A temporada de balanços do segundo trimestre se encerra nesta sexta-feira (14) com um retrato incomum: bancos entregando rentabilidade recorde, exportadoras derrubadas pelo câmbio e uma bolsa que caiu oito sessões seguidas apesar dos números. O placar final ajuda a entender por quê.
A temporada do segundo trimestre de 2026 terminou com resultados fortes no setor financeiro, com ROE de 26,7% no BTG Pactual e 24,3% no Itaú, e lucro recorde de R$ 52,4 bilhões na Petrobras. Do outro lado, exportadoras sofreram com o real valorizado, como Suzano, com queda de 64% no lucro, e JBS, com prejuízo de US$ 102 milhões. O Banco do Brasil segue pressionado pelo crédito rural.
Principais pontos
- BTG Pactual liderou a rentabilidade com ROE de 26,7% e lucro ajustado de R$ 5,1 bilhões.
- A Petrobras lucrou R$ 52,4 bilhões, alta de 96,8%, e aprovou R$ 17,4 bilhões em proventos.
- Suzano viu o lucro cair 64% e a JBS teve prejuízo de US$ 102 milhões apesar de receita recorde.
- O Banco do Brasil superou o consenso com R$ 3,9 bilhões, mas com ROE de apenas 8,3%.
- A Natura teve queda de 92% no lucro e a ação subiu, por vir menos ruim que o temido.
Os bancos dominaram o topo
O setor financeiro entregou a temporada mais forte. O BTG Pactual reportou lucro ajustado recorde de R$ 5,1 bilhões, alta de 23%, com ROE de 26,7% — acima do Itaú, que ficou em 24,3% com R$ 12,4 bilhões de lucro.
Abaixo deles, o Bradesco marcou 16,2% de rentabilidade e o Santander, 12,5%. O Banco do Brasil fechou a lista com 8,3%, ainda que tenha superado o consenso com R$ 3,9 bilhões de lucro.
A dispersão é o dado mais informativo: mesma economia, mesma Selic de 14,00%, e retornos que variam mais de três vezes. A explicação está na composição das carteiras e no peso das receitas que não dependem de emprestar, como detalha a comparação entre os bancos.
| Banco | ROE no 2T26 |
|---|---|
| BTG Pactual | 26,7% |
| Itaú | 24,3% |
| Bradesco | 16,2% |
| Santander | 12,5% |
| Banco do Brasil | 8,3% |
A Petrobras e o efeito do petróleo
O maior lucro absoluto da temporada foi da Petrobras: R$ 52,4 bilhões, alta de 96,8% em doze meses, com Ebitda ajustado de cerca de US$ 19 bilhões e produção recorde de 3,336 milhões de barris de óleo equivalente por dia.
A companhia aprovou R$ 17,4 bilhões em proventos, com data-com em 21 de agosto. Ainda assim, a ação não reagiu como o número sugeriria — porque o preço olha o petróleo futuro, e o Brent recuou após OPEP e AIE cortarem projeções de demanda.
O câmbio derrubou as exportadoras
Do outro lado do placar ficaram as empresas que vendem em dólar e pagam custos em real. A Suzano viu o lucro cair 64%, para R$ 1,81 bilhão, com volume de celulose 11% menor e dólar médio 11% mais fraco — parcialmente compensados por preços 8% maiores.
A JBS registrou receita recorde de US$ 23,9 bilhões e mesmo assim prejuízo de US$ 102 milhões, por causa de US$ 305 milhões em itens pontuais: recompra de dívida e acordos antitruste. A Klabin já havia reportado queda de 34% no lucro pelo mesmo mecanismo cambial.
É a face negativa do real valorizado — que, do lado do consumidor, ajuda a segurar a inflação de importados.
O varejo e o consumo mostraram margem apertada
Entre as empresas voltadas ao consumidor, o padrão foi crescer receita perdendo margem. A RD Saúde aumentou a receita em 9,8% e o lucro em apenas 7,4% — e a ação caiu 5,68%.
A Natura foi o caso mais extremo: lucro 92% menor, de R$ 35 milhões, com receita 9,1% abaixo. E a ação subiu, porque o mercado esperava algo pior e a companhia reduziu dívida.
Na contramão, a Cogna entregou um dos poucos resultados redondos: lucro ajustado de R$ 210,2 milhões, alta de 18,1%, receita 17,8% maior e geração de caixa livre 87,8% acima — superior ao próprio lucro contábil.
A lição que atravessou a temporada
Nenhuma reação de ação foi explicada pelo número absoluto. Petrobras lucrou R$ 52,4 bilhões e o papel caiu; Natura perdeu 92% do lucro e subiu; Banco do Brasil bateu o consenso e recuou 4,16%.
O que moveu os preços foi a distância entre o entregue e o esperado — em todas as dimensões, não só no lucro. No caso do Banco do Brasil, o lucro veio acima, mas a inadimplência do agro subiu para 8,97% e foi isso que o mercado precificou.
Para quem acompanha balanços, a hierarquia útil de leitura ficou clara: qualidade da carteira e do caixa antes da última linha, e sempre com o consenso na mão.
Por que a bolsa caiu mesmo assim
Com bancos rentáveis e a maior estatal lucrando quase R$ 52,4 bilhões, o Ibovespa emendou oito quedas seguidas e chegou à mínima de doze meses, aos 167.100,95 pontos.
A causa não estava nos balanços: investidores estrangeiros retiraram R$ 11,93 bilhões da B3 nos sete primeiros pregões de agosto, elevando o prêmio de risco exigido para ativos brasileiros. Empresas entregando e ações caindo é assinatura de risco, não de fundamento — como mostra a saída de estrangeiros.
Para o investidor, o desafio agora é distinguir o que caiu por deterioração real do que caiu por fluxo. O comparativo entre classes de ativos está em o ranking de investimentos de 2026, e o roteiro de leitura de balanços em como ler um balanço.
Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. Dados dos balanços do segundo trimestre de 2026 divulgados pelas companhias entre julho e agosto; lucros ajustados são medidas não contábeis calculadas pelas próprias empresas.
Perguntas frequentes
Qual empresa teve o melhor resultado no 2T26?
Em rentabilidade, o BTG Pactual, com ROE de 26,7% e lucro ajustado de R$ 5,1 bilhões. Em lucro absoluto, a Petrobras, com R$ 52,4 bilhões, alta de 96,8%.
Quais foram os piores resultados da temporada?
A Suzano, com lucro 64% menor, a JBS, com prejuízo de US$ 102 milhões apesar da receita recorde, e a Natura, com queda de 92% no lucro.
Por que as exportadoras sofreram?
Porque vendem em dólar e pagam custos em real. Com a moeda americana mais fraca na média do trimestre, a receita convertida encolhe enquanto os custos permanecem.
Se os balanços foram bons, por que a bolsa caiu?
Porque investidores estrangeiros retiraram R$ 11,93 bilhões da B3 nos sete primeiros pregões de agosto, elevando o prêmio de risco. A queda reflete fluxo e risco, não deterioração dos fundamentos.
Qual a principal lição da temporada?
Que o preço reage à distância entre o entregue e o esperado, em todas as dimensões. Petrobras lucrou muito e caiu; Natura perdeu 92% do lucro e subiu; o Banco do Brasil bateu o consenso e recuou 4,16%.



