Toda aplicação de renda fixa tem uma dessas três formas de remuneração, e a escolha entre elas importa mais que a escolha do banco. Prefixado trava a taxa. Pós-fixado acompanha a Selic. Híbrido paga inflação mais um juro real. Com a Selic em 14% e caindo, cada um responde a uma pergunta diferente.
Prefixado define a taxa no momento da compra e não muda até o vencimento. Pós-fixado acompanha um indexador de curto prazo, normalmente o CDI ou a Selic. Híbrido combina a variação da inflação com um juro real fixo. A escolha depende do prazo do objetivo, da necessidade de liquidez e da expectativa de trajetória de juros, e o mais comum é combinar os três.
Principais pontos
- No prefixado a taxa é definida na compra e não muda até o vencimento.
- No pós-fixado o rendimento acompanha o CDI ou a Selic, que estão em movimento.
- No híbrido, o retorno é a inflação medida mais um juro real contratado.
- Prefixado e híbrido sofrem marcação a mercado se vendidos antes do vencimento.
- O pós-fixado atrelado à Selic é o único que praticamente não oscila de preço.
Prefixado: você sabe quanto vai receber
No prefixado, a taxa é definida no momento da compra e não muda mais. Se você compra a 13% ao ano com vencimento em três anos, receberá exatamente isso — independentemente do que a Selic fizer no caminho.
A vantagem é a previsibilidade absoluta: dá para saber o valor exato no vencimento, em reais, no dia da compra. A desvantagem é o outro lado da mesma moeda: se os juros subirem, você fica travado numa taxa que ficou ruim. E se precisar vender antes, sofre marcação a mercado — com juros mais altos, o preço do título cai.
Pós-fixado: acompanha o movimento
No pós-fixado, o rendimento acompanha um indexador de curto prazo — normalmente o CDI ou a Selic. Um CDB que paga 100% do CDI rende o que o CDI render: em 2026, o CDI acumulou 9,27% até o fim de agosto.
A característica decisiva não é a taxa: é que o pós-fixado atrelado à Selic praticamente não oscila de preço. Se você precisar resgatar antes, recebe o que rendeu até ali, sem sustos. É por isso que ele é o instrumento correto para reserva de emergência — não pelo retorno, mas pela ausência de surpresa.
| Tipo | Como remunera | Oscila de preço? | Melhor para |
|---|---|---|---|
| Pós-fixado | CDI ou Selic | Praticamente não (Selic) | Reserva e curto prazo |
| Prefixado | Taxa fixa contratada | Sim | Travar taxa com data definida |
| Híbrido | Inflação + juro real | Sim | Objetivo longo, proteção de poder de compra |
Híbrido: protege o poder de compra
O híbrido paga a variação de um índice de inflação mais um juro real fixo. O formato dominante no Brasil é o IPCA mais uma taxa — o Tesouro IPCA+ e os CDBs, CRIs e debêntures indexados ao IPCA.
A grande virtude é garantir ganho acima da inflação, seja qual for ela. Um título IPCA mais 7% entrega 7% de poder de compra adicional, e é isso que faz dele o instrumento natural de objetivos longos — faculdade de filho, aposentadoria. A escolha do indexador importa: o IGP-M acumula 2,16% em 12 meses contra 4,24% do IPCA-15, e os motivos estão em por que os dois índices divergem.
O que o cenário atual sugere
Vale olhar os números de hoje sem transformá-los em recomendação. A Selic está em 14% e o Boletim Focus projeta 13,75% para o fim de 2026, com expectativas em torno de 12% para 2027 nas leituras recentes.
Um cenário de queda de juros favorece, em teoria, quem trava taxa alta agora — prefixado e híbrido. Mas há um contrapeso relevante que apareceu em agosto: com o Fed sinalizando aperto, o espaço do Copom para cortar diminuiu. Ou seja: a tese de travar taxa continua defensável, e a probabilidade de estar certa caiu. Isso é argumento para dividir, não para escolher um lado.
A regra que resolve na prática
Em vez de tentar acertar a direção dos juros, use o prazo do objetivo como critério. É a decisão que não depende de previsão.
Dinheiro que pode ser necessário a qualquer momento vai para pós-fixado com liquidez diária, porque o que se compra ali é ausência de oscilação. Objetivo com data conhecida — comprar carro em três anos, casamento em dois — combina com prefixado ou híbrido com vencimento na data, e casar o vencimento elimina o risco de marcação a mercado. Objetivo de longo prazo vai para híbrido, porque em vinte anos a inflação é o risco principal, não o juro.
Como o imposto entra na conta
A tributação é a mesma nas três modalidades quando o produto é tributado: tabela regressiva de 22,5% a 15% conforme o prazo, sobre o rendimento. Isso significa que o tipo de remuneração não muda o imposto.
O que muda o imposto é o produto. LCI, LCA e debêntures incentivadas são isentas de imposto de renda para pessoa física, e um título isento a 90% do CDI pode superar um CDB tributado a 105%. A comparação correta é sempre líquida, e a tabela está em tabela regressiva do IR na renda fixa.
O erro mais comum
É escolher pela taxa mais alta da vitrine, sem olhar prazo nem liquidez. Um prefixado de 14% para cinco anos parece melhor que um pós-fixado a 100% do CDI — até você precisar do dinheiro no ano dois e descobrir que o preço do título caiu.
O segundo erro é concentrar tudo num tipo por convicção sobre juros. Ninguém acerta consistentemente a trajetória da Selic, incluindo o mercado — o Focus revisa as próprias projeções toda semana. Distribuir entre as três modalidades é a forma de não depender de acertar.
O que isso significa para você
Três leituras. Sobre estrutura: comece pelo pós-fixado com liquidez até completar a reserva de emergência. Antes disso, discutir prefixado é otimizar a parte errada do problema.
Sobre travar taxa: se você tem objetivo com data, casar o vencimento do título com a data é a decisão mais eficiente que existe em renda fixa — elimina o risco de preço sem custar nada.
Sobre o que comparar: taxa bruta não diz nada. Compare rendimento líquido de imposto, considere o prazo e verifique se o produto tem cobertura do FGC. Uma taxa 0,5 ponto maior num banco sem garantia não compensa o risco que você está assumindo sem perceber.
Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. Dados de Selic, CDI e índices de inflação referem-se a agosto de 2026. Rentabilidade passada não garante resultado futuro e projeções de mercado são revistas com frequência.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre prefixado, pós-fixado e híbrido?
No prefixado a taxa é definida na compra e não muda. No pós-fixado o rendimento acompanha o CDI ou a Selic. No híbrido, o retorno é a variação da inflação mais um juro real contratado.
Qual deles é melhor para a reserva de emergência?
O pós-fixado atrelado à Selic, com liquidez diária. Não pelo retorno, mas porque praticamente não oscila de preço — quem resgata antes recebe o que rendeu, sem surpresa de marcação a mercado.
Vale travar taxa com a Selic a 14%?
A tese é defensável num cenário de queda de juros, mas o espaço para o Copom cortar diminuiu com o Fed sinalizando aperto. Isso é argumento para dividir entre as modalidades, não para concentrar em uma.
O imposto é diferente em cada modalidade?
Não. A tabela regressiva de 22,5% a 15% conforme o prazo é a mesma. O que muda o imposto é o produto: LCI, LCA e debêntures incentivadas são isentas para pessoa física.
Como escolher sem prever os juros?
Pelo prazo do objetivo. Dinheiro de curto prazo em pós-fixado com liquidez; objetivo com data definida em prefixado ou híbrido com vencimento na data; objetivo de longo prazo em híbrido indexado à inflação.



