O auxílio-doença mudou de nome — hoje é benefício por incapacidade temporária — e mudou de procedimento. Desde 2026, o Atestmed permite conseguir até 90 dias de afastamento sem perícia presencial, apenas com análise de documentos. O valor é 91% do salário de benefício, com teto de R$ 8.475,55.
O benefício por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença, exige incapacidade comprovada, carência de 12 contribuições e qualidade de segurado. O valor corresponde a 91% do salário de benefício, com mínimo de R$ 1.621 e teto de R$ 8.475,55 em 2026. Pelo Atestmed, é possível obter até 90 dias de afastamento apenas por análise documental, com decisão do perito federal em até 30 dias.
Principais pontos
- São três requisitos: incapacidade temporária, carência de 12 contribuições e qualidade de segurado.
- A carência de 12 contribuições é dispensada em casos de doenças graves previstas em lista.
- O valor é 91% do salário de benefício, com mínimo de R$ 1.621 e teto de R$ 8.475,55.
- Pelo Atestmed é possível obter até 90 dias sem perícia presencial, só com documentos.
- O perito federal tem até 30 dias para decidir sobre o pedido feito por análise documental.
Os três requisitos
O benefício não depende só de estar doente — depende de três condições cumulativas, e a maioria dos indeferimentos vem de falhar em uma delas. A primeira é incapacidade temporária para o trabalho, comprovada tecnicamente. Doença sem incapacidade não gera direito: é possível ter um diagnóstico grave e ainda assim poder exercer a atividade.
A segunda é carência de 12 contribuições mensais — dispensada em doenças graves previstas em lista oficial e em casos de acidente. A terceira é qualidade de segurado: estar contribuindo ou dentro do chamado período de graça, a janela em que a proteção continua depois de parar de contribuir.
O que o Atestmed mudou
Esta é a mudança mais relevante e a menos conhecida. O Atestmed permite a concessão do benefício com até 90 dias de afastamento apenas por análise documental, sem perícia presencial. Você anexa atestado, exames e laudos, e um perito médico federal analisa o material a distância.
O prazo de decisão é de até 30 dias, e o resultado pode ser concessão, indeferimento ou conversão para perícia presencial — o perito pode entender que os documentos não bastam. Na prática, o Atestmed encurta drasticamente a espera para quem tem documentação boa e afastamento de curta duração.
| Item | Regra em 2026 |
|---|---|
| Nome oficial | Benefício por incapacidade temporária |
| Carência | 12 contribuições (dispensada em doenças graves) |
| Valor | 91% do salário de benefício |
| Piso | R$ 1.621 |
| Teto | R$ 8.475,55 |
| Atestmed | Até 90 dias sem perícia presencial |
| Prazo de análise no Atestmed | Até 30 dias |
Como pedir, passo a passo
O pedido é feito pelo Meu INSS, no aplicativo ou no site, escolhendo a opção “Benefício por Incapacidade Temporária”. A qualidade da documentação anexada é o que decide o resultado.
Anexe atestado médico, exames e laudos. E preste atenção ao conteúdo do atestado: ele precisa trazer a data de início do afastamento, o prazo estimado de incapacidade e, idealmente, o CID e a descrição de por que a pessoa não pode exercer aquela atividade. Atestado genérico de “necessita repouso” é o que mais produz indeferimento por falta de elemento técnico.
Quanto o INSS paga
O valor é 91% do salário de benefício, que é calculado a partir da média das suas contribuições. Existe um piso — nunca menos que o salário mínimo de R$ 1.621 — e um teto: R$ 8.475,55, o limite do Regime Geral.
Um ponto que gera surpresa: quem ganha acima do teto do INSS recebe o benefício limitado a esse teto, e não 91% do salário real. Alguém com renda de R$ 20 mil recebe pouco mais de R$ 8 mil. É justamente essa lacuna que justifica o seguro de vida com cobertura de invalidez ou a complementação pela previdência privada — o motivo prático, não teórico, de complementar.
Os primeiros 15 dias e o empregador
Para quem tem carteira assinada, existe uma regra que confunde muita gente. Os primeiros 15 dias de afastamento são pagos pela empresa, como salário. O INSS assume a partir do 16º dia.
Isso significa que afastamento de dez dias não gera benefício previdenciário nenhum — é assunto entre você e o empregador. Para autônomos e contribuintes individuais, não há essa regra: o INSS paga desde o início da incapacidade, o que faz do benefício algo bem mais relevante para quem trabalha por conta. Como contribuir corretamente está em INSS para autônomo.
Se for negado
Indeferimento é comum e não é o fim. Existem três caminhos, e a ordem importa. O primeiro e mais rápido é o pedido de reconsideração, dentro do prazo indicado na carta de decisão — útil quando o problema foi documentação insuficiente, porque permite juntar laudo melhor.
O segundo é o recurso à Junta de Recursos do Conselho de Recursos da Previdência Social, na esfera administrativa. O terceiro é a via judicial, em que o juiz determina perícia com médico independente — caminho mais demorado, mas o único que tira a decisão das mãos do próprio INSS. Antes de qualquer um deles, vale ler a carta e identificar o motivo: negativa por falta de carência exige solução diferente de negativa por perícia contrária.
O erro que mais custa: parar de contribuir
Vale um alerta específico para autônomos. A qualidade de segurado se perde depois do período de graça, e sem ela nenhum benefício é concedido — nem por incapacidade, nem por morte para os dependentes.
É o cenário mais frustrante que existe: pessoa que contribuiu por anos, parou por alguns meses de aperto financeiro, adoeceu e descobriu que perdeu a cobertura. Antes de suspender contribuições, vale conferir o extrato no CNIS e entender exatamente até quando a proteção vale.
O que isso significa para você
Três leituras práticas. Sobre documentação: o resultado do pedido é decidido pela qualidade do atestado, não pela gravidade da doença. Peça ao médico um documento com CID, prazo estimado e descrição da limitação funcional — isso muda a taxa de aprovação.
Sobre planejamento: com teto de R$ 8.475,55, quem tem renda acima disso precisa de reserva de emergência ou de seguro com cobertura de invalidez. A previdência pública cobre uma fração da renda, e essa fração é conhecida antecipadamente.
Sobre prazo: o Atestmed decide em até 30 dias, mas há os 15 dias iniciais por conta da empresa e o tempo de análise. Quem depende do benefício deve contar com um a dois meses de fluxo de caixa até o primeiro pagamento — e esse é o tamanho mínimo da reserva a manter.
Conteúdo informativo, sem orientação médica ou jurídica. Regras conforme normas do INSS vigentes na data de publicação. Valores de piso e teto referem-se a 2026. Casos concretos dependem de análise individual e de perícia.
Perguntas frequentes
Quais os requisitos do auxílio-doença?
Três, cumulativos: incapacidade temporária comprovada, carência de 12 contribuições mensais — dispensada em doenças graves previstas em lista e em acidentes — e qualidade de segurado, ou seja, estar contribuindo ou no período de graça.
Quanto o INSS paga?
91% do salário de benefício, com piso de R$ 1.621 e teto de R$ 8.475,55 em 2026. Quem ganha acima do teto recebe limitado a esse valor, não 91% da renda real.
Preciso passar por perícia presencial?
Não necessariamente. Pelo Atestmed é possível obter até 90 dias de afastamento apenas por análise documental, com decisão do perito federal em até 30 dias. Ele pode, porém, converter o pedido em perícia presencial.
Quem paga os primeiros dias de afastamento?
Para quem tem carteira assinada, os primeiros 15 dias são pagos pela empresa e o INSS assume do 16º dia em diante. Para autônomos e contribuintes individuais, o INSS paga desde o início da incapacidade.
O que fazer se o pedido for negado?
Há três caminhos, nessa ordem: pedido de reconsideração no prazo da carta de decisão, recurso à Junta de Recursos da Previdência Social, e ação judicial, em que o juiz determina perícia com médico independente.



