas independentes.

Os canais digitais responderam por 57% da receita dos restaurantes. A categoria inclui totens de autoatendimento, pedidos no atendimento a veículos, plataformas de entrega e aplicativo próprio. Já o delivery, especificamente, representou 22,9% da receita, aumento de 1,3 ponto percentual sobre o ano anterior.

Segundo a administração, inovações de produtos, formatos e entregas contribuíram para o crescimento das vendas comparáveis. O grupo também iniciou, em 24 de setembro, a comercialização de produtos nos supermercados Festval de Curitiba e Cascavel, no Paraná, complementando a presença dos Empórios Madero no varejo.

Dívida fica próxima da estabilidade e grupo capta R$ 100 milhões

A dívida financeira líquida, saldo dos compromissos financeiros descontado o caixa e as aplicações considerados pela companhia, encerrou setembro em R$ 745,7 milhões. Houve redução de 0,7% frente a junho e aumento de 0,6% sobre setembro de 2025.

A dívida bruta somou R$ 1.008,7 milhões, enquanto caixa e aplicações totalizaram R$ 263 milhões. Dos compromissos financeiros, 26,4% venciam em até 12 meses e 73,6% tinham prazo superior. Essa divisão mostra quando os pagamentos estão concentrados, sem indicar, por si só, como serão financiados.

No trimestre, o Madero emitiu R$ 100 milhões em notas comerciais, títulos usados para captar recursos com investidores. O prazo é de cinco anos, com dois anos de carência para amortizar o principal. A remuneração acompanha o CDI, referência de juros do mercado, acrescido de 2,10% ao ano.

Segundo a administração, a emissão reduz a taxa média da dívida à medida que obrigações mais caras são amortizadas. A alavancagem, relação entre dívida líquida e EBITDA dos últimos quatro trimestres, ficou em 1,29 vez. Sem os efeitos da IFRS 16, norma contábil sobre arrendamentos, o índice informado foi de 1,67 vez.

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Por que isso importa

O resultado reúne expansão da rede, crescimento nas unidades comparáveis e lucro trimestral maior. Para quem analisa o negócio, porém, a geração de caixa acrescenta outra dimensão: nos nove meses, o caixa líquido das atividades operacionais foi de R$ 184,4 milhões, queda de 42,1% sobre R$ 318,3 milhões.

Lucro e caixa medem coisas diferentes. Estoques, pagamentos de obrigações e juros podem consumir recursos mesmo quando a operação registra lucro. No acumulado, o aumento de estoques absorveu R$ 41,2 milhões, e os pagamentos de juros sobre empréstimos e arrendamentos somaram R$ 200,6 milhões.

Ao mesmo tempo, o grupo investiu R$ 59 milhões no trimestre, sendo R$ 37,7 milhões em restaurantes e R$ 18,9 milhões na Cozinha Central. Assim, a leitura do período combina o avanço comercial com os recursos destinados à estrutura e ao financiamento do negócio, sem tratar o crescimento do lucro como sinônimo de igual expansão do caixa.

Perguntas frequentes

Quanto o Madero lucrou no terceiro trimestre?

O Madero teve lucro líquido de R$ 30,8 milhões no terceiro trimestre de 2026. O valor cresceu 33,3% em relação aos R$ 23,1 milhões do mesmo período de 2025.

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As vendas cresceram só porque a rede abriu restaurantes?

Não: as vendas dos restaurantes comparáveis também cresceram, com alta de 4,2%. Esse indicador considera unidades com pelo menos 12 meses, enquanto a receita total também reflete a expansão da rede.

Por que o lucro do ano aparece com alta e com queda?

Porque as comparações usam bases diferentes. O lucro contábil de janeiro a setembro caiu 14,5%, mas cresceu 41,9% quando comparado à base anterior sem os efeitos do PERSE.

Quanto o Madero tinha de dívida?

A dívida financeira líquida era de R$ 745,7 milhões em 30 de setembro de 2026. Esse saldo desconta da dívida bruta o caixa e as aplicações considerados no cálculo da companhia.

O EBITDA é o dinheiro que entrou no caixa?

Não: o EBITDA é uma medida de resultado que exclui juros, impostos, depreciação e amortização. O fluxo de caixa considera entradas e saídas de recursos, incluindo efeitos de estoques, recebimentos e pagamentos.

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RD

Redação Arena do Dinheiro

A Redação da Arena do Dinheiro reúne jornalistas e especialistas em finanças, investimentos e economia, responsáveis pela produção e revisão do conteúdo do portal.

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