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Braskem vende mais resinas no Brasil, mas spreads caem no 3º trimestre

Braskem amplia vendas de resinas no Brasil e produção no México, mas registra queda nos spreads. Entenda os dados operacionais do 3T26.

Braskem vende mais resinas no Brasil, mas spreads caem no 3º trimestre

A Braskem (BRKM3) vendeu 854 mil toneladas de resinas no mercado brasileiro no terceiro trimestre de 2026, alta de 12% sobre o trimestre anterior e de 9% em relação ao mesmo período de 2025. Ao mesmo tempo, o spread de resinas — diferença de referência entre os preços dos produtos e das matérias-primas — caiu 43% na comparação trimestral, para US$ 372 por tonelada.

Última cotação de BRKM3 na B3: R$ 3,32 (-4,05% no dia) em 29/10/2026 (fonte: Brapi).

Resumo rápido

O relatório de produção e vendas da Braskem mostra movimentos diferentes entre produtos e regiões no terceiro trimestre de 2026. As vendas de resinas cresceram no Brasil, enquanto as de principais químicos recuaram no mercado doméstico. O México ampliou produção e vendas com maior oferta de matéria-prima, mas os spreads petroquímicos diminuíram frente ao trimestre anterior nos três segmentos operacionais.

Principais pontos

  • As centrais petroquímicas brasileiras operaram com utilização média de 69%, ante 70% no segundo trimestre.
  • As vendas domésticas de principais químicos somaram 574 mil toneladas, queda de 4% no trimestre e de 18% em um ano.
  • As exportações brasileiras de resinas atingiram 240 mil toneladas, avanço trimestral de 37%.
  • Nos Estados Unidos e na Europa, as vendas de polipropileno ficaram em 489 mil toneladas, recuo trimestral de 2%.
  • No México, a utilização das plantas subiu para 62%, e as vendas alcançaram 159 mil toneladas.
  • O spread de principais químicos no Brasil caiu 13% frente ao segundo trimestre, para US$ 539 por tonelada.

Resinas avançam no Brasil com estratégia comercial

Segundo a Braskem, o crescimento das vendas de resinas no mercado brasileiro veio da estratégia comercial voltada a ampliar a participação em segmentos considerados prioritários pela companhia. Nas exportações, o aumento foi explicado pela maior disponibilidade de produtos para venda ao exterior.

A utilização das centrais petroquímicas, indicador de quanto da capacidade de produção foi usado, ficou praticamente estável frente ao segundo trimestre. A empresa reduziu a produção na Bahia e em São Paulo para ajustar estoques. Parte desse movimento foi compensada pela maior produção no Rio Grande do Sul, onde houve mais disponibilidade de matéria-prima e normalização após manutenção programada.

Na comparação anual, a utilização das centrais subiu de 65% para 69%. A companhia atribuiu esse avanço principalmente à normalização da operação no Rio de Janeiro, que havia passado por manutenção programada no terceiro trimestre de 2025.

O avanço recente das vendas domésticas de resinas, porém, não se repetiu no acumulado do ano. Nos nove primeiros meses de 2026, o volume chegou a 2,399 milhões de toneladas, queda de 1% sobre igual intervalo de 2025.

Químicos e produtos verdes vendem menos

Os principais químicos tiveram trajetória diferente das resinas no Brasil. Essa categoria reúne produtos como eteno, propeno, gasolina, benzeno e paraxileno, usados pela companhia por sua representatividade na receita do segmento.

Na comparação trimestral, a queda das vendas domésticas refletiu menores volumes de gasolina e paraxileno. Para a gasolina, a Braskem citou a priorização de vendas com maior valor agregado. No paraxileno, houve menos produto disponível. O aumento das vendas de cumeno e eteno compensou parte dessas reduções.

Já a queda anual de 18% também incluiu o efeito do encerramento permanente de um ativo de cliente, que reduziu as vendas de benzeno. No exterior, o movimento foi oposto: as exportações de principais químicos somaram 67 mil toneladas, alta de 11% no trimestre e de 56% em um ano.

Nos produtos verdes, as vendas de polietileno, identificado pela sigla PE, ficaram em 31 mil toneladas, recuo de 19% no trimestre e de 29% na comparação anual. A utilização da planta de eteno verde caiu para 47%, afetada por uma parada programada de 33 dias no Rio Grande do Sul, concluída em outubro de 2026. Segundo a empresa, menor disponibilidade de produto e menor demanda também afetaram as vendas.

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Restrição logística reduz produção na Europa

Nos Estados Unidos e na Europa, as plantas de polipropileno, ou PP, operaram com utilização média de 74%. O indicador estava em 76% no trimestre anterior e em 79% no terceiro trimestre de 2025.

A Braskem relacionou a redução trimestral principalmente a um evento climático na Europa. O problema atingiu a logística e restringiu a disponibilidade de propeno, matéria-prima usada na fabricação do PP. Com menos insumo disponível, a produção europeia diminuiu.

As vendas do segmento recuaram 2% frente ao trimestre anterior. Na Europa, faltou produto para venda. Nos Estados Unidos, clientes haviam antecipado compras no segundo trimestre diante das incertezas relacionadas ao conflito no Oriente Médio, segundo a companhia. Na comparação anual, o volume vendido teve redução de 1%.

Mais etano permite ampliar operação no México

No México, a utilização das plantas de PE passou de 43% no segundo trimestre para 62% no terceiro. O aumento foi de 19 pontos percentuais — medida que expressa a diferença direta entre essas taxas. Em relação ao mesmo período de 2025, o avanço foi de 15 pontos percentuais.

A explicação foi a maior disponibilidade de etano, matéria-prima da operação. O volume médio importado pela TQPM subiu de 14,7 mil para 27,3 mil barris por dia. Já o fornecimento médio da PEMEX passou de 11,8 mil para 13,2 mil barris por dia.

Com mais matéria-prima, a operação produziu mais e teve maior disponibilidade de produto para venda. As vendas mexicanas cresceram 28% frente ao segundo trimestre e 9% na comparação anual. Ainda assim, no acumulado de nove meses, ficaram em 424 mil toneladas, redução de 13% sobre 2025.

A Braskem também informou o avanço da reestruturação financeira da Braskem Idesa, com anúncio de acordo abrangente e consensual com seus principais envolvidos.

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Spreads caem mesmo com matérias-primas mais baratas

Segundo a Braskem, a expectativa de resolução do conflito no Oriente Médio e a demanda global mais moderada contribuíram para reduzir os preços das principais matérias-primas. A companhia descreveu o trimestre como um período de normalização dos spreads após a alta anterior.

Matéria-prima mais barata, porém, não significa automaticamente spread maior. Se o preço do produto vendido também cair, a diferença entre eles pode diminuir. Foi o que ocorreu nas referências apresentadas no relatório.

No Brasil, o spread de resinas caiu para US$ 372 por tonelada, mas permaneceu 5% acima do terceiro trimestre de 2025. O de principais químicos recuou para US$ 539 por tonelada, ainda 50% superior ao de um ano antes.

Nos Estados Unidos e na Europa, o spread médio de PP ficou em US$ 402 por tonelada, queda trimestral de 14%. No México, a referência de PE caiu 35%, para US$ 921 por tonelada. Esses indicadores ajudam a avaliar a diferença entre preços de produtos e insumos, mas não equivalem ao lucro da Braskem: não incluem todas as despesas da operação.

O que muda para o acionista

O relatório mostra que volume vendido e diferença entre preços caminharam em direções distintas. A Braskem ampliou as vendas de resinas no Brasil e recuperou produção no México, enquanto os spreads diminuíram frente ao segundo trimestre.

Para quem tem a ação, essa distinção ajuda a interpretar a operação sem confundir aumento de vendas em toneladas com crescimento de lucro ou geração de caixa. O relatório não apresenta esses resultados financeiros. A companhia também ressalta que os dados operacionais são preliminares e não foram revisados pelo auditor independente.

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Perguntas frequentes

A Braskem vendeu mais resinas no Brasil?

Sim. As vendas no mercado brasileiro atingiram 854 mil toneladas no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 12% sobre o trimestre anterior e de 9% em relação ao mesmo período de 2025.

O que significa a queda dos spreads?

Significa que diminuiu a diferença de referência entre os preços dos produtos petroquímicos e das matérias-primas consideradas no cálculo. Esse indicador não é o lucro da empresa, porque não reúne todos os custos e despesas.

Por que a produção no México aumentou?

A operação teve acesso a mais etano importado e a um volume maior fornecido pela PEMEX. Com isso, a utilização das plantas chegou a 62%, permitindo ampliar a disponibilidade de polietileno para venda.

Esse relatório mostra quanto a Braskem lucrou?

Não. Ele apresenta indicadores de produção, vendas e referências petroquímicas, sem informar o lucro do trimestre. Os dados são preliminares e não passaram por revisão do auditor independente.

Ativos citados nesta matéria

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RD

Redação Arena do Dinheiro

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