Até 13 de agosto, o CDI rendeu 8,65% em 2026 — mais que o dobro do Ibovespa, que sobe 3,71%. E quem comprou dólar no começo do ano perdeu 4,62%. A renda fixa está ganhando de todo mundo, e com folga.
No acumulado de 2026 até 13 de agosto, o CDI rendeu 8,65%, à frente da poupança, com cerca de 5,13%, e do Ibovespa, que sobe 3,71%. O dólar acumula queda de 4,62%, saindo de R$ 5,4372 em 2 de janeiro para R$ 5,1859. Com o IPCA em 3,44% no ano, apenas o dólar entrega retorno real negativo entre as principais alternativas.
Principais pontos
- O CDI acumula 8,65% em 2026 até 13 de agosto, em 154 dias úteis.
- O Ibovespa sobe 3,71% no ano, mesmo após oito quedas consecutivas em agosto.
- A poupança rendeu cerca de 5,13% no período, com 0,67% ao mês.
- O dólar caiu 4,62%, de R$ 5,4372 em 2 de janeiro para R$ 5,1859.
- Com IPCA de 3,44% no ano, todas as opções superaram a inflação, exceto o dólar.
O placar do ano
O ranking de 2026 até agora tem um vencedor claro, e não é o mais glamouroso. Com a Selic partindo de 15% e ainda em 14,00%, o CDI acumulou 8,65% em pouco mais de sete meses e meio.
O Ibovespa sobe 3,71% no mesmo período — desempenho positivo, mas menos da metade do que a renda fixa entregou sem oscilação. E o dólar, que muita gente compra como proteção, acumula queda de 4,62%.
| Aplicação | 2026 até 13 de agosto |
|---|---|
| CDI | +8,65% |
| Poupança | ≈ +5,13% |
| Ibovespa | +3,71% |
| IPCA (até julho) | +3,44% |
| Dólar | −4,62% |
O que explica a liderança da renda fixa
Não há mistério: a Selic passou o ano em patamar historicamente alto. Começou 2026 em 15%, foi cortada quatro vezes e ainda está em 14,00%. Um investidor em CDB de 100% do CDI capturou praticamente todo esse rendimento, com liquidez e sem sustos.
É preciso descontar o imposto para comparar honestamente: um produto tributado a 15% entregaria cerca de 7,35% líquidos no período. Ainda assim, seria quase o dobro do Ibovespa — e sem os oito pregões seguidos de queda que a bolsa acabou de atravessar.
A bolsa que subiu e depois devolveu
Os 3,71% do Ibovespa escondem uma trajetória acidentada. O índice fechou 2025 em 161.125 pontos, subiu forte até fevereiro, quando alcançou 188.787 no fechamento mensal, e vem caindo desde então.
Em 13 de agosto, aos 167.100,95 pontos, está 11,49% abaixo daquele pico e acumula queda de 6,12% só em agosto. Quem entrou em janeiro ainda ganha; quem entrou em fevereiro perde.
É a diferença entre retorno de um índice e retorno de um investidor: o primeiro é uma linha, o segundo depende de quando se comprou. O balanço detalhado está em o Ibovespa em 2026.
A surpresa do dólar
O dado mais contraintuitivo do ranking é o câmbio. Apesar de o dólar estar subindo há quatro sessões seguidas e ter fechado a R$ 5,193 em 13 de agosto, ele acumula queda de 4,62% no ano — porque começou 2026 em R$ 5,4372.
Quem comprou moeda em janeiro como proteção perdeu dinheiro, mesmo com toda a turbulência recente. É um lembrete de que a alta de algumas semanas não define o ano, e de que dólar não é investimento de rendimento: é seguro de carteira, que protege em certos cenários e custa em outros.
Vale a ressalva: a alta atual pode continuar. O que a série mostra é que a moeda estava mais cara no início do ano do que está agora, o que muitos investidores não percebem por acompanharem apenas o movimento recente.
O que sobra depois da inflação
O IPCA acumula 3,44% em 2026 até julho. Comparando com esse referencial, todas as principais alternativas entregaram ganho real, com uma exceção.
O CDI, com 8,65% nominais, preserva folga confortável de poder de compra. A poupança, com 5,13%, entrega ganho real modesto. O Ibovespa, com 3,71%, praticamente empata com a inflação. E o dólar, com −4,62%, destrói poder de compra em termos reais.
O que isso não significa
Duas ressalvas honestas antes de qualquer conclusão. A primeira: sete meses e meio não é horizonte de investimento. A bolsa perde da renda fixa com frequência em janelas curtas e costuma ganhar em janelas longas — foi assim em ciclos anteriores, e nada garante que se repita, mas comparar classes por um período curto favorece sistematicamente a menos volátil.
A segunda: o ciclo está virando. A Selic caiu de 15% para 14,00% e o Focus projeta 12,00% em 2027. À medida que a taxa cai, o CDI entrega menos e a vantagem se estreita — e historicamente é quando os juros caem que a bolsa costuma reagir.
O que fazer com essa informação
A leitura útil não é “migrar tudo para renda fixa”, porque isso seria decidir olhando o retrovisor. É reconhecer que, com juros ainda altos, a barra de retorno que a renda variável precisa superar continua elevada — e que dinheiro de curto prazo não tem por que estar em bolsa.
Para o longo prazo, a decisão segue sendo de alocação conforme perfil e horizonte, com rebalanceamento periódico que, mecanicamente, faz comprar o que caiu. Vale ver alocação por perfil e idade, como rebalancear e quanto rende o CDI hoje.
Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. Rentabilidades acumuladas de 2 de janeiro a 13 de agosto de 2026, conforme séries do Banco Central e cotações de mercado; o CDI é apresentado em termos brutos e rentabilidade passada não indica resultado futuro.
Perguntas frequentes
Qual foi o melhor investimento de 2026 até agora?
O CDI, com 8,65% acumulados até 13 de agosto, à frente da poupança, com cerca de 5,13%, e do Ibovespa, com 3,71%. O dólar acumula queda de 4,62%.
Quanto o Ibovespa rendeu em 2026?
O índice sobe 3,71% no ano, mas está 11,49% abaixo do melhor patamar mensal, registrado em fevereiro, e acumula queda de 6,12% apenas em agosto.
Por que o dólar está negativo se subiu nas últimas semanas?
Porque começou o ano em R$ 5,4372 e estava em R$ 5,1859 em 13 de agosto. A alta de quatro sessões seguidas em agosto é recuperação parcial, não reversão do acumulado.
Todos os investimentos superaram a inflação?
Quase todos. Com IPCA de 3,44% no ano até julho, CDI, poupança e Ibovespa ficaram acima, ainda que a bolsa por margem estreita. Só o dólar entregou retorno real negativo.
Isso significa que devo sair da bolsa?
Não é a conclusão. Sete meses e meio não é horizonte de investimento, e a vantagem da renda fixa tende a se estreitar conforme a Selic cai, cenário em que historicamente a bolsa costuma reagir.



