A ação do Banco do Brasil fechou a R$ 19,28 nesta terça-feira (11), queda de 3,74%, acumulando cerca de 8% de perda em agosto e rondando a mínima de doze meses, em R$ 18,87. O balanço do segundo trimestre sai nesta quarta, depois do fechamento — e o mercado parece já ter dado seu veredito.
As ações do Banco do Brasil caíram 3,74% em 11 de agosto de 2026 e fecharam a R$ 19,28, acumulando queda de cerca de 8% no mês e se aproximando da mínima de doze meses, de R$ 18,87. O balanço do segundo trimestre será divulgado em 12 de agosto, após o fechamento. As projeções de mercado para o lucro variam de R$ 3,1 bilhões a R$ 3,6 bilhões.
Principais pontos
- A ação fechou a R$ 19,28 em 11 de agosto, com queda de 3,74% no pregão.
- No mês, o papel acumula perda de cerca de 8% e se aproxima da mínima de 12 meses, de R$ 18,87.
- O balanço do 2T26 é divulgado em 12 de agosto, após o fechamento do mercado.
- As projeções de lucro variam de R$ 3,1 bilhões, no consenso Bloomberg, a R$ 3,6 bilhões, do Bank of America.
- A máxima de 12 meses do papel foi de R$ 27,81, o que coloca a queda acumulada em torno de 30%.
A queda antes do número
O comportamento do papel nas últimas semanas é informativo por si só. Com queda de 3,74% na terça-feira e cerca de 8% no acumulado de agosto, a ação chegou a R$ 19,28 — muito mais próxima da mínima de doze meses, R$ 18,87, do que da máxima do período, R$ 27,81.
Isso significa que boa parte do resultado ruim já está no preço. Quando um papel cai 30% em doze meses, o mercado não está esperando boas notícias; está tentando calibrar o tamanho da má notícia. Esse detalhe muda completamente a leitura do que acontecerá na divulgação.
O que o mercado projeta
As estimativas para o lucro do trimestre estão espalhadas, o que por si só indica incerteza elevada. O Bank of America projeta cerca de R$ 3,6 bilhões, queda de 3% em doze meses e de 7% sobre o trimestre anterior. Goldman Sachs e JPMorgan estimam R$ 3,5 bilhões, retração de 6% na comparação anual. O consenso compilado pela Bloomberg aponta R$ 3,1 bilhões.
A dispersão entre R$ 3,1 bilhões e R$ 3,6 bilhões — meio bilhão de reais — é grande para um banco desse porte, e reflete a dificuldade de projetar o comportamento das provisões para crédito rural.
| Projeção para o lucro do 2T26 | Valor |
|---|---|
| Bank of America | R$ 3,6 bilhões |
| Goldman Sachs | R$ 3,5 bilhões |
| JPMorgan | R$ 3,5 bilhões |
| Consenso Bloomberg | R$ 3,1 bilhões |
| Realizado no 1T26 | R$ 3,43 bilhões |
De onde vem o problema
A pressão tem origem conhecida: o crédito ao agronegócio, carteira em que o banco tem a maior exposição do sistema. No primeiro trimestre, as provisões para devedores duvidosos subiram 49,9%, para R$ 16,5 bilhões, e o custo de crédito avançou 85,8%, chegando a R$ 18,86 bilhões.
O efeito na última linha foi brutal: lucro recorrente de R$ 3,43 bilhões, queda de 53,5% em doze meses, com ROE de 7,3% — contra 24,3% do Itaú e 26,7% do BTG Pactual no segundo trimestre. A inadimplência acima de 90 dias subiu para 5,05%.
O paradoxo de uma ação muito descontada
Quando o preço já embute pessimismo forte, a assimetria muda de lado. Um resultado apenas menos ruim que o esperado pode provocar alta — foi exatamente o que aconteceu com a Natura no mesmo pregão, cuja ação subiu apesar de o lucro cair 92%.
O inverso também vale: se o número vier abaixo até das projeções mais pessimistas, ou se o banco revisar de novo o guidance para baixo, ainda há espaço para queda. A faixa de projeção de lucro para 2026 está em R$ 18 bilhões a R$ 22 bilhões, já reduzida de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões — e o primeiro trimestre entregou R$ 3,43 bilhões, o que exige média bem maior nos trimestres restantes para alcançar o piso.
O que observar na divulgação
Como o lucro já é esperado fraco, ele não é o dado mais informativo. Três linhas dizem mais sobre o futuro: o custo de crédito, cuja estabilização seria o primeiro sinal de que o pior do agro passou; a inadimplência da carteira rural isoladamente, e não a total, que dilui o problema; e a originação de novas operações agrícolas, feita sob um modelo mais rigoroso de garantias.
Vale acompanhar também qualquer revisão do guidance e a política de distribuição de proventos, já que lucro menor significa dividendo menor em valor absoluto. O roteiro completo está em o que esperar do balanço e em como ler balanço de banco.
O que isso significa para o investidor
Vale ser explícito sobre o que ainda não se sabe: nenhum número do segundo trimestre foi divulgado até o fechamento desta terça-feira. Tudo o que circula são projeções de casas de análise, com dispersão de meio bilhão de reais entre elas — e projeções erram.
Para quem já tem o papel, a decisão de vender às vésperas de uma divulgação com o preço na mínima é justamente a que costuma capturar o pior dos dois mundos. Para quem cogita comprar pelo desconto, vale lembrar que ação barata pode ficar mais barata, e que o problema do crédito rural não se resolve em um trimestre. A comparação de múltiplos entre os bancos pode ser feita em comparar ativos, e o panorama do setor está em o placar dos bancos.
Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. O balanço do segundo trimestre de 2026 do Banco do Brasil ainda não havia sido divulgado na publicação deste texto; as estimativas citadas são de casas de análise e podem não se confirmar. Cotações referem-se ao fechamento de 11 de agosto.
Perguntas frequentes
Quando o Banco do Brasil divulga o balanço do 2T26?
Em 12 de agosto de 2026, após o fechamento do mercado. É a última grande divulgação entre os bancões neste trimestre.
Quanto a ação do Banco do Brasil já caiu?
O papel fechou a R$ 19,28 em 11 de agosto, com queda de 3,74% no dia e cerca de 8% no mês. A mínima de doze meses é R$ 18,87 e a máxima, R$ 27,81.
Qual o lucro esperado para o trimestre?
As projeções vão de R$ 3,1 bilhões, no consenso Bloomberg, a R$ 3,6 bilhões, do Bank of America. Goldman Sachs e JPMorgan estimam R$ 3,5 bilhões.
Por que o Banco do Brasil está sofrendo mais que os outros bancos?
Pela exposição ao crédito do agronegócio, a maior do sistema. No 1T26, as provisões subiram 49,9%, para R$ 16,5 bilhões, e o custo de crédito avançou 85,8%, derrubando o ROE para 7,3%.
A ação pode subir mesmo com resultado fraco?
Pode. Como o preço já embute pessimismo, um resultado apenas menos ruim que o esperado tende a provocar alta. O inverso também vale se o número decepcionar até as projeções mais pessimistas.



