A confiança do consumidor caiu 3,6 pontos em agosto, para 84,7 pontos — o menor nível desde novembro de 2022 e a quarta queda mensal consecutiva. O diagnóstico da FGV é direto: famílias “altamente endividadas e inadimplentes” com juros elevados. E o recado é sobre o futuro — sinaliza desaceleração do consumo no segundo semestre.
O Índice de Confiança do Consumidor medido pela FGV recuou 3,6 pontos em agosto de 2026, para 84,7 pontos na série com ajuste sazonal — menor nível desde novembro de 2022 e quarta queda mensal consecutiva. A pesquisa foi realizada entre 1º e 20 de agosto. Segundo a FGV, o resultado foi homogêneo entre as faixas de renda e reflete endividamento elevado e juros altos.
Principais pontos
- O índice caiu 3,6 pontos em agosto, para 84,7 pontos na série com ajuste sazonal.
- É o menor nível desde novembro de 2022 e a quarta queda mensal consecutiva.
- A queda foi homogênea entre as faixas de renda, segundo a FGV.
- O diagnóstico aponta consumidores altamente endividados e inadimplentes, com juros elevados.
- A pesquisa sinaliza desaceleração do consumo das famílias no segundo semestre.
O que o índice mede
A Sondagem do Consumidor não mede o que as famílias gastaram — mede o que elas pensam e pretendem. O índice combina a avaliação da situação atual, da economia e das finanças pessoais, com as expectativas para os próximos meses.
É por isso que ele funciona como indicador antecedente. Antes de a venda cair no varejo, a família decide postergar a compra; antes de decidir, avalia se o emprego está seguro e se a prestação cabe no orçamento. Essa avaliação aparece na sondagem semanas ou meses antes de aparecer no faturamento das empresas. A coleta desta edição ocorreu entre 1º e 20 de agosto.
A magnitude da queda
Os 84,7 pontos merecem contexto em três dimensões. Primeiro, o movimento do mês: queda de 3,6 pontos em relação a julho, na série com ajuste sazonal. Segundo, a sequência: é a quarta queda mensal consecutiva — não é ruído de um mês, é tendência.
Terceiro, e mais eloquente: é o menor nível desde novembro de 2022. Ou seja, o consumidor brasileiro não estava tão pessimista há quase quatro anos. A FGV aponta deterioração tanto das expectativas para o futuro quanto da percepção sobre o momento presente — as duas pernas do índice pioraram juntas.
O diagnóstico é sobre dívida, não sobre emprego
Aqui está a parte mais informativa. Segundo Anna Carolina Gouveia, economista da FGV, o resultado reflete condições financeiras difíceis, com consumidores “altamente endividados e inadimplentes”, além de juros elevados.
E há um detalhe que descarta a explicação mais óbvia: o movimento é homogêneo entre as faixas de renda. Não é fenômeno concentrado nas famílias mais pobres — atinge todos os estratos. Quando o pessimismo é uniforme, a causa tende a ser macroeconômica e não distributiva. Com a Selic em 14% ao ano, o custo de carregar dívida pesa igual em qualquer faixa.
| Indicador | Situação |
|---|---|
| Índice em agosto | 84,7 pontos |
| Variação no mês | −3,6 pontos |
| Sequência | 4ª queda mensal consecutiva |
| Comparação histórica | Menor nível desde novembro de 2022 |
| Distribuição | Homogênea entre faixas de renda |
| Período de coleta | 1º a 20 de agosto de 2026 |
O paradoxo do mercado de trabalho
Há uma contradição aparente no dado, e a própria FGV a registra: o pessimismo avança apesar de o mercado de trabalho seguir forte. Normalmente, emprego estável sustenta confiança.
A explicação está no que efetivamente pesa no orçamento. Ter emprego garante renda; não garante que a renda sobre depois de pagar a prestação. Quando o consumidor está endividado e o juro é alto, a parcela consome a folga — e a sensação de aperto convive com carteira assinada. É a diferença entre ter renda e ter renda disponível. O dado de desemprego sai nesta quinta-feira e permitirá cruzar as duas leituras.
O que isso antecipa para o varejo
A avaliação da FGV é explícita: o movimento recente “parece sinalizar uma desaceleração do consumo das famílias para o segundo semestre“. Para quem investe, essa frase vale mais que o número.
E ela chega num momento particularmente sensível. O setor acabou de ver a Casas Bahia pedir recuperação judicial com passivo de R$ 17,3 bilhões, atribuindo a crise a juros altos, restrição de crédito e pressão sobre o consumo. A sondagem confirma que o diagnóstico não era desculpa da empresa — era mercado. Bens duráveis, como eletrodomésticos e móveis, são justamente os mais adiáveis e mais dependentes de crediário.
A tensão com o que a Bolsa está fazendo
Vale registrar o contraste do mesmo dia. O Ibovespa subiu 1,55%, na quinta alta consecutiva, enquanto a confiança do consumidor batia a mínima de quase quatro anos.
Não é incoerência — são fatos sobre coisas diferentes. A alta da Bolsa vem de fluxo estrangeiro e do peso de bancos e commodities, setores que não dependem do consumo doméstico. A confiança do consumidor descreve a economia real interna. Índice em alta com consumidor em retração é combinação que pode durar meses, mas não indefinidamente: em algum ponto o faturamento das empresas voltadas ao mercado interno aparece nos balanços.
O que isso significa para você
Para quem investe, o dado é negativo para varejo, bens duráveis, vestuário e bancos com carteira grande de crédito ao consumo — e neutro para exportadoras e commodities, que dependem de demanda externa. Se sua carteira é concentrada em consumo doméstico, essa é a quarta leitura consecutiva pedindo atenção.
Para quem consome, a leitura é pessoal e mais útil. Se o diagnóstico da FGV descreve a sua situação — endividado, com juro alto pesando —, a decisão financeira mais rentável disponível não é investir: é quitar dívida. Com rotativo de cartão acima de 50% ao ano, nenhum investimento compete. O método está em como sair das dívidas passo a passo.
Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. Dados da Sondagem do Consumidor conforme divulgação da FGV/Ibre em 25 de agosto de 2026, sujeitos a revisão.
Perguntas frequentes
Quanto caiu a confiança do consumidor em agosto de 2026?
O índice recuou 3,6 pontos, para 84,7 pontos na série com ajuste sazonal — menor nível desde novembro de 2022 e quarta queda mensal consecutiva. A coleta foi feita entre 1º e 20 de agosto.
Qual a causa apontada pela FGV?
Condições financeiras difíceis, com consumidores altamente endividados e inadimplentes, além de juros elevados. A queda foi homogênea entre as faixas de renda, o que indica causa macroeconômica e não distributiva.
Como a confiança cai se o mercado de trabalho está forte?
Porque ter emprego garante renda, mas não garante renda disponível. Com endividamento alto e Selic a 14% ao ano, a prestação consome a folga do orçamento — e a sensação de aperto convive com carteira assinada.
O que o dado antecipa?
Segundo a FGV, o movimento sinaliza desaceleração do consumo das famílias no segundo semestre. Bens duráveis, como eletrodomésticos e móveis, são os mais afetados, por serem adiáveis e dependentes de crediário.
Por que a Bolsa sobe se o consumidor está pessimista?
Porque medem coisas diferentes. A alta do Ibovespa vem de fluxo estrangeiro e do peso de bancos e commodities, setores que não dependem do consumo doméstico. A confiança descreve a economia real interna.



