O Banco do Brasil divulga o resultado do segundo trimestre nesta quarta-feira (12), e é o balanço mais aguardado da temporada. No primeiro trimestre o lucro recorrente despencou 53,5%, para R$ 3,43 bilhões, e o banco cortou a projeção de lucro do ano. A ação ronda R$ 20, perto da mínima de doze meses.
O Banco do Brasil divulga o balanço do segundo trimestre de 2026 em 12 de agosto. No primeiro trimestre o lucro recorrente caiu 53,5%, para R$ 3,43 bilhões, com ROE de 7,3% e inadimplência de 5,05%, pressionados pela carteira do agronegócio. O banco reduziu a projeção de lucro de 2026 para R$ 18 bilhões a R$ 22 bilhões. Os números do trimestre ainda não foram divulgados e o que se discute são projeções.
Principais pontos
- O resultado do 2T26 do Banco do Brasil sai em 12 de agosto de 2026, quarta-feira.
- No 1T26 o lucro recorrente foi de R$ 3,43 bilhões, queda de 53,5% em um ano e de 40,2% no trimestre.
- O ROE caiu para 7,3%, contra 24,3% do Itaú e 16,2% do Bradesco no segundo trimestre.
- A inadimplência acima de 90 dias subiu para 5,05% e o custo de crédito saltou 85,8%, para R$ 18,86 bilhões.
- A projeção de lucro de 2026 foi cortada de R$ 22 a 26 bilhões para R$ 18 a 22 bilhões.
De onde vem a pressão
A explicação está quase toda em uma carteira. O Banco do Brasil é o maior financiador do agronegócio brasileiro, e a deterioração do crédito rural — resultado de safras com margem apertada, endividamento alto e uma onda de recuperações judiciais no setor — bateu diretamente no resultado.
Os números do primeiro trimestre dimensionam o problema. As provisões para devedores duvidosos subiram 49,9% em um ano, para R$ 16,5 bilhões, e o custo de crédito avançou 85,8%, chegando a R$ 18,86 bilhões. Provisão é dinheiro que o banco separa do lucro para cobrir calote esperado: cada real provisionado sai diretamente da última linha do balanço.
O placar dos concorrentes já está na mesa
Os outros grandes bancos já reportaram o segundo trimestre, e isso dá referência para ler o número do BB. O Itaú entregou lucro recorrente de R$ 12,4 bilhões com ROE de 24,3%, o Bradesco veio com R$ 7,05 bilhões e ROE de 16,2%, e o Santander apresentou ROE de 12,5% com lucro em queda de 17,6%.
A comparação de rentabilidade é o que mais chama atenção: 7,3% de ROE no primeiro trimestre contra 24,3% do Itaú significa que, para cada R$ 100 de capital próprio, um banco devolveu R$ 7,30 e o outro, R$ 24,30 ao ano. O comparativo completo está em o placar dos bancos no 2T26.
| Banco | Lucro 2T26 | ROE |
|---|---|---|
| Itaú | R$ 12,4 bi | 24,3% |
| Bradesco | R$ 7,05 bi | 16,2% |
| Santander | queda de 17,6% | 12,5% |
| Banco do Brasil (1T26) | R$ 3,43 bi | 7,3% |
A conta que o guidance precisa fechar
Aqui está o teste aritmético mais útil para acompanhar a divulgação. O banco projeta lucro ajustado de R$ 18 bilhões a R$ 22 bilhões em 2026, faixa já reduzida da estimativa anterior de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões. O primeiro trimestre entregou R$ 3,43 bilhões.
Para alcançar apenas o piso da projeção, os três trimestres restantes precisam somar R$ 14,57 bilhões, uma média de R$ 4,86 bilhões cada — cerca de 42% acima do que foi entregue no primeiro trimestre. Se o número de quarta-feira vier bem abaixo dessa média, a matemática do guidance fica difícil, e é comum que o banco revise a projeção na própria divulgação.
O que observar na divulgação
O lucro é a manchete, mas não é o dado mais informativo. Três linhas dizem mais sobre o futuro. A primeira é o custo de crédito: se as provisões pararem de crescer, é o primeiro sinal de que o pior do agro ficou para trás. A segunda é a inadimplência da carteira rural isoladamente, e não a inadimplência total, que dilui o problema.
A terceira é a formação de novas operações. O banco vem originando crédito agrícola com um modelo mais rigoroso de garantias, e a tese da recuperação depende de essa safra nova substituir a carteira antiga. O Itaú BBA avalia que o custo de risco rural só deve ceder no segundo semestre e que o BB dificilmente entrega o guidance de custo de crédito. O roteiro de leitura está em como ler o balanço de um banco.
A ação e o dividendo
O papel era negociado perto de R$ 20 durante a sessão desta segunda-feira (10), bem mais próximo da mínima de doze meses, em R$ 18,87, do que da máxima de R$ 27,81. O mercado já embutiu no preço boa parte do problema — o que significa que uma surpresa positiva tem espaço para mover a ação, e que uma decepção pode ter efeito menor do que se imaginaria.
Para o investidor de renda, a pergunta paralela é o payout. Lucro menor significa proventos menores em valor absoluto, ainda que o percentual distribuído se mantenha. Quem carrega a ação por dividendo precisa acompanhar a política de distribuição anunciada junto com o balanço, e não apenas o histórico de pagamentos. As datas de outras empresas estão na agenda de dividendos.
O que isso significa para o investidor
O caso do Banco do Brasil é um exemplo didático de risco de concentração setorial. Os quatro grandes bancos operam no mesmo país, sob a mesma Selic e a mesma economia, e mesmo assim um entrega ROE de 24,3% e outro, de 7,3%. A diferença está em quais carteiras cada um escolheu construir.
Vale registrar o que ainda não se sabe: nenhum número do segundo trimestre foi divulgado até esta segunda-feira, e tudo o que circula são projeções de casas de análise, sujeitas a erro. O resultado sai na quarta-feira (12) e a leitura correta depende de comparar o número entregue com o esperado, não com o trimestre anterior. Quem quiser comparar múltiplos entre os bancos pode usar a ferramenta de comparação de ativos.
Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. Os dados do segundo trimestre de 2026 do Banco do Brasil ainda não foram divulgados; as informações acima são referentes a trimestres anteriores e a projeções de mercado, que podem não se confirmar. Cotações citadas são intradiárias.
Perguntas frequentes
Quando o Banco do Brasil divulga o balanço do 2T26?
Em 12 de agosto de 2026, quarta-feira. É a última grande divulgação entre os bancões, já que Itaú, Bradesco e Santander reportaram no início do mês.
Quanto o Banco do Brasil lucrou no primeiro trimestre de 2026?
O lucro recorrente foi de R$ 3,43 bilhões, queda de 53,5% em relação ao mesmo período de 2025 e de 40,2% sobre o trimestre anterior, com ROE de 7,3%.
Por que o lucro do Banco do Brasil caiu tanto?
Pela deterioração do crédito ao agronegócio, carteira em que o banco tem a maior exposição do setor. As provisões subiram 49,9%, para R$ 16,5 bilhões, e o custo de crédito avançou 85,8%.
Qual a projeção de lucro do Banco do Brasil para 2026?
A faixa atual é de R$ 18 bilhões a R$ 22 bilhões de lucro ajustado, reduzida da projeção anterior de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões. Para atingir o piso, os três trimestres restantes precisam somar R$ 14,57 bilhões.
O que observar além do lucro na divulgação?
O custo de crédito, a inadimplência específica da carteira rural e a originação de novas operações agrícolas. Essas três linhas indicam se a pressão do agro começou a ceder.



