O teto de juros do consignado do INSS segue em 1,85% ao mês — o equivalente a 24,60% ao ano — mesmo com a Selic já em 14,00% e quatro cortes seguidos. O conselho que define a taxa decidiu só rediscutir o assunto quando os juros básicos chegarem a 10,5%, o que empurra qualquer alívio para longe.
O teto de juros do empréstimo consignado para aposentados e pensionistas do INSS é de 1,85% ao mês, ou 24,60% ao ano, em vigor desde o fim de março de 2025. No cartão de crédito consignado, o limite é de 2,46% ao mês. O Conselho Nacional de Previdência Social definiu que só voltará a debater a taxa quando a Selic atingir 10,5%. A margem consignável é de 35% do benefício para empréstimo.
Principais pontos
- O teto do consignado do INSS está em 1,85% ao mês, equivalentes a 24,60% ao ano.
- No cartão de crédito consignado e no cartão benefício, o limite é de 2,46% ao mês, ou 33,86% ao ano.
- A revisão da taxa só será debatida quando a Selic chegar a 10,5%, hoje em 14,00%.
- A margem consignável é de 35% do benefício para empréstimo, mais 5% para cada tipo de cartão.
- Um benefício de R$ 2.000 comprometido no limite libera cerca de R$ 29,7 mil e devolve R$ 58,8 mil em 84 parcelas.
Quanto o consignado cobra hoje
O teto de 1,85% ao mês está em vigor desde o fim de março de 2025, quando o Conselho Nacional de Previdência Social elevou o limite anterior. Convertido para taxa anual, isso significa 24,60% ao ano — número que costuma surpreender quem só olha o percentual mensal.
Para o cartão de crédito consignado e o cartão benefício, o limite é maior: 2,46% ao mês, ou 33,86% ao ano. São produtos diferentes do empréstimo, com margem própria, e frequentemente contratados sem que o beneficiário perceba a diferença.
Por que a taxa não caiu com a Selic
Desde março de 2026, o Copom cortou a taxa básica quatro vezes, de 15,00% para 14,00%. O teto do consignado, porém, não é definido pelo Banco Central: quem estabelece é o Conselho Nacional de Previdência Social, que reúne governo, trabalhadores e empregadores.
Em reunião de agosto de 2026, o conselho definiu que o tema só volta oficialmente à mesa quando a Selic atingir 10,5%. A lógica declarada é que o custo de captação dos bancos acompanha os juros básicos, e mexer no teto antes disso poderia reduzir a oferta de crédito — bancos simplesmente param de emprestar quando a margem fica apertada, o que já aconteceu em episódios anteriores. Com o Focus projetando 12,00% para 2027, o gatilho de 10,5% não está próximo.
| Modalidade | Teto ao mês | Equivalente ao ano |
|---|---|---|
| Empréstimo consignado INSS | 1,85% | 24,60% |
| Cartão de crédito consignado | 2,46% | 33,86% |
| Cartão benefício consignado | 2,46% | 33,86% |
A margem: quanto do benefício pode ser comprometido
A lei limita o quanto do benefício pode ir para desconto em folha. São 35% para empréstimo consignado, mais 5% para o cartão de crédito consignado e outros 5% para o cartão benefício — totalizando 45% do valor do benefício.
Em um benefício de R$ 2.000, isso significa até R$ 700 mensais em parcelas de empréstimo. Parece um alívio; na prática, é um comprometimento de longo prazo do orçamento de quem tem renda fixa e pouca capacidade de aumentá-la.
A conta que muda a decisão
Veja o que o limite representa. Um aposentado com benefício de R$ 2.000 que compromete os 35% da margem, em 84 parcelas de R$ 700 à taxa máxima de 1,85% ao mês, recebe cerca de R$ 29.725 na conta.
Ao longo dos sete anos, ele devolverá R$ 58.800 — quase o dobro. Os juros somam R$ 29.075, praticamente igual ao valor emprestado. Não é irracional contratar: em uma emergência médica ou para quitar uma dívida mais cara, pode ser a melhor opção disponível. Mas é uma decisão que precisa ser tomada com esse número na frente, não com a promessa de “menor taxa do mercado”.
Onde o consignado se encaixa na escada do crédito
O consignado é, de fato, uma das linhas mais baratas para quem tem benefício do INSS — o que diz mais sobre o custo do crédito no Brasil do que sobre a generosidade da modalidade. Os dados do Banco Central de junho de 2026 colocam o cenário em perspectiva.
O crédito pessoal não consignado cobrava 57,33% ao ano, ou 3,85% ao mês, e o rotativo do cartão, 54,02% ao ano. Nesse contexto, os 24,60% do consignado são metade do custo. Já o cheque especial, a 26,44% ao ano, ficou surpreendentemente próximo — e o parcelado do cartão, a 23,80%, ficou até abaixo do teto do consignado.
| Modalidade | Ao ano | Ao mês |
|---|---|---|
| Parcelado do cartão | 23,80% | 1,80% |
| Consignado INSS (teto) | 24,60% | 1,85% |
| Cheque especial | 26,44% | 1,97% |
| Rotativo do cartão | 54,02% | 3,66% |
| Crédito pessoal não consignado | 57,33% | 3,85% |
Os golpes que rondam a modalidade
O consignado do INSS é alvo frequente de fraude, justamente porque o desconto é automático em folha. Duas práticas se repetem: a contratação de empréstimo sem autorização do beneficiário e a venda de cartão consignado apresentada como “empréstimo com parcela menor” — quando na verdade a taxa é maior.
Duas defesas funcionam. A primeira é o bloqueio de empréstimos no Meu INSS, que impede novas contratações até que o próprio beneficiário libere. A segunda é conferir o extrato de descontos mensalmente pelo mesmo aplicativo. Ninguém precisa pagar para consultar, contratar ou cancelar — qualquer cobrança nesse sentido é golpe, tema tratado em como se proteger de golpes financeiros.
Alternativas antes de contratar
Se a necessidade é quitar uma dívida mais cara, o consignado pode fazer sentido como troca: sair do rotativo a 3,66% ao mês para 1,85% ao mês reduz o custo pela metade. Essa é a única situação em que contratar dívida melhora o orçamento — e o requisito é não voltar a usar o cartão depois.
Se a necessidade é consumo, a conta dos R$ 29 mil de juros costuma ser suficiente para reconsiderar. E se houver algum patrimônio, comparar o custo do empréstimo com o rendimento de um investimento é revelador: nenhuma aplicação conservadora rende 24,60% ao ano, o que significa que resgatar aplicação para não tomar crédito quase sempre vale mais. Vale ler também quitar dívidas ou investir, como funciona o consignado e como renegociar dívidas.
Conteúdo informativo e educacional, sem recomendação de contratação de crédito. Tetos conforme decisões do Conselho Nacional de Previdência Social vigentes em agosto de 2026 e taxas médias de mercado conforme séries do Banco Central de junho de 2026; condições variam por instituição.
Perguntas frequentes
Qual o teto de juros do consignado do INSS em 2026?
O limite é de 1,85% ao mês para o empréstimo consignado, equivalente a 24,60% ao ano, e de 2,46% ao mês para o cartão de crédito consignado e o cartão benefício.
Por que o teto do consignado não caiu com a Selic?
Porque a taxa é definida pelo Conselho Nacional de Previdência Social, não pelo Banco Central. O conselho decidiu que só voltará a debater o limite quando a Selic atingir 10,5%, e ela está em 14,00%.
Quanto do meu benefício pode ser comprometido?
Até 35% para empréstimo consignado, mais 5% para o cartão de crédito consignado e 5% para o cartão benefício, totalizando 45% do valor do benefício.
Quanto custa um consignado de 84 parcelas?
Um benefício de R$ 2.000 com margem de R$ 700 mensais em 84 parcelas à taxa máxima libera cerca de R$ 29.725 e devolve R$ 58.800 ao final — R$ 29.075 apenas de juros.
Como evitar empréstimo consignado não autorizado?
Ativando o bloqueio de empréstimos no aplicativo ou site Meu INSS, que impede novas contratações até liberação pelo próprio beneficiário, e conferindo o extrato de descontos mensalmente.



