A Vale (VALE3) registrou lucro líquido atribuível aos seus acionistas de US$ 1,255 bilhão no terceiro trimestre de 2026, queda de 53% em relação ao mesmo período de 2025. A receita líquida cresceu 2%, para US$ 10,599 bilhões, mas preços menores do minério de ferro e custos mais altos pressionaram o resultado.
Última cotação de VALE3 na B3: R$ 60,05 (-2,17% no dia) em 29/10/2026 (fonte: Brapi).
Resumo rápido
A Vale faturou mais no terceiro trimestre, mas esse aumento não se transformou em lucro maior. A pressão no minério de ferro foi parcialmente compensada pelo avanço dos metais básicos, sobretudo do cobre. A geração de caixa contribuiu para reduzir o endividamento em relação ao trimestre anterior, e a companhia manteve suas projeções de produção para 2026.
Principais pontos
- O lucro atribuível aos acionistas ficou em US$ 1,255 bilhão, com quedas de 53% em um ano e de 9% frente ao segundo trimestre.
- A receita líquida somou US$ 10,599 bilhões, alta anual de 2%.
- O EBITDA ajustado, indicador de resultado antes de juros, tributos, depreciação e amortização, caiu 24%, para US$ 3,327 bilhões.
- A produção de minério de ferro recuou 6%, para 88,4 milhões de toneladas, enquanto as vendas cresceram 0,3%.
- O fluxo de caixa livre recorrente, medida da geração de caixa após investimentos e outros desembolsos considerados pela empresa, caiu 12%, para US$ 1,373 bilhão.
- Os investimentos somaram US$ 1,250 bilhão, valor estável em relação ao terceiro trimestre de 2025.
Receita maior não impediu a queda do lucro
O contraste entre faturamento e lucro aparece nos custos. O custo dos produtos vendidos e dos serviços prestados subiu 20% em um ano, para US$ 7,940 bilhões, enquanto a receita avançou 2%. Assim, uma parcela maior das vendas foi consumida antes de chegar ao resultado final.
O EBITDA proforma ficou em US$ 3,508 bilhões, queda anual de 20%. Essa medida parte do EBITDA ajustado e exclui despesas relacionadas a Brumadinho, à descaracterização de barragens e itens não recorrentes. Ela apresenta o desempenho com esses efeitos separados, mas não substitui o lucro líquido.
Na explicação da queda do lucro proforma, a Vale também apontou o ajuste da provisão da Samarco, com efeito negativo de US$ 322 milhões, e maiores tributos sobre o lucro. Provisão é o reconhecimento contábil de uma obrigação estimada: não significa, necessariamente, pagamento naquele trimestre.
Parte dessas pressões foi compensada por uma melhora de US$ 610 milhões na avaliação e liquidação de derivativos, contratos financeiros usados na gestão de exposições. Nos nove primeiros meses, o lucro atribuível somou US$ 4,523 bilhões, 27% abaixo do registrado um ano antes.
Minério de ferro teve preço menor e custo maior
O preço médio recebido pelos finos de minério de ferro foi de US$ 85,1 por tonelada, 10% abaixo tanto do trimestre anterior quanto do mesmo período de 2025. Segundo a Vale, pesaram os preços de referência menores e ajustes temporários ligados ao frete de cargas ainda em trânsito no encerramento do período.
Ao mesmo tempo, o custo caixa C1, medida do custo operacional de produção que, nesse indicador, exclui compras de terceiros, subiu 12% em um ano, para US$ 23,1 por tonelada. A companhia citou a valorização do real, o diesel mais caro e a menor participação de Serra Norte, cujos custos são estruturalmente mais baixos.
Já o custo all-in, medida mais abrangente que incorpora frete e outras despesas, atingiu US$ 60,4 por tonelada, alta anual de 21%. O EBITDA ajustado da área de Soluções de Minério de Ferro caiu 34%, para US$ 2,633 bilhões.
A produção recuou, mas as vendas foram sustentadas pelo uso de estoques de períodos anteriores. Serra Sul alcançou recorde trimestral de 23,8 milhões de toneladas. No Sistema Sul, a retomada das operações de Fábrica ocorreu em setembro, após o atendimento aos requisitos de segurança, meio ambiente e licenciamento e às ações do Acordo de Compromisso.
Cobre compensou parte da pressão, mas níquel perdeu resultado
A área de metais básicos teve EBITDA ajustado de US$ 1,105 bilhão, crescimento anual de 61%. O principal impulso veio do cobre, cujo EBITDA ajustado avançou 66%, para US$ 1,021 bilhão, com preços maiores do metal e dos subprodutos, materiais também obtidos na operação.
Esse avanço ocorreu mesmo com a produção total de cobre 6% menor, em 85,5 mil toneladas. Salobo registrou sua maior produção para um terceiro trimestre, mas a reforma programada do moinho de Sossego, equipamento usado no processamento do minério, reduziu os volumes dessa operação.
O custo abrangente do cobre ficou negativo em US$ 175 por tonelada. Isso não significa ausência de gastos: nessa métrica, as receitas dos subprodutos são abatidas dos custos. No trimestre, essas receitas e a recuperação de créditos tributários compensaram os gastos considerados no cálculo.
No níquel, a produção cresceu 6%, para 49,7 mil toneladas, e as vendas aumentaram 16%. Ainda assim, o EBITDA ajustado caiu 14%, para US$ 98 milhões. Manutenções, matérias-primas mais caras e a venda de estoques produzidos a custos maiores limitaram o resultado.
Caixa recorrente caiu, enquanto a dívida recuou no trimestre
O fluxo de caixa livre recorrente de US$ 1,373 bilhão ficou 12% abaixo do registrado um ano antes. Segundo a Vale, a redução refletiu principalmente o EBITDA proforma menor.
A gestão do capital de giro, dinheiro ligado a estoques, recebimentos e pagamentos da operação, compensou parte dessa redução. A Vale alongou prazos com fornecedores e diminuiu estoques. Menores pagamentos de impostos e recebimentos na liquidação de derivativos também contribuíram.
O fluxo de caixa livre total chegou a US$ 2,230 bilhões, incluindo US$ 857 milhões de itens não recorrentes relacionados a incentivos fiscais. Separar o total do recorrente mostra quanto da geração veio de um efeito fora da rotina do negócio.
A dívida líquida, que desconta caixa e aplicações de curto prazo das dívidas e dos arrendamentos, ficou em US$ 13,097 bilhões. A medida expandida, que também considera provisões de Brumadinho e Samarco e ajustes de contratos financeiros, terminou em US$ 16,413 bilhões, redução trimestral de US$ 264 milhões.
Apesar da geração de caixa, o saldo de caixa e equivalentes diminuiu US$ 735 milhões. O trimestre também teve pagamentos de remuneração aos acionistas e amortizações de dívida.
Projetos avançam e projeções de produção são mantidas
A Vale espera terminar 2026 no limite inferior da faixa de investimentos de US$ 5,4 bilhões a US$ 5,7 bilhões. No minério de ferro, a companhia também espera atingir o limite inferior da projeção de produção, de 335 milhões a 345 milhões de toneladas.
O Britador de Compactos começou a operar no trimestre. Segundo a empresa, o equipamento e o aumento gradual da operação do projeto Serra Sul +20 deverão ampliar a flexibilidade operacional e apoiar o desempenho a partir de 2027.
Para cobre e níquel, a Vale aponta produção na metade superior das respectivas faixas anuais, de 360 mil a 380 mil toneladas e de 185 mil a 200 mil toneladas. O projeto de Flotação de Partículas Grossas de Salobo, que amplia o aproveitamento do material processado, atingiu 17% de avanço físico e tem início previsto para o primeiro semestre de 2028.
O que muda para o acionista
O trimestre mostra a diferença entre faturar, lucrar e gerar caixa. A Vale vendeu um pouco mais de minério de ferro, mas recebeu menos por tonelada e enfrentou custos maiores. O cobre compensou parte dessa pressão, sem impedir a queda do lucro consolidado.
Entre os próximos marcos operacionais, a companhia prevê concluir a reforma do moinho de Sossego na segunda quinzena de novembro. Também espera que a produção de Serra Norte no quarto trimestre supere a do mesmo período do ano anterior, apoiada pela preparação das áreas de lavra. Esses avanços ainda são expectativas da empresa, não resultados já alcançados.
Perguntas frequentes
Quanto a Vale lucrou no terceiro trimestre de 2026?
O lucro líquido atribuível aos acionistas da Vale foi de US$ 1,255 bilhão. O valor caiu 53% em relação ao terceiro trimestre de 2025 e 9% na comparação com o segundo trimestre de 2026.
Por que o lucro caiu se a receita aumentou?
Os custos cresceram mais que a receita, enquanto o preço médio recebido pelos finos de minério de ferro diminuiu. A Vale também apontou efeitos negativos de provisões e tributos, parcialmente compensados pela melhora na avaliação e liquidação de contratos financeiros.
A Vale mudou a previsão de produção para 2026?
Não, a companhia reafirmou suas projeções anuais de produção. Para minério de ferro, espera chegar ao limite inferior da faixa de 335 milhões a 345 milhões de toneladas; para cobre e níquel, prevê atingir a metade superior das respectivas faixas.
Como o custo do cobre pode ficar negativo?
O indicador desconta dos custos as receitas de subprodutos obtidos na operação. No trimestre, essas receitas e a recuperação de créditos tributários levaram a medida a um valor negativo, sem significar que a produção deixou de ter despesas.
EBITDA ajustado é a mesma coisa que lucro líquido?
Não. O EBITDA mede o resultado antes de juros, tributos, depreciação e amortização, com os ajustes da métrica, enquanto o lucro líquido incorpora efeitos que não entram nesse indicador. No trimestre, o EBITDA ajustado da Vale foi de US$ 3,327 bilhões e o lucro atribuível aos seus acionistas, de US$ 1,255 bilhão.
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