A Companhia Energética do Ceará, Coelce (COCE3), registrou lucro líquido de R$ 226,7 milhões no terceiro trimestre de 2026, revertendo o prejuízo de R$ 25,6 milhões do mesmo período de 2025. A distribuidora, que opera como Enel Distribuição Ceará, combinou aumento da receita com redução de despesas, incluindo uma revisão das estimativas de perdas com contas de clientes.
Última cotação de COCE3 na B3: R$ 34,18 (-7,62% no dia) em 29/10/2026 (fonte: Brapi).
Resumo rápido
A receita líquida da Coelce cresceu 11,4% no trimestre, para R$ 2,62 bilhões, enquanto o lucro acumulado de janeiro a setembro chegou a R$ 372,7 milhões. O resultado teve contribuição de maiores receitas de fornecimento e uso da rede, além de efeitos contábeis sobre provisões e outras receitas. Os investimentos somaram R$ 1,57 bilhão nos nove meses, e a dívida líquida encerrou setembro em R$ 6,73 bilhões.
Principais pontos
- O lucro trimestral foi de R$ 226,7 milhões, ante prejuízo de R$ 25,6 milhões no terceiro trimestre de 2025.
- A receita líquida alcançou R$ 2,62 bilhões, com crescimento de 11,4% na comparação anual.
- O EBITDA, resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somou R$ 721,9 milhões, alta de 56,9%.
- Os custos e despesas gerenciáveis, sem construção, depreciação e amortização, caíram 53,3%, para R$ 149,2 milhões.
- Os investimentos chegaram a R$ 1,57 bilhão de janeiro a setembro, aumento de 20,8%.
- A dívida líquida terminou setembro em R$ 6,73 bilhões, 18,4% acima do saldo de um ano antes.
Receita cresce com tarifas e maior uso da rede
A receita líquida total inclui registros que não correspondem apenas ao fornecimento de eletricidade, como a receita de construção da infraestrutura e a atualização do ativo financeiro da concessão, um direito financeiro reconhecido na contabilidade do contrato. Sem essas parcelas, a receita foi de R$ 1,91 bilhão, alta de 6,8% sobre o terceiro trimestre de 2025.
Segundo a companhia, o reajuste tarifário homologado em abril ajudou a elevar o valor faturado aos consumidores. Já a receita de uso da rede por clientes livres — aqueles que escolhem de quem comprar energia, mas continuam utilizando a infraestrutura da distribuidora — cresceu 34,6%, para R$ 251,2 milhões.
O volume total de venda e transporte de energia aumentou 5,6%. No mercado cativo, em que o cliente compra energia da própria distribuidora, a expansão foi de 2,7%. Entre os clientes livres, o volume transportado avançou 12,5%, acompanhado pelo crescimento dessa base de consumidores.
As tarifas também passaram por um recálculo homologado em 24 de agosto, com redução média de 5,87% em relação ao efeito do reajuste de 2026. O mecanismo incorporou recursos de pagamentos antecipados de geradoras hidrelétricas pelo uso de potenciais hidráulicos da União, destinados a reduzir o impacto tarifário para os consumidores.
Revisão de provisões ajuda a explicar o salto do EBITDA
O EBITDA chegou a R$ 721,9 milhões, crescimento de 56,9%. A margem EBITDA, que mostra quanto desse resultado representa da receita líquida, passou de 19,57% para 27,57%. A expansão da margem bruta e a queda dos custos gerenciáveis explicam o avanço apresentado pela empresa.
Uma parcela relevante dessa redução veio das provisões para perdas de crédito, estimativas contábeis do que a companhia pode não receber dos clientes. Essa rubrica teve variação favorável de R$ 120,9 milhões no trimestre, principalmente após a atualização dos parâmetros usados para calcular as perdas esperadas.
A revisão considerou informações históricas mais recentes e expectativas de recuperação das carteiras. Rever uma estimativa de perda não equivale a receber esse dinheiro em caixa: o efeito altera a despesa reconhecida no resultado. Essa distinção ajuda a separar a melhora contábil da evolução dos pagamentos efetivamente recebidos.
Houve ainda um ajuste contábil não recorrente de aproximadamente R$ 60 milhões em outras receitas, ligado à baixa de obrigações especiais de energia. Segundo a distribuidora, análises dos registros históricos identificaram saldos que já não atendiam aos requisitos de comprovação e rastreabilidade para permanecer contabilizados.
Lucro avança no ano, mas despesa financeira também cresce
No trimestre, o resultado financeiro, saldo entre receitas e despesas financeiras, ficou negativo em R$ 280,2 milhões. A despesa líquida diminuiu 8,0%, com maiores receitas de aplicações e menores gastos não relacionados à dívida. A companhia citou, entre os fatores, a redução da atualização de provisões judiciais após a baixa de processos cíveis relevantes.
Esse alívio ocorreu apesar do aumento de 17,9% nas despesas líquidas relacionadas à dívida, que chegaram a R$ 259,4 milhões. Segundo a empresa, o maior volume de endividamento explica principalmente esse crescimento.
Nos nove meses, o quadro financeiro foi diferente: a despesa líquida aumentou 20,2%, para R$ 905,8 milhões. Ainda assim, o lucro acumulado subiu de R$ 91,9 milhões para R$ 372,7 milhões, sustentado pelo avanço operacional, enquanto o EBITDA atingiu R$ 1,89 bilhão, alta de 30,7%.
As comparações são com os mesmos intervalos do ano anterior. Essa escolha permite confrontar períodos equivalentes do calendário, como explica a Arena ao tratar de comparação de resultados e sazonalidade das empresas.
Investimentos aumentam e indicadores de interrupção recuam
A Coelce investiu R$ 595,8 milhões no trimestre, alta de 15,3%. A manutenção recebeu R$ 323,0 milhões, e as novas conexões, R$ 229,4 milhões. No acumulado de janeiro a setembro, os investimentos cresceram 20,8%, para R$ 1,57 bilhão.
Na qualidade do fornecimento, o DEC, indicador da duração média das interrupções por consumidor, ficou em 8,18 horas nos últimos 12 meses. O FEC, que mede a frequência média dessas interrupções, chegou a 4,04. Ambos ficaram abaixo dos limites regulatórios de 2026, de 9,33 horas e 5,61 interrupções.
A companhia atribuiu a evolução à modernização da rede, à operação remota de equipamentos e ao reforço das equipes próprias. Isso não eliminou ocorrências localizadas: uma interrupção prolongada que afetou um grupo específico de consumidores elevou as compensações aos clientes no trimestre.
Na cobrança, o índice de arrecadação dos últimos 12 meses atingiu 99,00%, ante 98,05% um ano antes. As perdas de energia ficaram em 18,57%, abaixo dos 18,89% de dezembro de 2025, mas ligeiramente acima dos 18,55% de setembro daquele ano.
Dívida sobe, enquanto relação com o resultado diminui
A dívida bruta encerrou setembro em R$ 7,28 bilhões, aumento de 25,6%. Descontados caixa, equivalentes e aplicações financeiras, a dívida líquida ficou em R$ 6,73 bilhões. A empresa informou que as captações atenderam a refinanciamento, investimentos e capital de giro.
Mesmo com o aumento do saldo, a relação entre dívida líquida e EBITDA ajustado caiu de 2,71 para 2,63 vezes. Esse indicador compara o endividamento com uma medida de resultado dos últimos 12 meses que, no cálculo da companhia, inclui ajustes por provisões. Portanto, o recuo da relação não significa que a dívida em reais diminuiu.
O que muda para o acionista
O balanço mostra que a reversão do prejuízo combinou crescimento das receitas, redução de despesas e mudanças em estimativas contábeis. Para interpretar o lucro, importa distinguir esses componentes: o aumento do uso da rede tem natureza diferente de uma revisão de provisões ou de um ajuste não recorrente.
Outro assunto que permanece em aberto é a prorrogação da concessão. A companhia pediu a extensão por 30 anos. A Agência Nacional de Energia Elétrica recomendou a prorrogação, e a consultoria jurídica junto ao Ministério de Minas e Energia apresentou parecer favorável.
Segundo o comunicado, o ministério encaminhou o caso ao Tribunal de Contas da União, cuja análise não suspende o processo. A decisão sobre a prorrogação continua sujeita ao ministério; o documento não apresenta a renovação como concluída.
Perguntas frequentes
Quanto a Coelce lucrou no terceiro trimestre?
A Coelce teve lucro líquido de R$ 226,7 milhões no terceiro trimestre de 2026. No mesmo trimestre de 2025, havia registrado prejuízo de R$ 25,6 milhões.
Por que o resultado melhorou tanto?
A melhora reuniu aumento das receitas, redução dos custos gerenciáveis e menor despesa financeira líquida no trimestre. Também contribuíram a revisão das estimativas de perdas com clientes e um ajuste contábil não recorrente em outras receitas.
A dívida da Coelce diminuiu?
Não: a dívida líquida aumentou 18,4% e terminou setembro em R$ 6,73 bilhões. O que diminuiu foi sua relação com o EBITDA ajustado, de 2,71 para 2,63 vezes.
A concessão da distribuidora já foi renovada?
O comunicado não informa a conclusão da prorrogação. Segundo a companhia, há recomendação favorável da Aneel e parecer jurídico favorável, mas a decisão permanece sujeita ao Ministério de Minas e Energia.
Ativos citados nesta matéria
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