O CDI caiu de 14,15% para 13,90% ao ano no dia 6 de agosto, um dia depois de o Copom cortar a Selic para 14,00%. A mudança já vale para o seu CDB, para o fundo DI e para a LCI — e muda a conta de quanto rende cada R$ 1.000 aplicado.
O CDI passou de 14,15% para 13,90% ao ano em 6 de agosto de 2026, acompanhando o corte da Selic para 14,00% decidido pelo Copom em 5 de agosto. Um CDB que paga 100% do CDI rende agora 13,90% brutos ao ano, o que dá 11,47% líquidos em uma aplicação de doze meses após o imposto de renda de 17,5%. A poupança rende 0,6698% ao mês, ou 8,35% ao ano.
Principais pontos
- O CDI recuou de 14,15% para 13,90% ao ano em 6 de agosto de 2026, conforme dados do Banco Central.
- Um CDB de 100% do CDI rende 13,90% brutos e 11,47% líquidos em aplicação de doze meses.
- Em R$ 100 mil aplicados por um ano, a queda de 0,25 ponto custa cerca de R$ 206 líquidos.
- A poupança rende 0,6698% ao mês, equivalentes a 8,35% ao ano, isentos de imposto.
- Descontado o IPCA de 4,64% em doze meses, o CDB de 100% do CDI ainda entrega cerca de 6,9% de ganho real.
O que aconteceu com o CDI
O CDI é a taxa média dos empréstimos que os bancos fazem entre si, de um dia para o outro, e caminha praticamente colada à Selic. Quando o Copom cortou a taxa básica de 14,25% para 14,00% em 5 de agosto, o CDI seguiu no dia seguinte: passou de 14,15% para 13,90% ao ano.
A defasagem de um dia é normal e explica um ruído comum. Quem consultou o CDI no próprio dia da decisão ainda viu 14,15%, porque a taxa só é apurada e publicada depois do fechamento. Quem investe em produto atrelado ao CDI passou a render pela taxa nova a partir do dia 6. O conceito está detalhado em o que é o CDI.
Quanto rende agora, líquido
O rendimento bruto é o que aparece na propaganda; o que importa é o que sobra. Na renda fixa tributada, o imposto de renda segue tabela regressiva: 22,5% até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% de 361 a 720 dias e 15% acima disso. Ele incide só sobre o rendimento, no resgate.
Um CDB de 100% do CDI mantido por um ano paga 13,90% brutos e cai para 11,47% líquidos depois dos 17,5% de imposto. Se o mesmo dinheiro ficar mais de dois anos, a alíquota vai a 15% e o líquido sobe para 11,82% ao ano.
| Valor aplicado | Rendimento bruto (1 ano) | IR (17,5%) | Líquido |
|---|---|---|---|
| R$ 1.000 | R$ 139,00 | R$ 24,33 | R$ 114,67 |
| R$ 5.000 | R$ 695,00 | R$ 121,63 | R$ 573,37 |
| R$ 10.000 | R$ 1.390,00 | R$ 243,25 | R$ 1.146,75 |
| R$ 50.000 | R$ 6.950,00 | R$ 1.216,25 | R$ 5.733,75 |
| R$ 100.000 | R$ 13.900,00 | R$ 2.432,50 | R$ 11.467,50 |
Quanto custou o corte, na prática
Vale dimensionar o estrago antes de tomar qualquer decisão apressada. Quem tem R$ 100 mil em um CDB de 100% do CDI ganhava R$ 14.150 brutos por ano com a taxa antiga e passa a ganhar R$ 13.900. A diferença é de R$ 250 brutos, ou cerca de R$ 206 líquidos em doze meses — R$ 17 por mês.
É pouco para justificar mudar toda a carteira, e esse é o ponto. O erro clássico depois de um corte de juros é migrar às pressas para produtos mais arriscados atrás dos pontos percentuais perdidos, assumindo um risco desproporcional ao ganho. Vale mais atenção ao percentual do CDI que o banco oferece: sair de 95% para 105% do CDI muda mais o resultado do que o corte da Selic tirou.
A comparação que decide onde deixar o dinheiro
Com o CDI a 13,90%, a distância para a poupança continua enorme. A caderneta rende hoje 0,6698% ao mês, o que equivale a 8,35% ao ano — regra de 0,5% ao mês mais a TR, válida enquanto a Selic estiver acima de 8,5%. É isento de imposto, mas mesmo assim perde com folga.
Já as isentas mudam a conta de verdade. Uma LCI de 90% do CDI paga 12,51% ao ano sem imposto algum, mais que os 11,47% líquidos do CDB de 100% do CDI. Percentual menor com isenção pode render mais que percentual maior com tributação — é a razão de comparar sempre pelo líquido.
| Produto (R$ 10 mil por 1 ano) | Taxa | Rendimento líquido |
|---|---|---|
| Poupança | 0,6698% ao mês | R$ 835,00 |
| CDB 100% do CDI | 13,90% ao ano | R$ 1.146,75 |
| Tesouro Selic | 14,00% ao ano | R$ 1.155,00 |
| LCI 90% do CDI (isenta) | 12,51% ao ano | R$ 1.251,00 |
| CDB 110% do CDI | 15,29% ao ano | R$ 1.261,42 |
O que sobra depois da inflação
Rendimento nominal não paga contas — o que paga é o ganho acima da inflação. O IPCA acumulava 4,64% em doze meses até junho, último dado fechado disponível; o índice de julho será divulgado nesta terça-feira (11).
Com o CDB de 100% do CDI entregando 11,82% líquidos no prazo acima de dois anos, o ganho real fica em torno de 6,9% ao ano — e a conta correta é por divisão, não por subtração: 1,1182 dividido por 1,0464. A poupança, nos mesmos termos, entrega cerca de 3,5% reais. Continua sendo um dos momentos mais generosos da renda fixa brasileira em décadas, ainda que menos do que era há um ano.
Prefixado ou pós-fixado agora
Com o ciclo de cortes em andamento — foram quatro reduções consecutivas de 0,25 ponto desde março — o pós-fixado passa a render menos a cada corte, enquanto o prefixado trava a taxa de hoje até o vencimento. Isso torna o prefixado tentador, e ele realmente protege quem acredita que os juros vão cair mais.
O preço dessa proteção é a marcação a mercado: quem precisar do dinheiro antes do vencimento pode resgatar por menos do que aplicou, se os juros subirem no caminho. A regra prática é usar prefixado apenas com dinheiro que você tem certeza de que não vai precisar antes da data, e manter reserva de emergência em pós-fixado de liquidez diária. O tema está aprofundado em travar taxa no prefixado e em marcação a mercado.
O que fazer com essa informação
Três movimentos concretos valem mais que qualquer previsão. O primeiro é conferir o percentual do CDI que o seu banco paga hoje: contas digitais que rendem 100% do CDI com liquidez diária existem, e muita gente ainda mantém reserva em produto que paga 85%. O segundo é checar se você está pagando imposto por resgatar cedo demais — cruzar a data de vencimento com a tabela regressiva do IR às vezes recomenda esperar poucas semanas.
O terceiro é comparar pelo líquido, sempre. Para simular valores diferentes dos da tabela, a área de calculadoras e os comparadores de investimentos fazem a conta com o prazo e a alíquota corretos.
Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. Taxas de CDI, poupança e IPCA conforme séries do Banco Central e do IBGE na data de publicação; rendimentos futuros não são garantidos e produtos bancários dependem da instituição emissora.
Perguntas frequentes
Quanto está o CDI hoje?
O CDI está em 13,90% ao ano desde 6 de agosto de 2026, quando recuou de 14,15% após o Copom cortar a Selic para 14,00% na reunião de 5 de agosto.
Quanto rende R$ 10 mil em um CDB de 100% do CDI?
Em uma aplicação de doze meses, R$ 10 mil rendem R$ 1.390 brutos. Descontado o imposto de renda de 17,5% para esse prazo, sobram R$ 1.146,75 líquidos.
A poupança ficou melhor com a queda do CDI?
Não. A poupança rende 0,6698% ao mês, ou 8,35% ao ano, enquanto um CDB de 100% do CDI entrega 11,47% líquidos em um ano. A diferença segue grande mesmo com a isenção da caderneta.
Vale mais uma LCI de 90% do CDI ou um CDB de 100%?
A LCI, na maioria dos prazos. Sem imposto, 90% do CDI equivalem a 12,51% líquidos ao ano, acima dos 11,47% líquidos do CDB de 100% do CDI em doze meses.
Quanto sobra do CDI depois da inflação?
Com o IPCA em 4,64% nos doze meses até junho, um CDB de 100% do CDI mantido por mais de dois anos entrega cerca de 6,9% de ganho real ao ano, calculado por divisão e não por subtração.



