O Banco do Brasil lucrou R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre, alta de 3,3% em um ano e de 13,9% sobre o trimestre anterior. O número superou o consenso de R$ 3,6 bilhões e o ROE subiu de 7,3% para 8,3%. Depois de dois trimestres de deterioração, o banco deu sinal de trégua.
O Banco do Brasil divulgou em 12 de agosto de 2026 lucro líquido recorrente de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre, alta de 3,3% em relação ao mesmo período de 2025 e de 13,9% sobre o primeiro trimestre. O resultado superou a projeção média de R$ 3,6 bilhões. O retorno sobre o patrimônio subiu para 8,3%, e a carteira do agronegócio cresceu 4,1%, acima do previsto.
Principais pontos
- O lucro recorrente foi de R$ 3,9 bilhões, com alta de 3,3% em doze meses e de 13,9% no trimestre.
- O consenso de mercado projetava R$ 3,6 bilhões, então o resultado veio acima do esperado.
- O ROE subiu de 7,3% no primeiro trimestre para 8,3%, praticamente estável ante os 8,4% de um ano antes.
- A inadimplência acima de 90 dias chegou a 5,61%, contra 3,96% no mesmo trimestre de 2025.
- No semestre, o lucro soma R$ 7,3 bilhões, o que exige aceleração forte para alcançar o guidance do ano.
O número e a surpresa
Depois de um primeiro trimestre em que o lucro despencou 53,5%, o mercado esperava mais um resultado fraco. A projeção média compilada pela Bloomberg apontava R$ 3,6 bilhões; o banco entregou R$ 3,9 bilhões.
A comparação mais reveladora é com o trimestre imediatamente anterior: alta de 13,9% sobre os R$ 3,43 bilhões do primeiro trimestre. Na base anual, o avanço foi de 3,3%, o que significa que o banco praticamente recuperou o patamar de um ano atrás — algo que parecia distante três meses antes.
A rentabilidade ainda é a menor do setor
O ROE subiu de 7,3% para 8,3%, um ponto percentual de melhora. Contra os 8,4% do mesmo trimestre de 2025, ficou praticamente estável — ou seja, o banco estancou a queda, mas não recuperou terreno na comparação anual.
Em perspectiva setorial, a distância continua enorme. No mesmo trimestre, o BTG Pactual reportou ROE de 26,7%, o Itaú 24,3%, o Bradesco 16,2% e o Santander 12,5%. Para cada R$ 100 de capital próprio, o BTG devolveu R$ 26,70 ao ano e o Banco do Brasil, R$ 8,30. As razões dessa diferença estão em por que um banco lucra mais que o outro.
| Banco | ROE no 2T26 |
|---|---|
| BTG Pactual | 26,7% |
| Itaú | 24,3% |
| Bradesco | 16,2% |
| Santander | 12,5% |
| Banco do Brasil | 8,3% |
A inadimplência que continua subindo
Aqui está o contrapeso que impede comemorar. A inadimplência acima de 90 dias chegou a 5,61%, contra 5,05% no primeiro trimestre e 3,96% um ano antes. O custo de crédito somou R$ 18,5 bilhões, alta de 16,1% em doze meses.
Ou seja: o lucro melhorou apesar de a qualidade da carteira continuar piorando. Isso costuma indicar que outras linhas — margem financeira, receita de serviços, tesouraria — compensaram a pressão das provisões. É uma melhora real, mas construída sobre uma base que ainda se deteriora, e a evolução do crédito rural segue sendo o fator decisivo, detalhado em a inadimplência do agro.
A surpresa do agro
Houve um dado que contrariou as expectativas na direção positiva: a carteira do agronegócio cresceu 4,1%, quando o próprio banco projetava algo entre −2% e +2%.
Isso importa porque, nos trimestres anteriores, a estratégia era encolher a exposição ao setor enquanto a inadimplência subia. Voltar a crescer sugere que o banco identificou espaço para originar crédito sob o novo modelo de garantias, mais rigoroso. É um voto de confiança da própria administração — que só se confirmará se a safra nova tiver comportamento melhor que a antiga.
A conta do guidance ficou apertada
Com R$ 3,43 bilhões no primeiro trimestre e R$ 3,9 bilhões no segundo, o semestre soma R$ 7,3 bilhões. A projeção do banco para 2026 é de R$ 18 bilhões a R$ 22 bilhões de lucro ajustado — faixa já reduzida da estimativa anterior, de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões.
Para alcançar apenas o piso, os dois trimestres restantes precisariam somar R$ 10,7 bilhões, uma média de R$ 5,35 bilhões cada — cerca de 37% acima do que foi entregue neste trimestre. É uma aceleração grande, e o mercado acompanhará se o banco mantém ou revisa a projeção.
A carteira e os demais indicadores
A carteira de crédito ampliada cresceu 0,6% no trimestre, dentro da faixa de guidance de 0,5% a 4,5% — no piso, portanto. Um banco que cresce pouco a carteira em um ambiente de Selic a 14,00% está priorizando qualidade sobre volume, postura coerente com quem enfrenta problema de inadimplência.
As provisões seguiram em alta, com avanço de 23,7% na comparação anual do trimestre. O roteiro de leitura de cada linha está em como ler o balanço de um banco.
O que isso significa para o investidor
A ação chegou à divulgação muito descontada: fechou a terça-feira a R$ 19,28, com queda de cerca de 8% em agosto e perto da mínima de doze meses, de R$ 18,87, contra máxima de R$ 27,81 no período — como mostrou a análise da véspera.
Quando o preço embute pessimismo forte, um resultado apenas melhor que o esperado tende a produzir reação positiva. Vale a ressalva honesta: um trimestre acima do consenso não resolve o problema estrutural do crédito rural, e a inadimplência de 5,61% mostra que a deterioração não parou. É trégua, não virada — e a diferença entre as duas leva pelo menos mais dois trimestres para aparecer. Para comparar múltiplos entre os bancos, use a comparação de ativos.
Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento. Dados do balanço do segundo trimestre de 2026 divulgado em 12 de agosto de 2026; lucro recorrente é medida ajustada calculada pela própria instituição.
Perguntas frequentes
Quanto o Banco do Brasil lucrou no 2T26?
O lucro líquido recorrente foi de R$ 3,9 bilhões, alta de 3,3% sobre o mesmo trimestre de 2025 e de 13,9% sobre o primeiro trimestre de 2026. O consenso de mercado projetava R$ 3,6 bilhões.
O resultado do Banco do Brasil foi bom?
Veio acima do esperado e o ROE subiu de 7,3% para 8,3%, mas a inadimplência acima de 90 dias avançou para 5,61%, contra 3,96% um ano antes. É uma trégua, não uma virada.
Qual o ROE do Banco do Brasil?
Ficou em 8,3% no segundo trimestre, ante 7,3% no primeiro e 8,4% um ano antes. É a menor rentabilidade entre os grandes bancos: o BTG reportou 26,7% e o Itaú, 24,3%.
O banco vai conseguir cumprir o guidance de 2026?
Está difícil. O semestre soma R$ 7,3 bilhões e o piso da projeção é R$ 18 bilhões, o que exigiria média de R$ 5,35 bilhões nos dois trimestres restantes — cerca de 37% acima do entregue no 2T26.
A carteira do agronegócio encolheu?
Não, cresceu 4,1%, acima da própria projeção do banco, que era de −2% a +2%. É sinal de que a instituição voltou a originar crédito rural sob um modelo mais rigoroso de garantias.



