O Bradesco fechou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido recorrente de R$ 7,05 bilhões, alta de 16,2% sobre o mesmo período de 2025 e um pouco acima do consenso de mercado, que projetava R$ 6,99 bilhões. O retorno sobre o patrimônio subiu para 16,2%, o décimo trimestre seguido de melhora desde o início da reestruturação do banco.
O Bradesco lucrou R$ 7,05 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 16,2% em um ano, com ROE de 16,2%. O número superou levemente a projeção de R$ 6,99 bilhões do consenso Bloomberg. É o décimo trimestre consecutivo de avanço na rentabilidade, o que colocou o banco à frente do Santander Brasil, mas ainda distante do Itaú.
Principais pontos
- Lucro líquido recorrente de R$ 7,05 bilhões no 2T26, alta de 16,2% em relação ao 2T25.
- O consenso Bloomberg projetava R$ 6,99 bilhões — o resultado veio pouco acima.
- ROE de 16,2%, avanço de 1,6 ponto percentual em doze meses.
- Décimo trimestre seguido de melhora desde o começo do processo de virada.
- Na comparação do trimestre, Itaú entregou ROE de 24,3% e Santander Brasil, 12,5%.
O que o Bradesco reportou no segundo trimestre
O balanço divulgado em 5 de agosto de 2026 mostrou lucro líquido recorrente de R$ 7,05 bilhões entre abril e junho. A comparação relevante é com o mesmo trimestre do ano anterior: alta de 16,2%. O mercado esperava algo perto de R$ 6,99 bilhões, segundo o consenso compilado pela Bloomberg, então o banco entregou um resultado marginalmente melhor do que o previsto.
A diferença entre lucro contábil e lucro recorrente costuma confundir quem lê balanço de banco pela primeira vez. O recorrente exclui eventos que não devem se repetir — venda de ativos, provisões extraordinárias, efeitos fiscais pontuais. É o número que analistas usam para projetar os trimestres seguintes, e por isso é o que aparece nas manchetes.
Por que o ROE de 16,2% é o número mais importante do balanço
O retorno sobre o patrimônio líquido, ou ROE, mede quanto o banco gera de lucro para cada real de capital dos acionistas. O Bradesco chegou a 16,2%, avanço de 1,6 ponto percentual em doze meses. Esse indicador diz mais sobre a saúde da operação do que o lucro absoluto, porque um banco pode aumentar o lucro simplesmente crescendo de tamanho, sem ficar mais eficiente.
Há um detalhe que dá peso ao número: com a Selic em 14% ao ano, o custo de capital de um banco brasileiro fica alto. Se o acionista consegue 14% em um título público, uma instituição que rende menos do que isso está destruindo valor. Ao entregar 16,2%, o Bradesco voltou a superar esse patamar — algo que não acontecia de forma consistente durante o período mais duro da crise de crédito da carteira de pessoa física.
Dez trimestres de virada: o que mudou desde 2024
O resultado marca o décimo trimestre consecutivo de melhora. O plano conduzido pela atual gestão passou por três frentes principais: limpeza da carteira de crédito, com redução da exposição a clientes de maior risco; corte de estrutura, incluindo fechamento de agências; e reposicionamento na disputa por clientes de renda mais alta, onde a rentabilidade por conta é maior.
Esse tipo de reestruturação aparece devagar nos números. A inadimplência leva trimestres para melhorar, porque a carteira antiga precisa vencer ou ser baixada antes que a nova, mais saudável, domine o balanço. É exatamente esse processo que a sequência de dez trimestres descreve.
Como o Bradesco se compara aos rivais
O trimestre permitiu ao Bradesco passar o Santander Brasil, que encerrou o período com ROE de 12,5%. Mas a distância para o líder continua grande: o Itaú reportou ROE de 24,3%, com lucro recorrente de R$ 12,4 bilhões no mesmo intervalo.
| Banco | Lucro recorrente 2T26 | ROE |
|---|---|---|
| Itaú Unibanco | R$ 12,4 bilhões | 24,3% |
| Bradesco | R$ 7,05 bilhões | 16,2% |
| Santander Brasil | queda de 17,6% no lucro | 12,5% |
Oito pontos percentuais de diferença no ROE entre Itaú e Bradesco significam que, para cada R$ 100 de capital, um gera R$ 24,30 por ano e o outro R$ 16,20. Fechar essa distância é o desafio declarado da gestão, e nenhum trimestre isolado resolve isso.
O efeito da Selic em queda sobre os bancos
O corte da Selic para 14% ao ano, decidido no dia anterior à divulgação, tem efeito duplo sobre um banco de varejo. De um lado, juros menores reduzem a receita da tesouraria e o ganho com o capital próprio aplicado em títulos. De outro, aliviam o orçamento das famílias, o que tende a melhorar a inadimplência e permitir que a carteira de crédito volte a crescer.
Para um banco que passou os últimos dois anos limpando carteira, o segundo efeito tende a pesar mais. É por isso que boa parte dos analistas trata o começo de um ciclo de queda de juros como ambiente favorável para bancos de varejo, mesmo com a perda de receita financeira imediata.
O que isso significa para quem tem a ação
Um resultado dentro do esperado raramente move muito o preço no dia — o mercado já havia embutido a expectativa de R$ 6,99 bilhões. O que costuma mexer com a ação é a leitura sobre o futuro: a margem financeira está crescendo? A inadimplência recuou? As despesas continuam sob controle?
Vale lembrar que rentabilidade passada não garante repetição. Dez trimestres de melhora mostram consistência, mas não asseguram o décimo primeiro. Quem acompanha o setor pode comparar múltiplos e indicadores entre instituições na ferramenta de comparação de ativos e conferir o histórico de proventos na agenda de dividendos.
Como acompanhar os próximos números
A temporada de balanços do segundo trimestre ainda não terminou. O Banco do Brasil, último dos grandes bancos de capital aberto a reportar, divulga em 12 de agosto. Até lá, o placar do setor fica incompleto — e o BB tem dinâmica própria, muito ligada ao crédito rural, que não se compara diretamente à dos bancos privados.
Se você está começando a ler demonstrações financeiras, o passo a passo de como ler o balanço de um banco explica por que margem financeira, inadimplência e índice de eficiência dizem mais do que o lucro isolado.
Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. Resultados passados não garantem desempenho futuro. Cotações e projeções variam ao longo do dia.
Perguntas frequentes
Quanto o Bradesco lucrou no segundo trimestre de 2026?
O Bradesco registrou lucro líquido recorrente de R$ 7,05 bilhões no 2T26, alta de 16,2% frente ao mesmo trimestre de 2025. O consenso Bloomberg projetava R$ 6,99 bilhões, então o resultado ficou pouco acima do esperado.
Qual foi o ROE do Bradesco no 2T26?
O retorno sobre o patrimônio líquido ficou em 16,2%, avanço de 1,6 ponto percentual em doze meses. Com a Selic a 14% ao ano, esse patamar significa que o banco voltou a superar seu custo de capital.
O Bradesco está lucrando mais que o Itaú?
Não. No segundo trimestre de 2026, o Itaú reportou lucro recorrente de R$ 12,4 bilhões e ROE de 24,3%, contra R$ 7,05 bilhões e 16,2% do Bradesco. O Bradesco superou o Santander Brasil, que ficou com ROE de 12,5%.
O que é lucro recorrente e por que ele é diferente do lucro contábil?
O lucro recorrente exclui eventos que não devem se repetir, como venda de ativos e provisões extraordinárias. É a métrica usada por analistas para projetar trimestres futuros, por refletir melhor a operação do dia a dia.
Quando o Banco do Brasil divulga o balanço do segundo trimestre?
O Banco do Brasil está previsto para divulgar seu resultado do 2T26 em 12 de agosto de 2026, fechando a temporada dos grandes bancos de capital aberto. Datas de divulgação podem ser alteradas pelas companhias.



