O Bradesco divulga o resultado do segundo trimestre nesta quarta-feira (5), um dia depois de o Itaú entregar lucro recorrente de R$ 12,4 bilhões e retorno sobre patrimônio de 24,3%. É a comparação mais direta da temporada: dois bancos de porte semelhante, mesmo cenário de juros, carteiras com composição diferente. A régua já está posta.
O Bradesco reporta o segundo trimestre de 2026 em 5 de agosto, no mesmo dia da decisão do Copom. A referência é o Itaú, que na véspera entregou lucro recorrente de R$ 12,4 bilhões, alta de 7,8%, com ROE de 24,3% e carteira ampliada de R$ 1,5 trilhão. O indicador que permite comparar os dois na mesma régua é o ROE, não o lucro absoluto.
Principais pontos
- O Bradesco divulga o resultado do 2T26 nesta quarta-feira, 5 de agosto de 2026.
- A referência imediata é o Itaú: ROE de 24,3% e lucro recorrente de R$ 12,4 bilhões no mesmo trimestre.
- O indicador comparável entre bancos é o ROE, que neutraliza a diferença de tamanho.
- O Santander já reportou queda de 17,6% no lucro do trimestre — o setor não vai bem em bloco.
- A decisão do Copom sai no mesmo dia, às 18h30, com corte esperado de 14,25% para 14,00%.
Por que o ROE é a régua, e não o lucro
Comparar dois bancos pelo lucro absoluto só diz qual é maior. O que responde qual é melhor é o retorno sobre o patrimônio líquido: quanto cada real de capital do acionista gerou de lucro.
O Itaú entregou 24,3% anualizados. Esse número é o teto de referência do setor brasileiro e um dos mais altos do mundo entre bancos grandes. Se o Bradesco vier significativamente abaixo, a diferença não é de escala — é de eficiência no uso do capital. A mecânica está em como ler o balanço de um banco.
O setor não está indo bem em bloco
Este é o ponto que impede a leitura simplista de “juro alto é bom para banco”. O Santander reportou queda de 17,6% no lucro do trimestre, enquanto o Itaú subiu 7,8%. Mesmo país, mesmo trimestre, mesma Selic.
A explicação está na composição da carteira. Banco com mais peso em consignado e financiamento imobiliário — crédito com garantia — sofre menos inadimplência num ciclo de juro alto. Banco com peso maior em cartão de crédito e crédito pessoal sem garantia é mais rentável na largada e mais exposto quando o cliente aperta.
| Banco | Resultado do 2T26 | Referência |
|---|---|---|
| Itaú Unibanco | Lucro recorrente R$ 12,4 bi, +7,8% | ROE 24,3% |
| Santander | Lucro em queda de 17,6% | — |
| Bradesco | Divulga em 5 de agosto | A conferir |
As cinco linhas que decidem a leitura
Comece pela margem financeira: juros recebidos menos juros pagos, o equivalente ao lucro bruto de uma indústria. É o negócio principal, e ela precisa crescer.
Depois vá à inadimplência acima de 90 dias, que mostra a que custo esse crescimento veio. Em seguida às provisões, ao índice de eficiência (despesa sobre receita, quanto menor melhor) e por fim ao ROE, que é o resumo de tudo.
A pegadinha que aparece justamente nestes balanços
Provisão para devedores duvidosos é uma estimativa feita pelo próprio banco, com modelos internos. É a linha com mais espaço para julgamento — e, portanto, a que mais permite suavizar um trimestre ruim.
O sinal de alerta é específico: lucro subindo com provisão caindo e inadimplência subindo. Nessa combinação, o resultado é frágil e a conta foi empurrada para frente. O sinal saudável é lucro crescendo com inadimplência controlada e provisão estável — foi o que o Itaú comunicou.
O Copom no mesmo dia muda a leitura
A decisão da Selic sai nesta quarta às 18h30, com expectativa de corte de 14,25% para 14,00% ao ano. Para banco, juro em queda tem dois efeitos opostos que se cancelam parcialmente.
Do lado ruim: reduz a receita da tesouraria, que aplica o caixa próprio em títulos públicos, e comprime a margem em algumas operações. Do lado bom: melhora a capacidade de pagamento do cliente, tende a liberar provisões e aumenta a demanda por crédito. O saldo costuma ser positivo, com defasagem de trimestres — por isso os comentários da gestão sobre crescimento esperado da carteira mexem mais na ação do que o número do trimestre.
Os proventos entram na conta
Bancos brasileiros distribuem preferencialmente em juros sobre capital próprio, porque o formato é dedutível da base de imposto da empresa. O Itaú já definiu pagamento de R$ 7,84 bilhões para 28 de agosto.
Atenção a uma mudança de 2026 que muitos ainda não incorporaram: a retenção sobre JCP subiu de 15% para 17,5%. Isso significa que R$ 100 anunciados entregam R$ 82,50, não R$ 85 — e vale para qualquer JCP que o Bradesco anuncie hoje. Os detalhes em o imposto sobre JCP subiu para 17,5%.
O que observar quando o número sair
Três coisas, em ordem. O ROE lado a lado com os 24,3% do Itaú — é a única comparação que neutraliza tamanho. A trajetória da inadimplência, para saber se o lucro tem lastro. E o anúncio de proventos, com valor por ação, data-com e formato.
Vale lembrar que resultado de banco costuma sair após o fechamento do mercado, então a reação nos preços aparece na sessão seguinte. A temporada continua na quinta (6) com Petrobras e B3. Os números do Itaú estão em Itaú lucra R$ 12,4 bilhões com ROE de 24,3%, o calendário em calendário de balanços do 2T26, e para comparar indicadores use o comparador de ativos.
Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. O resultado do Bradesco não estava divulgado na publicação desta matéria; as referências do Itaú e do Santander são dados já reportados, e a expectativa do Copom é projeção de mercado.
Perguntas frequentes
Quando o Bradesco divulga o balanço do 2T26?
Em 5 de agosto de 2026, no mesmo dia da decisão do Copom sobre a Selic. Resultados de banco costumam ser divulgados após o fechamento do mercado.
Qual o número do Itaú para comparação?
Lucro líquido recorrente de R$ 12,4 bilhões no segundo trimestre, alta de 7,8% em 12 meses, com ROE anualizado de 24,3% e carteira de crédito ampliada de R$ 1,5 trilhão.
Por que comparar bancos pelo ROE e não pelo lucro?
Porque o lucro absoluto só mostra qual banco é maior. O ROE mede quanto de lucro cada real de capital do acionista gerou, o que permite comparar instituições de tamanhos diferentes na mesma régua.
Juro alto é bom para banco?
Não de forma automática. No mesmo trimestre, o Itaú cresceu 7,8% e o Santander caiu 17,6%. O que decide é a composição da carteira: crédito com garantia sofre menos inadimplência que crédito pessoal e cartão.
O que olhar primeiro no balanço de um banco?
Margem financeira, inadimplência acima de 90 dias, provisões, índice de eficiência e ROE — nessa ordem. Lucro subindo com provisão caindo e inadimplência em alta é sinal de resultado frágil.



