O Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais paga ao investidor, a cada seis meses, um cupom de 6% ao ano (cerca de 2,956% por semestre) sobre o valor do título corrigido pela inflação. No fim de setembro de 2026, os títulos com cupom eram vendidos a taxas próximas de IPCA + 7% ao ano. Os pagamentos semestrais servem para quem quer renda, mas antecipam o Imposto de Renda e exigem reinvestir o dinheiro.
O Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais, também chamado de NTN-B, rende a inflação mais uma taxa fixa e paga juros a cada seis meses. O cupom é de 6% ao ano sobre o valor nominal atualizado pelo IPCA, cerca de 2,956% por semestre. Cada cupom sofre Imposto de Renda pela tabela regressiva, e o principal é devolvido no vencimento.
Principais pontos
- O título paga cupom de 6% ao ano sobre o valor corrigido pelo IPCA, o equivalente a 2,956% por semestre.
- Títulos com vencimento em maio pagam cupons em maio e novembro; os com vencimento em agosto, em fevereiro e agosto.
- Cada cupom tem Imposto de Renda retido pela tabela regressiva, de 22,5% a 15%.
- Em 30 de setembro de 2026, o IPCA+ com juros semestrais 2045 era negociado a IPCA + 7,09% ao ano.
- A taxa de 6% do cupom não é a rentabilidade: o retorno é a taxa contratada na compra, se levado ao vencimento.
O que é o Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais
É um título público federal, conhecido no mercado como NTN-B, que paga a variação do IPCA mais uma taxa de juros definida no momento da compra. A diferença em relação ao Tesouro IPCA+ comum, a NTN-B Principal, é a forma de pagamento: em vez de receber tudo no vencimento, o investidor recebe juros a cada seis meses e o valor principal no fim.
No Tesouro Direto, os títulos com cupom disponíveis no fim de setembro de 2026 incluíam os vencimentos 2037, 2045 e 2060. Por pagar renda periódica protegida da inflação, o título é muito usado por fundos de pensão e por pessoas físicas que querem complementar a aposentadoria. Para comparar com outras opções do Tesouro, veja Tesouro IPCA+ ou prefixado: qual escolher.
Como o cupom é calculado
O cupom é de 6% ao ano, o que corresponde a cerca de 2,956% por semestre em regime composto. Ele incide sobre o Valor Nominal Atualizado (VNA), que é o valor de face do título, R$ 1.000 na data-base de julho de 2000, corrigido pelo IPCA acumulado desde então. Como o VNA sobe com a inflação, o cupom em reais também sobe ao longo do tempo.
Um ponto que confunde muita gente: os 6% do cupom não são a rentabilidade do investimento. Se o investidor compra o título a IPCA + 7%, ele paga um preço abaixo do valor de face, com deságio, e o retorno total até o vencimento será de IPCA + 7%. Se compra a IPCA + 5%, paga acima, com ágio. O cupom é fixo; o que muda é o preço de entrada.
| Cupom semestral sobre R$ 10.000 de VNA | Alíquota de IR | Cupom líquido |
|---|---|---|
| Cupom bruto (2,956%) | – | R$ 295,63 |
| Título mantido até 180 dias | 22,5% | R$ 229,11 |
| De 181 a 360 dias | 20% | R$ 236,50 |
| De 361 a 720 dias | 17,5% | R$ 243,89 |
| Acima de 720 dias | 15% | R$ 251,29 |
Quando os juros são pagos
As datas dependem do mês de vencimento do título. As NTN-B que vencem em 15 de maio, como as de 2035 e 2045, pagam cupons em 15 de maio e 15 de novembro. As que vencem em 15 de agosto, como a de 2060, pagam em 15 de fevereiro e 15 de agosto. Em feriado, o pagamento vai para o dia útil seguinte.
O dinheiro cai na conta da corretora já líquido do Imposto de Renda. Ele não é reinvestido automaticamente no título: cabe ao investidor decidir o que fazer com o cupom. No vencimento, o último cupom é pago junto com o principal corrigido.
Como o Imposto de Renda incide sobre os cupons
Cada cupom é tratado como um resgate parcial e sofre Imposto de Renda retido na fonte pela tabela regressiva da renda fixa, que leva em conta o tempo desde a compra. Quem tem o título há até 180 dias na data do cupom tem alíquota de 22,5%; depois de dois anos, ela cai para 15%. Veja os detalhes em tabela regressiva do IR na renda fixa.
O efeito é que o imposto é pago antes do que no Tesouro IPCA+ sem cupom, em que todo o IR é recolhido só no resgate ou no vencimento. Esse adiamento do imposto, no título sem cupom, deixa mais dinheiro rendendo por mais tempo. Para quem não precisa da renda, a versão com cupom tende a render um pouco menos ao fim do prazo.
Com cupom ou sem cupom: qual escolher
O título com juros semestrais faz sentido para quem precisa de renda periódica, como aposentados que querem complementar o orçamento com dinheiro protegido da inflação. Também é útil para quem quer reduzir a volatilidade: como parte do dinheiro volta antes, o título com cupom tem duration menor e oscila um pouco menos com as taxas de juros do que o equivalente sem cupom.
Para quem está acumulando patrimônio e não precisa da renda agora, o título sem cupom costuma ser mais eficiente, porque evita o risco de reinvestimento e adia o imposto. Quem quer renda mensal na aposentadoria pode considerar também o Tesouro Renda+, que paga 240 parcelas mensais.
O risco de reinvestimento
A taxa contratada na compra, como IPCA + 7%, só se confirma integralmente se cada cupom for reinvestido à mesma taxa. Se as taxas dos títulos públicos caírem nos anos seguintes, o investidor vai aplicar os cupons a juros menores, e o retorno total da estratégia ficará abaixo do contratado. Esse é o chamado risco de reinvestimento.
Por outro lado, se as taxas subirem, os cupons poderão ser aplicados a juros maiores. Como os pagamentos não são automáticos, vale planejar o destino do dinheiro antes das datas de cupom, seja na compra de mais títulos, seja no orçamento do mês.
Marcação a mercado e venda antes do vencimento
Como todo título do Tesouro com taxa travada, o IPCA+ com juros semestrais tem preço que varia diariamente. Quando as taxas de mercado sobem, o preço cai; quando caem, o preço sobe. Em 30 de setembro de 2026, por exemplo, o título 2045 recuou de IPCA + 7,20% para 7,09% ao ano, o que valorizou quem já tinha o papel.
Quem leva o título até o vencimento recebe a taxa contratada, independentemente dessas oscilações. Quem vende antes pode ganhar ou perder em relação a essa taxa. O Tesouro Nacional garante a recompra diária. Entenda o mecanismo em marcação a mercado no Tesouro Direto.
Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. Taxas do Tesouro Direto variam ao longo do dia; valores de cupom ilustrativos, sem taxa de custódia.
Perguntas frequentes
Como funciona o Tesouro IPCA+ com juros semestrais?
O título rende a inflação mais uma taxa fixa definida na compra e paga juros a cada seis meses. O cupom é de 6% ao ano sobre o valor corrigido pelo IPCA, e o principal é devolvido no vencimento.
Quanto paga o cupom do Tesouro IPCA+ com juros semestrais?
O cupom é de 6% ao ano, cerca de 2,956% por semestre, sobre o valor nominal atualizado pelo IPCA. Para cada R$ 10 mil de valor atualizado, o cupom bruto é de cerca de R$ 295,63 por semestre.
Quando o Tesouro IPCA+ com juros semestrais paga os juros?
Títulos com vencimento em maio, como 2035 e 2045, pagam em 15 de maio e 15 de novembro. Os com vencimento em agosto, como 2060, pagam em 15 de fevereiro e 15 de agosto.
Tem imposto de renda nos juros semestrais do Tesouro?
Sim. Cada cupom tem Imposto de Renda retido na fonte pela tabela regressiva, de 22,5% para quem tem o título há até 180 dias a 15% acima de 720 dias. O valor cai líquido na conta.
É melhor Tesouro IPCA+ com ou sem juros semestrais?
O título com juros semestrais serve para quem precisa de renda periódica. Para quem está acumulando patrimônio, o sem cupom costuma ser mais eficiente, porque adia o imposto e evita o risco de reinvestimento.



