A Fundação Getulio Vargas divulgou nesta segunda-feira (17) que o IGP-10 caiu 0,51% em agosto, depois de recuar 1,13% em julho. São dois meses seguidos de deflação no índice que funciona como prévia do IGP-M — o indicador que corrige a maioria dos contratos de aluguel no Brasil.
O IGP-10 de agosto de 2026 registrou queda de 0,51%, após recuo de 1,13% em julho. O índice é apurado entre os dias 11 de um mês e 10 do seguinte e antecipa a tendência do IGP-M, usado para reajustar aluguéis. Se o IGP-M de agosto confirmar a direção, quem tem contrato com aniversário em setembro pode ter reajuste negativo ou próximo de zero.
Principais pontos
- IGP-10 de agosto: queda de 0,51%, divulgada pela FGV em 17 de agosto de 2026.
- Em julho o mesmo índice caiu 1,13%, e em junho, 0,30% — três resultados negativos em quatro meses.
- O IGP-M de julho, já fechado, caiu 1,16%; o de junho, 0,50%.
- O IGP-10 cobre o período do dia 11 ao dia 10 e serve como prévia do IGP-M do mês.
- Reajuste de aluguel usa o IGP-M acumulado em 12 meses, não a variação de um mês isolado.
A diferença entre IGP-10, IGP-M e IGP-DI
Os três índices medem a mesma coisa e são calculados pela FGV com a mesma composição: 60% de preços no atacado, 30% ao consumidor e 10% de construção civil. O que muda é a janela de coleta. O IGP-M apura do dia 21 ao dia 20; o IGP-DI, do dia 1º ao 30; e o IGP-10, do dia 11 ao dia 10.
Por sair primeiro, o IGP-10 é o mais adiantado dos três. Ele não substitui o IGP-M — nenhum contrato é corrigido por IGP-10 —, mas é o melhor indício disponível de para onde o IGP-M do mês está indo. Quando o IGP-10 vem negativo, é raro o IGP-M do mesmo mês vir muito positivo.
O que os números mostram em 2026
| Mês de 2026 | IGP-10 | IGP-M |
|---|---|---|
| Abril | +2,94% | +2,73% |
| Maio | +0,89% | +0,84% |
| Junho | −0,30% | −0,50% |
| Julho | −1,13% | −1,16% |
| Agosto | −0,51% | Ainda não divulgado |
Note como os dois índices andam juntos: nos quatro meses em que há os dois números, a diferença nunca passou de 0,21 ponto percentual. É por isso que o IGP-10 de agosto, negativo em 0,51%, é uma pista forte — ainda que não uma certeza — de que o IGP-M de agosto também vem negativo.
Por que o atacado está em deflação
O peso maior do IGP é o atacado, e o atacado brasileiro é sensível a duas coisas: commodities em dólar e o próprio câmbio. Em julho, o alívio nos preços do petróleo derrubou o índice. A queda foi puxada pela distensão geopolítica que fez o Brent recuar, tema que tratamos em a revisão de demanda da OPEP e da AIE.
Em agosto há um contrapeso novo: o dólar subiu para R$ 5,22. Câmbio mais alto encarece insumo importado e tende a empurrar o atacado para cima. A deflação de 0,51% aconteceu apesar disso — o que sugere que a queda de commodities foi forte o bastante para vencer o efeito cambial. Se o dólar seguir subindo, essa conta pode virar nos próximos meses.
Como isso chega ao seu aluguel
Aqui está o erro mais comum. O reajuste de aluguel não usa a variação de um mês — usa o IGP-M acumulado em 12 meses até o mês de aniversário do contrato. Um mês negativo isolado reduz esse acumulado, mas não o zera.
Na prática: se o acumulado de 12 meses estiver em 2% quando seu contrato completar aniversário, o reajuste é de 2%, ainda que o último mês tenha sido negativo. E se o acumulado for negativo, o reajuste é negativo — o aluguel cai. Explicamos a mecânica completa em como calcular o reajuste do aluguel em 2026.
Uma conta prática
Suponha aluguel de R$ 2.500 com aniversário em setembro. Com IGP-M acumulado de 12 meses em 1%, o novo valor é R$ 2.525 — R$ 25 a mais. Com acumulado em zero, fica R$ 2.500. Com acumulado negativo de 1%, cai para R$ 2.475.
A diferença entre esses cenários é de R$ 50 por mês, ou R$ 600 no ano. Não é dramática, mas é a diferença entre um reajuste que dói e um que não dói. E vale lembrar: nada impede locador e inquilino de negociarem índice diferente na renovação. Muitos contratos migraram para IPCA justamente porque o IGP-M é volátil — comparamos os dois em IPCA ou IGP-M para o aluguel.
O que fica e o que não se sabe
O que está confirmado: o IGP-10 caiu 0,51% em agosto e o atacado segue em deflação. O que ainda não está: o IGP-M fechado de agosto, que a FGV divulga no fim do mês, e o acumulado de 12 meses resultante. Sem esse número, qualquer cálculo de reajuste é projeção.
Para o investidor, há um recado adicional. Títulos e fundos indexados ao IGP-M rendem pouco — ou negativo — em período de deflação no atacado. Quem tem fundos imobiliários de contratos atípicos corrigidos por IGP-M sente isso na distribuição mensal. É o outro lado da moeda de um índice em queda.
Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. IGP-10 de agosto de 2026 divulgado pela FGV em 17 de agosto de 2026. O IGP-M fechado do mês é divulgado posteriormente e pode divergir.
Perguntas frequentes
O que é o IGP-10?
É um índice geral de preços calculado pela FGV com coleta entre o dia 11 de um mês e o dia 10 do seguinte. Tem a mesma composição do IGP-M — 60% atacado, 30% consumidor e 10% construção — e sai antes, funcionando como prévia.
Quanto o IGP-10 variou em agosto de 2026?
Caiu 0,51%, após recuo de 1,13% em julho. É o segundo mês seguido de deflação no índice.
O aluguel vai cair por causa disso?
Não necessariamente. O reajuste usa o IGP-M acumulado em 12 meses até o aniversário do contrato, não a variação de um mês. Meses negativos reduzem esse acumulado, mas o reajuste só fica negativo se o acumulado de 12 meses também ficar.
Qual a diferença entre IGP-10, IGP-M e IGP-DI?
Apenas a janela de coleta. O IGP-10 apura do dia 11 ao 10, o IGP-M do dia 21 ao 20 e o IGP-DI do dia 1º ao 30. A composição dos três é idêntica.
Por que o atacado está em deflação se o dólar subiu?
Porque a queda dos preços internacionais de commodities, especialmente petróleo, foi mais forte que a pressão do câmbio. Se o dólar continuar subindo, esse equilíbrio pode se inverter nos próximos meses.



