A inflação de julho foi de 0,07% — mas quase ninguém sentiu isso no bolso, porque a média esconde extremos. A energia elétrica subiu 3,09%, o transporte público 2,94%, e do outro lado a comida de casa caiu 1,14%, com tubérculos despencando 16,15%.
No IPCA de julho de 2026, a energia elétrica residencial subiu 3,09% e o transporte público, 2,94%. Na direção oposta, a alimentação no domicílio caiu 1,14%, puxada por tubérculos, raízes e legumes, com queda de 16,15%, e os combustíveis recuaram 1,44%. O índice geral ficou em 0,07% porque essas forças opostas se anularam, mas o efeito real varia muito conforme o perfil de consumo.
Principais pontos
- A energia elétrica residencial subiu 3,09% em julho, com a bandeira amarela pelo quarto mês seguido.
- O transporte público avançou 2,94%, refletindo reajustes de tarifa em várias capitais.
- A alimentação no domicílio caiu 1,14%, enquanto comer fora de casa ficou 0,55% mais caro.
- Tubérculos, raízes e legumes despencaram 16,15%, a maior queda entre os itens do índice.
- Os combustíveis recuaram 1,44% e o automóvel novo, 0,36%, aliviando quem anda de carro.
O que ficou mais caro
O topo da lista é a energia elétrica residencial, com alta de 3,09%. A causa é a bandeira tarifária amarela, em vigor em agosto pelo quarto mês consecutivo, que acrescenta uma cobrança extra a cada 100 kWh consumidos. É um custo que atinge todo mundo igualmente e do qual não se escapa trocando de marca ou de loja.
Em segundo lugar veio o transporte público, com 2,94%, resultado dos reajustes de tarifa aplicados em várias capitais. Completam o time das altas o grupo de saúde e cuidados pessoais, com 0,40%, as despesas pessoais, com 0,22%, e dentro da alimentação, as frutas, com 1,20%, e os leites e derivados, com 1,19%.
| Ficou mais caro | Variação em julho |
|---|---|
| Energia elétrica residencial | +3,09% |
| Transporte público | +2,94% |
| Frutas | +1,20% |
| Leites e derivados | +1,19% |
| Alimentação fora do domicílio | +0,55% |
| Saúde e cuidados pessoais | +0,40% |
| Aluguel residencial | +0,28% |
O que ficou mais barato
A queda mais expressiva do mês foi em tubérculos, raízes e legumes: 16,15%. Batata, cebola e mandioca desabaram com a entrada da safra — o tipo de movimento sazonal que costuma se reverter meses depois, então não convém tratá-lo como tendência.
Também recuaram os combustíveis, com 1,44%, o gás de botijão, com 1,13%, o vestuário, com 0,66%, as carnes e peixes industrializados, com 0,60%, os cereais e leguminosas, com 0,43%, e o automóvel novo, com 0,36%. As carnes ficaram praticamente estáveis, com queda de 0,03%.
| Ficou mais barato | Variação em julho |
|---|---|
| Tubérculos, raízes e legumes | −16,15% |
| Combustíveis (veículos) | −1,44% |
| Alimentação no domicílio | −1,14% |
| Gás de botijão | −1,13% |
| Vestuário | −0,66% |
| Cereais e leguminosas | −0,43% |
| Automóvel novo | −0,36% |
Por que sua inflação não é 0,07%
O IPCA é uma média ponderada do consumo de uma família de referência. Cada pessoa tem uma cesta diferente — e é por isso que o índice oficial quase nunca corresponde à sensação individual.
Em um orçamento familiar de R$ 4.000 distribuído exatamente conforme os pesos do IBGE, a inflação de julho representaria cerca de R$ 2,64 a mais no mês. Mas basta mudar o perfil para o número virar outro. Quem cozinha em casa, anda de carro e mora em imóvel com conta de luz baixa provavelmente teve deflação pessoal. Quem depende de ônibus, almoça fora todo dia e tem consumo alto de energia sentiu alta bem acima da média.
Quem sentiu alta e quem sentiu queda
Vale destacar um contraste que o índice esconde: alimentação no domicílio caiu 1,14% e alimentação fora do domicílio subiu 0,55%. São quase dois pontos percentuais de diferença no mesmo mês, separando quem faz mercado de quem come na rua.
O mesmo se repete no transporte. Combustíveis em queda de 1,44% e transporte público em alta de 2,94% significam que o mês foi bom para quem tem carro e ruim para quem não tem — uma inversão do padrão histórico, em que reajustes de combustível costumam pesar mais na renda baixa.
O que fazer com essa informação
Três movimentos concretos aproveitam o que julho mostrou. O primeiro é revisar o consumo de energia: com bandeira amarela vigente e alta de 3,09%, é o item com maior retorno por esforço. Chuveiro elétrico, ar-condicionado e geladeira antiga concentram a maior parte da conta de uma residência.
O segundo é aproveitar a janela de preços baixos em legumes e tubérculos para ajustar o cardápio, movimento sazonal que tende a se reverter. O terceiro é revisar os gastos com refeições fora de casa, categoria que subiu enquanto o mercado ficou mais barato. Guias práticos em como economizar na conta de luz e como economizar no dia a dia.
O quadro maior
A inflação acumulada em doze meses caiu de 4,64% para 4,44%, voltando para dentro do teto da meta de 4,5%. No ano, o índice soma 3,44%. É um cenário bem mais confortável que o de meses atrás, ainda que a composição mostre pressões vivas em serviços e energia.
Para quem tem dinheiro aplicado, a inflação menor melhora o ganho real: com o CDI em 13,90%, sobra mais poder de compra ao fim do ano. Os detalhes do índice estão em a análise completa do IPCA de julho, e o efeito nos investimentos, em quanto rende seu CDB com o CDI a 13,90%.
Conteúdo informativo. Variações conforme o IPCA de julho de 2026 divulgado pelo IBGE em 11 de agosto; a simulação de orçamento usa os pesos oficiais da cesta e serve apenas de ilustração, já que o consumo real varia por família.
Perguntas frequentes
O que mais subiu de preço em julho de 2026?
A energia elétrica residencial, com alta de 3,09%, seguida do transporte público, com 2,94%. Frutas subiram 1,20% e leites e derivados, 1,19%.
O que ficou mais barato em julho?
Tubérculos, raízes e legumes caíram 16,15%, a maior queda do mês. Combustíveis recuaram 1,44%, gás de botijão 1,13% e vestuário 0,66%.
Por que minha inflação parece maior que o IPCA?
Porque o IPCA é uma média ponderada de uma cesta de referência. Quem depende de transporte público, come fora e consome muita energia teve alta bem acima dos 0,07% do índice geral.
Por que a conta de luz subiu tanto?
Pela bandeira tarifária amarela, em vigor pelo quarto mês consecutivo, que adiciona uma cobrança extra a cada 100 kWh consumidos e elevou a energia elétrica residencial em 3,09% no mês.
A queda dos alimentos vai continuar?
Não há garantia. A queda de julho foi concentrada em tubérculos, raízes e legumes, com recuo de 16,15%, movimento sazonal ligado à safra e que costuma se reverter nos meses seguintes.



