O Copom cortou a Selic para 14% ao ano em 5 de agosto, o quarto corte consecutivo de 0,25 ponto. A decisão em si já estava no preço. O que o mercado ainda não sabe — e vai procurar na ata que sai na terça-feira, 11 de agosto, às 8h — é onde esse ciclo termina e em que ritmo.
A ata da reunião do Copom de 4 e 5 de agosto de 2026 será divulgada em 11 de agosto, às 8h. O comitê cortou a Selic de 14,25% para 14,00% ao ano, no quarto corte seguido de 0,25 ponto. O documento deve indicar o ritmo dos próximos passos e a taxa terminal do ciclo, com a próxima reunião marcada para 15 e 16 de setembro.
Principais pontos
- A ata do Copom de agosto sai em 11 de agosto de 2026, às 8h.
- A Selic foi cortada de 14,25% para 14,00% ao ano, quarto corte consecutivo de 0,25 ponto.
- A próxima reunião do comitê ocorre em 15 e 16 de setembro.
- O boletim Focus projeta Selic em 13,75% no fim de 2026 e 12,00% em 2027.
- Restam três reuniões em 2026: setembro, novembro e dezembro.
Por que a ata importa mais que a decisão
O corte de 0,25 ponto era esperado por praticamente todo o mercado. Quando uma decisão vem em linha com o consenso, ela não carrega informação nova — o preço dos ativos já a incorporou dias antes.
A ata é diferente. Publicada seis dias úteis depois, ela detalha o debate: quais riscos o comitê considerou, o que mudou na avaliação desde a reunião anterior, quais condições precisariam se materializar para acelerar ou interromper os cortes. É nesse texto que gestores procuram pistas sobre as próximas decisões, e é por isso que a curva de juros costuma se mexer mais na manhã da ata do que no dia do anúncio.
As três perguntas que o documento precisa responder
A primeira é o ritmo. O comitê vem cortando 0,25 ponto por reunião desde março. Manter esse passo nas três reuniões restantes levaria a Selic a 13,25% em dezembro — abaixo do que o mercado projeta hoje.
A segunda é a taxa terminal: onde o ciclo para. A terceira é o balanço de riscos — o que faria o comitê mudar de ideia. Câmbio, contas públicas e o cenário externo entram nessa lista, e a forma como a ata hierarquiza esses fatores diz muito sobre a disposição do Banco Central de continuar cortando.
O que o mercado projeta hoje
| Referência | Projeção |
|---|---|
| Selic atual | 14,00% ao ano |
| Selic no fim de 2026 (Focus) | 13,75% |
| Selic no fim de 2027 (Focus) | 12,00% |
| Reuniões restantes em 2026 | 15-16/set, 3-4/nov, 8-9/dez |
A projeção de 13,75% no fim de 2026 embute apenas mais um corte de 0,25 ponto em três reuniões. Ou seja: o mercado espera que o Copom pare, ou desacelere bastante, antes do fim do ano. Se a ata sinalizar disposição de continuar cortando em todas as reuniões, essa projeção terá de ser revista — e a curva de juros se ajusta na hora.
Como o ciclo chegou até aqui
A Selic bateu 15% entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, o pico do aperto. Os cortes começaram em março, com 0,25 ponto, e se repetiram em abril e em 17 de junho, quando a taxa foi de 14,50% para 14,25%. Não houve reunião em julho. O corte de agosto é, portanto, o quarto da sequência.
Quatro cortes de 0,25 ponto em cinco meses configuram um ciclo deliberadamente lento. Bancos centrais costumam adotar esse passo quando querem reduzir juros sem sinalizar pressa — preservando a opção de parar caso a inflação ou o câmbio surpreendam.
O que pode travar a continuidade dos cortes
Três fatores aparecem com frequência nas análises. O câmbio é o mais imediato: com o dólar perto de R$ 5,12, o real vem ajudando a inflação, mas uma reversão encareceria importados e pressionaria os preços. O segundo é o quadro fiscal, que afeta o prêmio exigido pelos investidores para financiar a dívida pública.
O terceiro é o calendário eleitoral. A campanha oficial começa em 16 de agosto, e períodos eleitorais historicamente elevam a volatilidade dos ativos brasileiros — o que pode chegar ao câmbio e, por essa via, à inflação. A relação está detalhada em como o mercado precifica o ano eleitoral.
O que isso significa para o seu dinheiro
Para quem investe em renda fixa, a leitura sobre a taxa terminal é o que realmente importa. Se o ciclo terminar perto de 13,75%, prefixados e títulos atrelados à inflação comprados hoje travam taxas historicamente altas. Se os cortes seguirem até 12% em 2027, como projeta o Focus, quem ficou apenas em pós-fixado verá o rendimento cair junto com a Selic.
Para quem tem dívida, o efeito é mais lento do que parece. Contratos já assinados com taxa fixa não mudam, como explica a matéria sobre por que a prestação do financiamento não cai junto com a Selic. O corte afeta principalmente novas operações.
Onde acompanhar
A ata é publicada no site do Banco Central às 8h da terça-feira seguinte à decisão — neste caso, 11 de agosto. O calendário completo das reuniões e das atas do ano está em calendário do Copom 2026, e a taxa vigente fica sempre atualizada em Selic hoje.
Para entender a mecânica da decisão e como ela chega ao bolso, vale a leitura de como o Copom afeta o seu bolso.
Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. Projeções de mercado mudam a cada semana e não garantem resultado futuro.
Perguntas frequentes
Quando sai a ata do Copom de agosto de 2026?
A ata da reunião de 4 e 5 de agosto será divulgada na terça-feira, 11 de agosto de 2026, às 8h, no site do Banco Central. O documento sai sempre na terça seguinte à decisão.
Qual é a taxa Selic atual?
A Selic está em 14,00% ao ano, após o corte de 0,25 ponto decidido em 5 de agosto de 2026. Foi a quarta redução consecutiva desde o pico de 15% registrado entre novembro de 2025 e janeiro de 2026.
Quando é a próxima reunião do Copom?
A próxima reunião ocorre em 15 e 16 de setembro de 2026. Depois dela, restam mais duas no ano: 3 e 4 de novembro e 8 e 9 de dezembro.
Até quanto a Selic deve cair?
O boletim Focus projeta 13,75% no fim de 2026 e 12,00% no fim de 2027. São projeções de mercado revisadas semanalmente, não compromissos do Banco Central.
Por que a ata mexe mais com o mercado do que a decisão?
Porque a decisão costuma vir em linha com o consenso e já está nos preços. A ata traz informação nova sobre ritmo, taxa terminal e riscos, e é nela que gestores buscam pistas das próximas reuniões.



