O Focus desta terça mantém a Selic em 13,75% no fim de 2026. Com a taxa hoje em 14,00%, isso significa uma coisa bem específica: o mercado projeta um único corte de 0,25 ponto em todas as reuniões que faltam. Mas há um detalhe na média que revela discordância dentro do consenso.
O Boletim Focus divulgado em 8 de setembro de 2026 manteve a mediana da Selic em 13,75% para o fim de 2026 e em 12,00% para 2027. Como a taxa esta em 14,00% ao ano, a projecao implica um unico corte de 0,25 ponto percentual nas reunioes restantes do Comite de Politica Monetaria. A proxima decisao sai em 15 e 16 de setembro.
Principais pontos
- A mediana do Focus para a Selic no fim de 2026 está em 13,75%, e a taxa atual é de 14,00%.
- Isso equivale a projetar um único corte de 0,25 ponto no restante do ano.
- A média das projeções, 13,6420%, está abaixo da mediana — parte do mercado espera mais cortes.
- Para 2027 a mediana é de 12,00%; para 2028, 10,50%; para 2029, 10,00%.
- A próxima reunião do Copom é em 15 e 16 de setembro de 2026.
A projeção e o que ela implica
A mediana das expectativas para a Selic no fim de 2026 está em 13,75%, com 140 respondentes, na coleta encerrada em 4 de setembro. Para 2027, a mediana é 12,00%; para 2028, 10,50%; para 2029, 10,00%.
A taxa vigente é de 14,00% ao ano, definida na reunião de agosto. A distância entre 14,00% e 13,75% é de exatamente 0,25 ponto — o tamanho padrão de um passo do Copom. Portanto o consenso projeta um corte, e só um, até dezembro. O corte de agosto está em o Copom que levou a Selic a 14%.
O detalhe que a mediana esconde
Aqui está a informação que quase nunca aparece na cobertura. A mediana é 13,75%, mas a média é 13,6420% — cerca de 11 pontos-base abaixo.
Isso não é ruído de arredondamento: só acontece se uma parcela dos 140 participantes projetar taxa menor que 13,75%, isto é, mais de um corte. Média abaixo da mediana significa cauda esticada para baixo. Traduzindo: o consenso é de um corte, mas existe uma minoria relevante apostando em dois ou mais — e ela pesa na média sem mudar o meio da distribuição.
| Indicador | 2026 | 2027 |
|---|---|---|
| Selic (mediana) | 13,75% | 12,00% |
| Selic (média) | 13,6420% | 12,0540% |
| IPCA (mediana) | 5,00% | 4,2880% |
| PIB (mediana) | 1,9301% | 1,50% |
| Câmbio (mediana) | R$ 5,20 | R$ 5,30 |
| Selic vigente | 14,00% ao ano | |
| Próxima reunião do Copom | 15 e 16 de setembro de 2026 | |
Por que só um corte
A resposta está na linha de cima da tabela do próprio boletim. O IPCA projetado para 2026 é de 5,00% — acima do teto do intervalo de tolerância da meta, que é de 4,5%.
Banco central que projeta inflação acima do teto não tem espaço para cortar rápido, por mais que a atividade peça. E a atividade pede: o PIB projetado é de 1,9301% em 2026 e cai para 1,50% em 2027. É a tensão clássica da política monetária — inflação alta pede juro alto, crescimento fraco pede o contrário. A conta da inflação está em o que falta subir para o IPCA chegar a 5%.
Como a mesma projeção mudou de significado
Vale um registro de honestidade sobre o histórico. Este site já publicou que a projeção de 13,75% implicava dois cortes — e isso estava correto na época, quando a Selic estava em 14,25%.
Depois o Copom cortou em agosto, a taxa foi a 14,00%, e a mesma projeção passou a implicar um corte. A lição é prática: número de projeção só significa algo em relação ao ponto de partida. Quem guarda a manchete e esquece a taxa vigente erra a conta. A leitura anterior está em quando 13,75% queria dizer dois cortes.
O que o mercado de derivativos diz
Há uma segunda fonte de expectativa, e ela não é o Focus. As opções de Copom negociadas na B3 permitem inferir a probabilidade que o mercado atribui a cada decisão — e passaram a apontar corte na reunião de 15 e 16 de setembro.
A diferença entre as duas fontes é de natureza. O Focus é opinião declarada por instituições, com defasagem de revisão. Derivativo é dinheiro posicionado, e se ajusta a cada minuto. Quando as duas divergem, a segunda costuma reagir primeiro; quando convergem, como agora, a leitura fica mais confiável. O calendário está em o calendário do Copom de 2026.
A semana que testa a projeção
Dois dados decidem o tom da reunião. Na sexta (11) sai o IPCA de agosto, com projeção de deflação de 0,26% — o quarto mês consecutivo de leitura baixa. No mesmo dia sai o CPI dos Estados Unidos.
O dado americano importa porque o Fed decide nos mesmos dias que o Copom, 15 e 16 de setembro, e a aposta lá é de alta de juros, não de corte. Copom cortando enquanto o Fed sobe é combinação que pressiona o câmbio — assunto tratado em as duas decisões no mesmo dia e em o que isso faz com o real.
O que isso significa para você
Três leituras. Sobre pós-fixado: com um único corte projetado até dezembro, o CDI segue perto do patamar atual pelo resto do ano. Quem está em CDB ou fundo DI não tem urgência de mudar nada. Está em o que a Selic a 14% muda na renda fixa.
Sobre prefixado: a decisão relevante não é 2026, é 2027 — mediana de 12,00%, dois pontos abaixo de hoje. Travar taxa faz sentido para quem acredita nessa trajetória, e o custo do erro é assimétrico. A discussão está em travar prefixado no fim do ciclo e em Selic a 12% em 2027.
Sobre o que realmente importa: com Selic a 14% e IPCA em 12 meses caminhando para 4,28%, o juro real está perto de 9,3%. É esse número, e não a taxa nominal, que define o retorno. Está em juro real com a Selic a 14%.
Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. As projeções do Focus são medianas e médias de expectativas de instituições de mercado coletadas pelo Banco Central, referem-se à coleta encerrada em 04/09/2026 e mudam semanalmente — não são previsão oficial nem compromisso do Copom. A leitura de probabilidades a partir de opções de Copom depende do modelo utilizado e varia conforme o provedor. A inferência sobre a distribuição das projeções a partir da diferença entre média e mediana é cálculo próprio.
Perguntas frequentes
Qual a projeção do Focus para a Selic em 2026?
A mediana está em 13,75% para o fim de 2026 e em 12,00% para 2027, na coleta encerrada em 4 de setembro de 2026, com 140 respondentes.
Quantos cortes isso significa?
Um. A Selic está em 14,00% ao ano e a projeção é de 13,75%, exatamente 0,25 ponto abaixo — o tamanho de um passo do Copom.
Por que a média é diferente da mediana?
Porque parte dos participantes projeta taxa menor que 13,75%, ou seja, mais de um corte. A média de 13,6420% está cerca de 11 pontos-base abaixo da mediana, o que indica uma cauda de projeções mais baixas.
Quando é a próxima reunião do Copom?
Em 15 e 16 de setembro de 2026, nos mesmos dias em que o Fed decide os juros americanos.
Por que o mercado não espera mais cortes?
Porque o IPCA projetado para 2026 é de 5,00%, acima do teto de 4,5% do intervalo de tolerância da meta. Inflação projetada acima do teto limita o espaço para cortes rápidos.



