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Ampla reverte prejuízo e tem lucro de R$ 66,6 milhões no terceiro trimestre

Ampla volta ao lucro no terceiro trimestre. Entenda o peso das revisões contábeis, o avanço dos investimentos e a situação da concessão.

Ampla reverte prejuízo e tem lucro de R$ 66,6 milhões no terceiro trimestre

A Ampla Energia e Serviços (CBEE3), que opera como Enel Distribuição Rio, registrou lucro líquido de R$ 66,6 milhões no terceiro trimestre de 2026, revertendo o prejuízo de R$ 108,8 milhões do mesmo período de 2025. A recuperação teve como principais fatores a revisão das estimativas de perdas com contas de clientes, a redução das despesas de depreciação e amortização e a melhora do resultado financeiro.

Última cotação de CBEE3 na B3: R$ 7,60 (-1,30% no dia) em 29/10/2026 (fonte: Brapi).

Resumo rápido

A Ampla voltou ao lucro mesmo com queda de 0,4% na receita líquida trimestral, que ficou em R$ 2,4 bilhões. O EBITDA, resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, avançou 38,4%, para R$ 457,2 milhões, impulsionado principalmente pela revisão das perdas estimadas com recebíveis. Os investimentos cresceram 34,5%, enquanto a dívida líquida aumentou 12,3% na comparação anual.

Principais pontos

  • O lucro acumulado nos nove meses chegou a R$ 114,96 milhões, contra prejuízo de R$ 126,4 milhões um ano antes.
  • Os custos e despesas gerenciáveis, excluindo construção, depreciação e amortização, caíram 46,7% no trimestre.
  • As despesas de depreciação e amortização recuaram R$ 110,5 milhões, após revisão da vida útil regulatória de ativos.
  • Os investimentos somaram R$ 551,2 milhões no trimestre e R$ 1,43 bilhão de janeiro a setembro.
  • A dívida líquida encerrou setembro em R$ 5,74 bilhões, ante R$ 5,11 bilhões no mesmo período de 2025.
  • A companhia considera atendidos os requisitos para prorrogar a concessão, mas o relatório não informa a assinatura da renovação.

Revisão das perdas com clientes explica a queda das despesas

A principal mudança no resultado operacional veio das provisões para créditos de liquidação duvidosa e das perdas com recebíveis. Essas rubricas registram a estimativa de quanto das contas de clientes pode não ser recuperado. No trimestre, elas tiveram redução de R$ 214,4 milhões em relação ao ano anterior.

Segundo a companhia, a revisão incorporou informações históricas mais recentes e novas expectativas de recuperação das carteiras. Houve, em especial, atualização dos parâmetros sobre a perda esperada quando o cliente deixa de pagar. É uma mudança na estimativa contábil de recuperação, não uma entrada de dinheiro equivalente no caixa.

Esse movimento ajudou a reduzir o Opex, nome usado no relatório para os custos e despesas gerenciáveis sem construção, depreciação e amortização, de R$ 394,6 milhões para R$ 210,4 milhões. A queda do total não significou redução em todas as despesas da operação.

O conjunto de gastos com pessoal, materiais, serviços de terceiros e outras despesas subiu 11,2%, para R$ 292,1 milhões. A contratação de empregados próprios e os materiais para atendimento emergencial elevaram os gastos. Já os serviços terceirizados recuaram, com contribuição da internalização de atividades e do maior registro de gastos como investimento, em vez de despesa imediata.

Vida útil maior dos ativos também ajudou o lucro

Outro fator relevante foi a redução de 42,7% nas despesas de depreciação e amortização, para R$ 148,2 milhões. Essas despesas distribuem contabilmente o valor dos ativos pelo período em que eles são utilizados. Quando esse prazo aumenta, o valor reconhecido a cada período pode diminuir.

A Ampla atribuiu a queda à revisão extraordinária da vida útil regulatória de determinados ativos, concluída em dezembro de 2025. A extensão dos prazos de amortização reduziu a despesa em R$ 110,5 milhões na comparação trimestral. Segundo a empresa, o efeito permanecerá durante 2026 e estará integralmente refletido na comparação anual a partir do quarto trimestre.

A despesa financeira líquida também diminuiu: passou de R$ 257,9 milhões para R$ 225,9 milhões. A melhora veio principalmente de itens não ligados à dívida, incluindo atualização de saldos financeiros do setor e menores despesas com atualização de provisões para processos tributários, cíveis e trabalhistas.

Esses fatores ajudaram a levar a margem líquida, parcela da receita que restou como lucro, a 2,78%, contra resultado negativo de 4,52% um ano antes. Parte dos ganhos foi compensada pela maior despesa com impostos no trimestre.

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Receita quase estável esconde movimentos diferentes

A receita líquida total ficou em R$ 2,395 bilhões. Mas, excluindo a receita de construção e a atualização do ativo financeiro da concessão, saldo reconhecido contabilmente ligado ao contrato, ela caiu 5,9%, para R$ 1,864 bilhão. Por isso, as duas medidas contam partes diferentes do desempenho.

A receita de construção tem uma despesa de construção de igual valor no demonstrativo. No trimestre, ambas ficaram em R$ 493,6 milhões. Assim, o crescimento dessa receita aumenta o total apresentado, mas não produz, por si só, uma contribuição equivalente ao lucro.

Segundo a Ampla, a receita sem esses efeitos caiu principalmente pela redução de saldos financeiros setoriais e de outras receitas. Em sentido contrário, o fornecimento ao mercado cativo, no qual o consumidor compra energia da distribuidora, cresceu 10,2%. A empresa relacionou esse avanço à tarifa média maior após o reajuste de março.

A receita pelo uso da rede por consumidores livres, que escolhem seu fornecedor de energia, subiu 33,4%. Nos nove meses, a receita líquida total aumentou 8,7%. Todas essas comparações são com os mesmos períodos de 2025, distinção que ajuda a comparar resultados sem misturar bases trimestrais e anuais.

Investimentos avançam, mas indicadores têm direções diferentes

A Ampla investiu R$ 551,2 milhões no trimestre, alta de 34,5%. A manutenção recebeu R$ 238,4 milhões, dos quais R$ 105,4 milhões foram destinados à manutenção corretiva. Outros R$ 197,5 milhões foram aplicados em novas conexões.

No acumulado até setembro, os investimentos cresceram 34,3%, para R$ 1,43 bilhão. A companhia também ampliou o quadro próprio para 3.263 empregados, ante 2.354 um ano antes, como parte da internalização de atividades.

Os indicadores de qualidade não caminharam na mesma direção. O DEC, que mede a duração média das interrupções por consumidor, ficou em 7,98 horas nos últimos 12 meses, contra 7,72 horas anteriormente. Já o FEC, que mede a frequência média das interrupções, caiu de 4,29 para 4,01 vezes. Nessa comparação, portanto, houve menos interrupções, mas maior duração acumulada.

As perdas de energia em 12 meses passaram de 26,79% para 27,24%. O índice de arrecadação, que relaciona os recebimentos à cobrança, subiu de 96,42% para 97,15%. O relatório classifica os dados operacionais como prévios, sujeitos a ajustes posteriores.

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Dívida cresce apesar da melhora do resultado

A dívida bruta encerrou setembro em R$ 5,86 bilhões, aumento de 11,8%. Descontados caixa, equivalentes e aplicações financeiras, a dívida líquida ficou em R$ 5,74 bilhões. As novas captações financiaram refinanciamentos, capital de giro — recursos para a rotina do negócio — e investimentos, segundo a companhia.

A despesa financeira teve comportamentos diferentes no trimestre e no acumulado. Embora tenha recuado no trimestre, somou R$ 760,9 milhões nos nove meses, aumento de 9,2%. A Ampla atribuiu essa elevação principalmente ao maior custo médio e ao crescimento do saldo médio da dívida.

O que muda para o acionista

O resultado mostra a volta ao lucro, mas sua composição faz diferença: revisões nas estimativas de recebimento e nos prazos de amortização dos ativos tiveram peso relevante. Elas não equivalem a crescimento de vendas ou recebimento imediato de caixa.

Outra frente é a prorrogação da concessão. Segundo o relatório, em 9 de setembro de 2026 o Tribunal de Contas da União não apresentou impedimento à continuidade do processo pelo Ministério de Minas e Energia, mas se absteve de concluir sobre a renovação e determinou fiscalização adicional dos indicadores de qualidade.

A companhia informou que a Agência Nacional de Energia Elétrica concluiu, em 14 de setembro, a fiscalização de janeiro de 2022 a março de 2023 sem identificar inconsistências. Com base nisso, a Ampla considera atendidos os requisitos legais, regulatórios e técnicos para a prorrogação. Essa é a avaliação da empresa, não o anúncio de uma renovação assinada.

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Perguntas frequentes

Quanto a Ampla lucrou no terceiro trimestre?

A Ampla apurou lucro líquido de R$ 66,6 milhões no terceiro trimestre de 2026. No mesmo trimestre de 2025, havia registrado prejuízo de R$ 108,8 milhões.

Por que a empresa voltou ao lucro?

A recuperação refletiu principalmente a revisão das estimativas de perdas com contas de clientes, a menor despesa de depreciação e amortização e a melhora do resultado financeiro. Esses efeitos foram parcialmente compensados pela maior despesa com impostos no trimestre.

A redução das provisões significa que entrou mais dinheiro?

Não necessariamente: a provisão é uma estimativa contábil de perdas, e sua redução não equivale automaticamente a um recebimento. A Ampla informou que atualizou parâmetros com base em informações históricas mais recentes e nas expectativas de recuperação das contas.

Quanto a Ampla investiu em 2026?

Os investimentos chegaram a R$ 1,43 bilhão entre janeiro e setembro de 2026, crescimento de 34,3% sobre o mesmo intervalo de 2025. Desse total, R$ 551,2 milhões foram aplicados no terceiro trimestre.

A concessão da Enel Rio já foi renovada?

O relatório não informa a assinatura da prorrogação. A companhia afirma considerar cumpridos os requisitos para renovar a concessão e relata os avanços do processo de análise regulatória.

Ativos citados nesta matéria

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RD

Redação Arena do Dinheiro

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As informações desta matéria têm caráter informativo e educacional e não constituem recomendação ou oferta de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros. Investimentos envolvem riscos.


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