A Suzano lucrou R$ 1,81 bilhão no segundo trimestre, queda de 64% sobre os R$ 5,01 bilhões de um ano antes. A receita recuou 13%, para R$ 11,59 bilhões. Três variáveis explicam quase tudo — e duas delas não têm nada a ver com a operação da empresa.
A Suzano registrou lucro líquido de R$ 1,81 bilhão no segundo trimestre de 2026, queda de 64% ante os R$ 5,01 bilhões do mesmo período de 2025. A receita líquida somou R$ 11,59 bilhões, recuo de 13%, e o Ebitda ajustado ficou em R$ 4,7 bilhões, queda de 23% no ano, mas alta de 3% sobre o trimestre anterior. O volume de celulose caiu 11% e o dólar médio recuou 11%, compensados em parte por preços 8% maiores.
Principais pontos
- O lucro líquido foi de R$ 1,81 bilhão, queda de 64% em doze meses.
- A receita líquida somou R$ 11,59 bilhões, com recuo de 13% na comparação anual.
- O Ebitda ajustado ficou em R$ 4,7 bilhões, queda de 23% no ano e alta de 3% no trimestre.
- O volume de vendas de celulose caiu 11% e o dólar médio recuou 11% frente ao real.
- Os preços médios da celulose em dólar subiram 8%, compensando parte das quedas.
A decomposição do resultado
Quedas de 64% chamam atenção, mas dizem pouco sozinhas. O que a empresa entregou pode ser decomposto em três variáveis que atuaram ao mesmo tempo.
O volume de vendas de celulose caiu 11%. O dólar médio do trimestre recuou 11% frente ao real — e a Suzano vende em dólar e tem boa parte dos custos em real. Na direção oposta, os preços médios da celulose em dólar subiram 8%, o que amorteceu parte da perda.
Menos volume, câmbio desfavorável e preço melhor: o saldo dessas três forças produziu a receita 13% menor. O restante da queda do lucro veio da piora do resultado financeiro e do aumento dos custos de produção.
Por que o lucro cai mais que a receita
A distância entre −13% de receita e −64% de lucro é o dado que mais confunde. A explicação está na estrutura de custos e no resultado financeiro.
Uma indústria de celulose tem custo fixo alto: a fábrica funciona e custa o mesmo independentemente do preço de mercado. Quando a receita cai, esse custo não acompanha na mesma proporção, e a margem se comprime. É a alavancagem operacional agindo no sentido inverso.
Soma-se a isso o resultado financeiro. Empresas exportadoras costumam ter dívida em dólar, e a variação cambial produz efeitos contábeis relevantes — que podem ser positivos ou negativos sem que um centavo mude de mãos. Entender essa separação é o ponto central de como ler um balanço.
O Ebitda conta uma história mais suave
Enquanto o lucro despencou 64%, o Ebitda ajustado — medida que se aproxima da geração de caixa operacional — recuou 23%, para R$ 4,7 bilhões. E, na comparação com o trimestre anterior, ele subiu 3%.
A diferença entre as duas leituras é justamente o que a operação controla e o que ela não controla. O Ebitda mostra que a atividade industrial melhorou em relação ao início do ano, puxada por preços de celulose mais altos e volumes maiores. O lucro final foi contaminado por câmbio, financeiro e depreciação — itens que dizem pouco sobre a eficiência das fábricas.
| Indicador | 2T26 | Variação anual |
|---|---|---|
| Lucro líquido | R$ 1,81 bilhão | −64% |
| Receita líquida | R$ 11,59 bilhões | −13% |
| Ebitda ajustado | R$ 4,7 bilhões | −23% |
| Volume de celulose | — | −11% |
| Preço médio em dólar | — | +8% |
O real forte e as exportadoras
O caso repete um padrão que atravessou toda a temporada de balanços. Empresas que vendem commodities em dólar e pagam custos em real sofrem quando a moeda brasileira se valoriza — foi o que aconteceu com a Klabin, cujo lucro caiu 34% no mesmo trimestre.
Vale notar o contexto atual: o dólar voltou a subir em agosto, fechando a quarta-feira a R$ 5,179. Se o movimento se sustentar, o efeito cambial que pesou no segundo trimestre tende a se inverter no terceiro. É um lembrete de que resultado de exportadora é, em boa medida, uma aposta em câmbio embutida em uma empresa industrial. O mecanismo está em exportadoras e o real forte.
A celulose e a nova capacidade
O negócio de celulose respondeu por 76% do faturamento consolidado no trimestre, o que mostra o grau de dependência da companhia de uma única commodity — cujo preço é definido em mercado internacional, fora do controle da empresa.
Há um elemento estrutural relevante: a entrada de nova capacidade produtiva impulsionou vendas e receita. Mais capacidade significa mais volume potencial, mas também aumenta a exposição ao preço: se a celulose cair, há mais toneladas sendo vendidas barato. É a natureza do negócio de commodity, e o motivo pelo qual essas ações costumam ser mais voláteis que a média.
O que isso significa para o investidor
A ação caiu 2,2% no pregão da divulgação, com o resultado sendo considerado abaixo do esperado pelo mercado — reação bem mais contida que a queda de 64% no lucro sugeriria, justamente porque analistas já projetavam trimestre fraco.
Para quem avalia empresas de commodity, três hábitos ajudam: olhar Ebitda antes do lucro, porque a última linha carrega ruído cambial; separar o que é preço da commodity do que é eficiência operacional; e lembrar que câmbio corta nos dois sentidos — o vento contrário deste trimestre pode virar favorável no próximo. Vale ler o que é Ebitda e o caso da Klabin.
Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. Dados do balanço do segundo trimestre de 2026 divulgado em 12 de agosto de 2026; Ebitda ajustado é medida não contábil calculada pela própria companhia.
Perguntas frequentes
Quanto a Suzano lucrou no 2T26?
O lucro líquido foi de R$ 1,81 bilhão, queda de 64% ante os R$ 5,01 bilhões do mesmo trimestre de 2025. A receita líquida somou R$ 11,59 bilhões, com recuo de 13%.
Por que o lucro caiu muito mais que a receita?
Por causa do custo fixo alto da indústria de celulose, que não cai junto com a receita, e da piora do resultado financeiro, influenciado pela variação cambial sobre a dívida.
O que explica a queda da receita?
Três fatores: volume de vendas de celulose 11% menor, dólar médio 11% mais fraco frente ao real e preços médios em dólar 8% maiores, que compensaram parte das quedas.
O Ebitda também caiu?
O Ebitda ajustado ficou em R$ 4,7 bilhões, queda de 23% em doze meses, mas alta de 3% sobre o trimestre anterior — sinal de melhora operacional no comparativo sequencial.
Câmbio mais alto ajudaria a Suzano?
Sim. A empresa vende em dólar e tem parte relevante dos custos em real, então dólar mais forte tende a melhorar o resultado. A moeda voltou a subir em agosto, fechando a R$ 5,179 em 12 de agosto.



