A Irani Papel e Embalagem (RANI3) registrou lucro líquido de R$ 56,5 milhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 37,5% sobre o mesmo período do ano anterior, considerando também os negócios descontinuados. A receita líquida chegou ao recorde trimestral de R$ 456,6 milhões, impulsionada pelo maior volume vendido de embalagens de papelão ondulado.
Última cotação de RANI3 na B3: R$ 6,93 (-2,39% no dia) em 30/10/2026 (fonte: Brapi).
Resumo rápido
A Irani bateu recordes trimestrais de receita, produção de papel e EBITDA ajustado, indicador do resultado antes de juros, tributos e despesas contábeis como depreciação, com ajustes feitos pela companhia. O avanço das vendas de embalagens ajudou a elevar o resultado, enquanto a valorização contábil das florestas também contribuiu para o lucro. A dívida líquida caiu, e a empresa apresentou uma proposta de dividendos de aproximadamente R$ 14 milhões, ainda sujeita à deliberação do Conselho de Administração.
Principais pontos
- A receita líquida somou R$ 456,6 milhões, crescimento de 5,3% sobre o terceiro trimestre de 2025.
- O EBITDA ajustado das operações continuadas atingiu R$ 152 milhões, alta anual de 3,9%, com margem de 33,3%.
- A produção de papel alcançou 85,2 mil toneladas, novo recorde trimestral e avanço anual de 5,4%.
- As vendas de embalagens cresceram 11,5%, para 47,7 mil toneladas.
- A dívida líquida terminou o trimestre em R$ 991,5 milhões, e a alavancagem caiu para 1,89 vez.
- A proposta de dividendos corresponde a R$ 0,061093988 por ação, antes de eventuais mudanças na quantidade de ações considerada.
Lucro cresce, mas a valorização das florestas pesa na comparação
O lucro de R$ 56,5 milhões ficou 82,7% acima do segundo trimestre. Segundo a Irani, o crescimento veio principalmente do maior volume de vendas, da distribuição dos custos fixos por uma produção maior e da redução do saldo negativo entre receitas e despesas financeiras.
Na comparação anual, parte relevante do avanço veio da avaliação das florestas. A variação do valor justo dos ativos biológicos, nome contábil para a atualização do valor dessas florestas, foi positiva em R$ 26,3 milhões. Esse reconhecimento afeta o resultado, mas não representa entrada de dinheiro no caixa.
Excluído esse efeito, a companhia informou lucro líquido recorrente de R$ 39,6 milhões, alta de 1,9%. Portanto, o crescimento do resultado sem a valorização das florestas foi menor que o do lucro total.
Há também uma diferença de base: considerando apenas os negócios que continuam em operação, o lucro cresceu 34,3% sobre o terceiro trimestre de 2025. A alta de 37,5% inclui a atividade de resinas encerrada em 2025. Nos nove meses de 2026, o lucro total foi de R$ 106,9 milhões, queda de 47,6% sobre igual período anterior.
Mais papel virou embalagem dentro da própria Irani
As vendas de embalagens de papelão ondulado atingiram 47,7 mil toneladas, avanço de 8,3% sobre o segundo trimestre. A companhia atribuiu o desempenho à retomada de volumes depois de um período em que priorizou preços.
O crescimento anual de 11,5% superou a variação de -0,1% do mercado brasileiro, segundo os dados da Empapel reproduzidos no release. Com isso, a participação da Irani nesse mercado passou de 3,8% para 4,3%. Os números setoriais do trimestre são prévios e podem mudar no fechamento oficial.
A produção de papel, por sua vez, alcançou 85,2 mil toneladas. Segundo a companhia, a reforma da Máquina de Papel 05, no Projeto Gaia XI, ampliou a capacidade e permitiu a captura gradual de ganhos de produção.
Mesmo produzindo mais, a Irani vendeu menos papel para terceiros: foram 31,5 mil toneladas, queda anual de 5,2%. Isso reflete a destinação de mais papel para fabricar embalagens internamente. Essas transferências absorveram 63% da expedição, ante 57% um ano antes. Assim, produção maior e venda externa menor não são movimentos contraditórios neste resultado.
Resultado operacional avança, com margem menor que um ano antes
O EBITDA ajustado das operações continuadas chegou a R$ 152 milhões, recorde trimestral segundo a empresa. O indicador cresceu 15,5% sobre o segundo trimestre, além da alta anual de 3,9%.
A margem EBITDA ajustada, parcela da receita representada por esse resultado, ficou em 33,3%. Houve recuperação em relação aos 30,5% do trimestre anterior, mas redução frente aos 33,7% de um ano antes. Ou seja: o resultado aumentou em reais, sem acompanhar integralmente o ritmo da receita na comparação anual.
As aparas, material de papel usado como matéria-prima, tiveram aumento de 7,2% no custo de aquisição com frete em relação ao segundo trimestre. Frente ao terceiro trimestre de 2025, esse custo caiu 5%. Já as despesas com vendas cresceram 27,2% no ano, influenciadas por volumes e logística.
Na comparação sequencial, também deixou de ocorrer o impacto de R$ 4,5 milhões do Turbo Gerador 4 registrado no trimestre anterior. As duas bases respondem a perguntas diferentes, como explica a análise sobre comparações entre trimestres e com o mesmo período do ano anterior.
Dívida bruta aumenta, mas caixa maior reduz a dívida líquida
A dívida líquida, que desconta o dinheiro disponível em caixa da dívida bruta, encerrou setembro em R$ 991,5 milhões. O valor caiu 7,7% sobre junho e 7,5% em relação a setembro de 2025.
A dívida bruta seguiu na direção oposta e chegou a R$ 2,49 bilhões. O caixa, porém, aumentou para R$ 1,50 bilhão, após captações realizadas pela companhia. Por isso, o aumento do endividamento bruto não se traduziu em crescimento da dívida líquida.
Durante o trimestre, a Irani captou R$ 750 milhões com prazo de cinco anos e quitou antecipadamente R$ 158,6 milhões de operações mais caras. Segundo a companhia, a reorganização reduziu o custo e alongou o prazo médio da dívida, além de reservar recursos para um vencimento em agosto de 2027.
A alavancagem, relação entre dívida líquida e EBITDA ajustado acumulado em doze meses, recuou de 2,07 para 1,89 vez. O fluxo de caixa livre ajustado foi de R$ 96,6 milhões no trimestre. Essa medida exclui, entre outros itens, dividendos, recompras e investimentos da Plataforma Gaia.
Gaia XII prevê R$ 514 milhões e conclusão no fim de 2029
A Irani investiu R$ 40,6 milhões no trimestre e R$ 146,2 milhões nos nove meses de 2026. Os recursos foram concentrados principalmente em equipamentos e instalações.
No Gaia XII, projeto de expansão da produção de papel em Minas Gerais, a companhia informou ter consolidado definições técnicas e frentes de execução. O investimento previsto é de R$ 514 milhões, com ampliação de 60% da capacidade da Máquina de Papel 07. O término está previsto para o quarto trimestre de 2029.
O Gaia XI já contribui para a produção, mas ainda tem etapas a executar. A conclusão está prevista para o segundo trimestre de 2028. Já o Gaia X, ligado à impressão e à movimentação interna de materiais, teve o término reprogramado para o quarto trimestre de 2027.
A companhia também mudou o cálculo do retorno sobre o capital investido, indicador que relaciona o resultado operacional ao capital empregado. Pela metodologia atual, o retorno foi de 18,8% em doze meses. Pelo método anterior, ficou em 12,5%, estável sobre junho. A mudança de cálculo impede tratar a diferença entre esses percentuais como ganho operacional.
O que muda para o acionista
A proposta de dividendos referente ao trimestre soma R$ 13,984 milhões e corresponde a 25% do lucro usado como base para essa distribuição. O valor indicado é de R$ 0,061093988 por ação.
A distribuição ainda depende de deliberação do Conselho de Administração. O release não estabelece calendário de pagamento nem data de corte para definir quem terá direito. O valor por ação também pode mudar com a execução do programa de recompra, que altera a quantidade de ações considerada na divisão.
Para quem tem RANI3, o resultado reúne expansão de volumes, geração de caixa e redução da dívida líquida. Ao mesmo tempo, a leitura do lucro exige separar a contribuição contábil das florestas, enquanto os projetos industriais seguem com desembolsos e etapas de execução previstos para os próximos anos.
Perguntas frequentes
Quanto a Irani lucrou no terceiro trimestre?
A Irani registrou lucro líquido de R$ 56,5 milhões no terceiro trimestre de 2026. A alta foi de 37,5% considerando operações continuadas e descontinuadas, ou de 34,3% considerando apenas os negócios que permanecem em operação.
A Irani já aprovou os dividendos do trimestre?
Não: o release apresenta uma proposta que ainda será deliberada pelo Conselho de Administração. O montante é de R$ 13,984 milhões, equivalente a R$ 0,061093988 por ação, sujeito a alterações na quantidade de ações considerada.
Quando os dividendos vão cair na conta?
O release não informa a data de pagamento nem a data de corte para ter direito aos dividendos propostos. A distribuição ainda depende da deliberação do Conselho de Administração.
Por que a Irani produziu mais papel e vendeu menos?
A companhia destinou uma parcela maior do papel à fabricação das próprias embalagens de papelão ondulado. As transferências internas representaram 63% da expedição no trimestre, enquanto as vendas de papel para terceiros recuaram 5,2% na comparação anual.
Como a dívida líquida caiu se a dívida total aumentou?
O caixa aumentou mais que a dívida bruta, reduzindo o saldo líquido entre os dois. A Irani terminou setembro com dívida bruta de R$ 2,49 bilhões, caixa de R$ 1,50 bilhão e dívida líquida de R$ 991,5 milhões.
Ativos citados nesta matéria
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